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segunda-feira, novembro 03, 2008

De Alvaro Caputo...

Perolas Extra FERREIRA GULLAR na Folha


03/11/2008 21:01

A punição como crime

FERREIRA GULLAR na Folha

O seqüestrador não é responsável pelo crime que cometeu; os responsáveis somos nós

O OFICIAL da Polícia Militar de Santo André, que comandou a operação de resgate das meninas que Lindemberg Alves mantinha prisioneiras, indagado por que demorara a ordenar a invasão do apartamento, respondeu que, se o tivesse feito mais cedo, teria sido acusado pela imprensa de preferir a violência ao diálogo. Já um especialista nesse tipo de operação diz que a norma é não esperar mais do que nove horas. A polícia de Santo André esperou cem horas para decidir-se pela invasão e ainda assim está sendo acusada de agir errado. Um psiquiatra, entrevistado pela televisão, afirmou que, "antes de tudo, devemos perguntar o que a sociedade fez de nossos jovens". Noutras palavras, o seqüestrador não é responsável pelo crime que cometeu; os responsáveis somos todos nós, que não seqüestramos nem matamos ninguém.

Não deveríamos, então, perguntar também o que a sociedade fez dos adultos, dos empresários, dos políticos, que são levados a roubar e a legislar em causa própria? Certamente também não terão culpa de seus crimes uma vez que foi a sociedade que os fez criminosos. E como a sociedade, sendo todos, não é ninguém, estaremos todos absolvidos e, sem culpa, entraremos no reino do céu.

Sucede que a coisa não é tão simples, pois, antes de chegarmos ao céu, teremos de viver e conviver em sociedade, o que só é possível se se obedecem às normas que a regem. E essas normas, por sua vez, só serão respeitadas se quem as desobedecer pagar por isso, ou seja, se for punido. E aí está a dificuldade: por que punir quem viola as normas se é a sociedade que o induz a violá-las? Ele é, portanto, inocente, e não será justo punir um inocente.

Não tenho dúvida alguma de que, exatamente nos setores encarregados da punição, existe um sentimento subjacente de que só se deve punir em último caso, já que a punição é coisa retrógrada, resto de uma noção de Justiça anacrônica. Posso estar errado mas ouço com freqüência advogados e juristas nos alertarem para o fato de que não se deve usar a lei para vingar-se do réu.

Sei que não tenho autoridade para falar de leis e problemas jurídicos. Não tenho, como a vasta maioria dos cidadãos também não tem. Não obstante, o problema da segurança, do respeito à nossa vida e a nossa tranqüilidade, passa pelas mãos dos que estão encarregados, pela sociedade, de aplicar as leis e fazê-las respeitar. E se eles não o fazem ou o fazem mal, isso nos atinge. Na minha santa ignorância, tenho a audácia de afirmar que a complacência com o crime torna inviável o convívio social e que seria preferível viver numa sociedade em que o aumento da criminalidade fosse menos assustador.

Vamos ao exemplo mais primário: se a mãe vê o filho insistir em bater na irmãzinha e não o pune, o mais provável é que ele continue a espancá-la. Punição não é crueldade nem vingança, mas o recurso que resta para deter quem não aceita submeter-se às normas do convívio social. Se é verdade que uma noção primária de educar consistia em espancar brutalmente as crianças, foi, mais tarde, substituída por uma complacência que anulou a autoridade dos pais. Hoje, compreende-se que o respeito às normas não é algo inato e, sim, incutido nas pessoas pela educação, visando tornar seguro e pacífico o convívio social.

São coisas óbvias que, no entanto, parecem esquecidas quando a OAB de São Paulo pretende revogar a lei que instituiu o Regime Disciplinar Diferenciado, sob a alegação de que atenta contra os direitos humanos do sentenciado. Todos sabemos que, de dentro das penitenciárias, alguns criminosos conseguem dirigir quadrilhas de bandidos que, sob suas ordens, praticam todo tipo de crime, do tráfico ao assassinato. O RDD impede a ação daqueles criminosos, donde que sua revogação só servirá a eles. O que leva, então, a OAB a empenhar-se em semelhante iniciativa que atenta contra a segurança dos cidadãos?

Não saberia responder com plena convicção, mas me parece ajustar-se à já mencionada maneira de encarar o crime e, conseqüentemente, a punição: o criminoso é uma vítima da desigualdade social. A partir dessa premissa, todo o aparato judicial, com sua finalidade punitiva, não é nada mais do que um instrumento de que a sociedade se vale para consumar uma dupla injustiça, ou seja, depois de transformar os pobres em bandidos, ainda os pune. Certamente a OAB se apóia em argumentos jurídicos para demonstrar que a lei do RDD atenta contra os direitos dos cidadãos. Mas não será direito dos cidadãos estar a salvo da ação de criminosos?


ESTILOS....


domingo, novembro 02, 2008


O texto saído hoje na Folha é breve, demasiado breve. No artigo da Isto É, antigo, o assunto recebe análise mais ampla.

2000 ANOS DE CRISTIANISMO PODER
ROBERTO ROMANO
ENTRE
A CRUZ
E A ESPADA
Apesar de defender a primazia do espiritual sobre o civil, a Igreja frequentemente sustentou o poder e abençoou tiranias
VOLTA AO ÍNDICE DO ESPECIAL

O

s vínculos entre cristianismo e poder surgem antes de Cristo. A vida cristã é filha do judaísmo, herdando as ambiguidades do Velho Testamento nos tratos entre mando secular e divino. O problema da hegemonia entre autoridades civis e religiosas já se coloca na sucessão de Moisés. Quem poderia suceder o primeiro legislador? Josué, o indicado, permaneceu em pé diante do sacerdote, definindo a sua inferioridade em face do clero. O sacerdote consulta Deus em nome de Josué (Êxodo, 28:30). Tanto o novo dirigente quanto o povo subordinam-se ao mediador entre Deus e os homens.

São várias as lutas entre sacerdotes e comandantes de Israel, no Antigo Testamento. Deus seria o único rei de Israel, sendo blasfêmia o povo desejar um governante civil. A monarquia escandaliza muitos judeus, como se vê no Livro dos Juízes: “Naqueles dias não havia rei em Israel, e cada um fazia o que lhe parecia correto” (Juízes, 21:25). Houve resistência do clero, e supostamente de Jeová, diante do novo poder real. Quando Samuel é obrigado a reconhecer a vontade popular, que exigia um rei, ele afirma em nome de Deus: “Eu (...) vos libertei da influência do Egito e da influência de todos os reinos que vos oprimiam. Vós, hoje, no entanto, rejeitastes vosso Deus, aquele que vos salvou de todos os males e de todas as angústias que vos afligiam, e dissestes: ‘Não! Constitui sobre nós um rei!’ Agora, pois, comparecei diante de Javé por tribos e por clãs” (I, Samuel, 10:17-19).

Reprodução
O Concílio de Trento A Igreja tentou resolver o conflito entre os poderes

O choque entre poder sacral e mando laico cresce ou diminui conforme a situação do povo. Quando estrangeiros submetem Israel, a religião mantém a unidade nacional. E cresce a importância dos profetas, em detrimento do líder civil. Mas este sempre está nas consciências, como promessa divina de libertação pelo Messias, o ungido do Senhor, rei e sacerdote capaz de remir o povo. Davi é o emblema desse rei. O Messias é seu descendente. O novo Davi goza da graça divina, puro de todo pecado, mas deve ser rei forte para dominar os povos.

Para Lutero, tentar juntar os reinos divino e terreno seria como juntar ovelhas e leões

O Novo Testamento aponta em Jesus os traços do Messias: ele é rei ungido por Deus e sai da árvore de Davi. A subordinação entre os poderes é pregada sem meias palavras. Quando Cristo é tentado pelo diabo, a sua resposta sobre os governos terrestres que receberia, caso negasse a Deus, é clara: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele darás culto” (Mateus, 4, 10). No episódio do imposto pago a César, Jesus reafirma a superioridade celeste. Assim, o cristianismo reivindica, após a queda do Império Romano, a subordinação do príncipe ao sacerdócio. Nas primeiras monarquias européias, o rei ocupa um lugar hierárquico na Igreja. “O monarca era de um modo especial funcionário e um membro da Igreja; ele não era como os outros fiéis leigos, mas seria um mediador entre o clero e o povo” (Tellenbach, Gerd). A unção, os signos episcopais que lhe são dados, o seu poder de curar, a sua liderança em concílios, tudo isto promove a santificação da figura real. No fim da Idade Média, os Estados nacionais não têm coerência política e administrativa. O mesmo ocorre com a Igreja. O poder da cúria não é pleno na Europa. A Igreja, buscando poder, forja mitos como a “doação de Constantino”, carta na qual o imperador romano teria ofertado regiões inteiras ao papa. A leitura daquele texto mostra o desejo dos padres de se elevarem acima dos reinos. O suposto imperador afirma, em certa altura: “Garantimos ao sucessor de Pedro o palácio imperial de Latrão, que é superior e excede todos os palácios do mundo; e o diadema, que é a coroa de nossa cabeça...” Fraude rendosa...

O máximo da propaganda clerical surge em 1198, quando Inocêncio III compara os dois poderes. A Igreja, o Sol, tem luz própria. O mando civil, a Lua, depende do sacerdócio. Em 1296, surge a Bula Clericis Laicos, que vitupera o inglês Eduardo I. Este tentou impor taxas ao clero. A bula também ofende o rei da França, Filipe IV, que proíbe o envio de dinheiro para a Santa Sé. O príncipe cerca o papa em Anagnani e prende-o por alguns dias. Surge a reivindicação teocrática na Unam Sanctam de 1302. Segundo o papa, Cristo ensinou que existe um rebanho e um só pastor. A cúria tem poder celeste e terreno. Os protestantes não abolem a preeminência do poder espiritual sobre o civil.

2000 ANOS DE CRISTIANISMO PODER
ROBERTO ROMANO
ENTRE A CRUZ E A ESPADA - continuação
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A coroação de Carlos Magno/janela na catedral de Strasburgo na França
Coroação de Carlos Magno pelo papa
Leão II: o poder
da Igreja no estado

Lutero separa os reinos: “Cristo não trata de política ou de economia, mas, sim, de salvar os homens.” Logo,“tentar exercer o governo de todo um país, ou do mundo, com o evangelho, é como se um pastor juntasse no mesmo estábulo os lobos, os leões, as águias e as ovelhas....as ovelhas, sem dúvida, seguiriam a paz e se deixariam conduzir pacificamente. Mas elas não viveriam muito tempo, e não restaria uma só” (Lutero). Nas revoltas do camponeses alemães, Lutero dá carta branca aos senhores seculares para impor a ordem, mesmo que eles não sejam cristãos. Abre-se a via para a independência do poder civil diante do religioso.

No Concílio de Trento, a Igreja tenta resolver os conflitos entre os poderes, mas mantém a superioridade do espiritual sobre o civil. A solução esboçada por Roberto Bellarmino é o poder indireto do papa sobre os Estados, réplica ao rei Tiago da Inglaterra, que no livro Basilikon Doron prega o direito divino dos reis. Chega a era do incentivo à morte dos “reis tiranos” e os vagidos do terror com patrocínio religioso. A doutrina católica e a lógica que assegura a superioridade dos sacerdotes sobre os leigos está num conjunto textual surgido no quarto século do cristianismo, sob o nome de Dionísio Areopagita (Hierarquia Celeste e Hierarquia Eclesiástica). Tudo seria uma escala hierárquica inflexível. Deus, o único a existir de modo pleno, jorra luzes sobre os entes. Quanto mais próximo da divindade, mais um ser é superior. O universo sai da essência divina e desce aos seres ínfimos. Anjos, arcanjos, querubins são formas existentes entre Deus e os homens. Príncipes, nobres são hierarquias terrestres. O lugar dos padres nessa escala é o mais elevado. Tal doutrina se impõe até no século XX e integra o saber político da Igreja.

Prensa Três

Não é aleatório, pois, o gesto de Napoleão Bonaparte. Este, ao assumir o Império, toma a coroa das mãos do papa e a coloca sobre a própria cabeça. O Estado se define como independente da Igreja. No século XX, o cristianismo reivindica a soberania acima do mando estatal. Nos tratados com Mussolini e Hitler, o Vaticano imaginava que os fascismos acatariam as exigências religiosas. A Igreja, em frente ao Estado totalitário, repete a tese de Dionisio Areopagita. Após a assinatura do tratado de Latrão, Pio XI escreve ao cardeal Pedro Gasparri: “Na Concordata estão diante um do outro, senão dois Estados, certissimamente duas soberanias plenas (...) cada uma em sua ordem, ordem necessariamente determinada pelos respectivos fins, onde quase não é preciso dizer que a dignidade objetiva dos fins determina não menos objetivamente e necessariamente a absoluta superioridade da Igreja”. Assim, a Igreja ajudou o fascismo.

Comparados com a Igreja, todos os poderosos são modestos diletantes

Os dirigentes eclesiásticos conhecem o poder. Entre a liberdade cristã e o exercício do mando, secular ou religioso, eles não hesitam. Elias Canetti, em Massa e poder, a mais importante obra de teoria política do século XX, assim analisa a força religiosa: “Comparados com a Igreja, todos os poderosos dão a impressão de serem modestos diletantes.” Ao contrário dos líderes laicos, ela não tem pressa. Tudo nela ocorre como nas procissões. Ninguém viu uma procissão com fiéis correndo.

O mando religioso ou é uma defesa contra os abusos dos príncipes ou agrava ainda mais os referidos malefícios. Nada pior do que uma tirania com marca divina. Diz Maquiavel: “Duas coisas devemos à Igreja. Ela nos tornou covardes e ruins.” Se a frase é falsa, é preciso explicar melhor as fogueiras e o trato amigável com os ditadores modernos. Napoleão colocou a coroa na cabeça, mas o papa lá estava, advogando o seu domínio sobre o Estado. A reprimenda que ele recebeu do imperador foi merecida.

Roberto Romano, autor de Brasil, Igreja contra Estado (São Paulo, Kayrós, 1979), é professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp.


São Paulo, domingo, 02 de novembro de 2008



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Terra de profanos


Religiosidade não terá peso no futuro governo dos EUA, não importa quem seja eleito


ROBERTO ROMANO
ESPECIAL PARA A FOLHA

Sem precisar de George W. Bush, Barack Obama ou John McCain, os EUA viveram uma história iniciada com a Reforma, que alterou os nexos entre poder político e religioso.Antes de Lutero o papado era a única instituição superior às nacionalidades e reinos. O sumo pontífice exigia a plenitude dos poderes na "respublica christiana", indivisa, em tese.

Semelhante utopia tem curta vida, sua derrubada começa nas lutas contra o papa conduzidas por Filipe, o Belo, e o inglês Henrique 2º. Em vão se proclama o predomínio sacerdotal nas bulas "Clericis Laicos" (1296) e "Unam Sanctam" (1302). Surge o abismo entre a república cristã e as monarquias. O culto do soberano laico, em especial na era de Richelieu e Luís 14, sacraliza o monarca, posto acima das ordens nobiliárquicas e do povo.

Para os apologistas do Estado, as Escrituras garantem que os reis são divinos. Além de Paulo apóstolo ("Romanos", 13, 1), sua base doutrinária vem do salmo 82, 6, traduzido na Bíblia do rei Tiago: "I have said, ye are gods" [Eu tenho dito, vós sois deuses].

O mesmo governante afirma: "A monarquia é coisa suprema na terra; porque os reis (...) são denominados deuses pelo próprio Deus. (...) Deus tem o poder de criar ou destruir, fazer ou desfazer segundo seu arbítrio, dar vida ou enviar a morte, a todos julgar e não responder diante de ninguém" ("Do Divino Direito dos Reis").


Imigrantes

É por temer tal doutrina que os "pais peregrinos" seguem para o continente americano.Ali buscam políticas não hierocráticas, como a do catolicismo romano, e que não divinizem os ocupantes do poder, como as absolutistas. Os imigrantes, instauradores da vida pública na América, são contemporâneos dos Levellers e Diggers [grupos puritanos ingleses].Para eles é preciosa a lição de John Milton: "Se o rei ou o magistrado provam ser infiéis aos seus compromissos, o povo é liberto de sua palavra" ("A Posse dos Reis e Magistrados").

Dos pensadores que instauram a nova república, grande parte é cristã, mas oposta à fusão entre fé e poder público, por um motivo simples: se o governante usa a religião para se impor e foge da racionalidade jurídico-política, rapidamente ele exigirá obediência à sua pessoa, não às leis ou aos mandamentos celestes. A tentação de Tiago 1º não morreu com o rei e poderia ser retomada por demagogos e messias (incomodados pelos princípios da "accountability") que fingiriam ligações diretas com a divindade.

O documento gerador do Estado em 1787 afirma o seu caráter: "Nenhum exame religioso será exigido como qualificação para qualquer ofício ou fé pública sob os Estados Unidos" (art. 6º, cláusula 3)."O Congresso não poderá fazer nenhuma lei sobre o estabelecimento de religião ou proibindo o seu livre exercício; ou diminuindo a liberdade de palavra ou de imprensa; ou o direito do povo de se reunir pacificamente e enviar petições ao governo para corrigir erros". ("Bill of Rights", conjunto de emendas à Constituição, art. 1º) Muitos líderes do novo Estado tinham sólidos vínculos com as luzes francesas e seguiam as bases do direito natural, mais do que os mandamentos eclesiásticos.

No século 20, sobretudo durante a Guerra Fria, o mundo se divide entre os EUA e a União Soviética, potência atéia. Recrudesce entre muitos norte-americanos a cruzada contra os "inimigos da fé cristã".


Conversa com o divino

Caída a União Soviética, a Casa Branca, com aplausos de líderes mundiais como o papa João Paulo 2º, assume várias doutrinas e práticas que negam as bases históricas e jurídicas da Constituição.George W. Bush radicaliza tal atitude e forja sua imagem como privilegiado interlocutor do ser divino. Trata-se de um renascimento caricato de Tiago 1º. O governo Bush, não por acaso, é refratário à "accountability" diante da opinião pública e demais poderes do Estado.Bush exacerba o segredo de Estado com base no "Patriot Act", que esgarça os elementos do "Bill of Rights" referidos acima. É certo que os seus opositores se calaram ou deram apoio ao estupro dos direitos civis.


Fora da sacristia

Mas os sucessores de Bush são alheios à teocracia e ao messianismo cristão.Obama e McCain já pagaram um caríssimo "lip service" aos radicais (como o reverendo Wright) ou conservadores (a pesada vice de McCain é significativa). Os dois não se mostram dispostos a mergulhar no oceano fundamentalista onde Bush se afoga. Eles precisam atenuar uma crise econômica cuja extensão não é revelada pelos profetas.Seja qual for o vitorioso, sua tarefa é unir a sociedade num projeto comum, conhecido desde a Roma Antiga como "salus populi", tema para a razão de Estado, e não conversa de sacristias.

ROBERTO ROMANO é professor titular de ética e filosofia política na Universidade Estadual de Campinas (SP) e autor de, "Moral e Ciência - A Monstruosidade no Século 18" (Senac SP).

sábado, novembro 01, 2008

Há um belo e triste conto de Hoffmann sobre o tema, genial, desenhado por Roque

Painel do Leitor Folha de São Paulo. Concordo em genero, número, caso com o leitor!

Monarquia


"Uma vez mais me alegro pela monarquia ter sido abolida definitivamente do país e pelo movimento monarquista ser total e absolutamente débil.Dom Bertrand de Orleans e Bragança, a cada vez que fala, me enche de alegria, pois afasta cada vez mais o Brasil de qualquer opção monarquista com seu conservadorismo ultrapassado e sua péssima análise de quem não consegue enxergar além dos auditórios de conferência da TFP ("Dilemas do antiamericanismo", ontem). Se Obama é uma propaganda, então imagino cá com meus botões o que foi a Guerra do Iraque, no Afeganistão e toda a "Guerra contra o Terror". O "certo tipo" de EUA defendido por dom Bertrand é, ao que parece, aquele sulista, ignorante e criacionista.Felizmente não é isso o que queremos para o Brasil e, creio, nem para a maior potência mundial. Não se trata de mudar de um antiamericanismo para um "pró-americanismo", e sim de esperar que o mundo não seja mais violentado como foi sob o regime Bush."

RAPHAEL GARCIA (São Paulo, SP)

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