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sábado, agosto 30, 2008





quinta-feira, agosto 28, 2008



Recebi de presente, em tempos passados, uma cópia xerox de certa carta de apoio, escrita por Luis Inácio da Silva (sem o apelido de Lula), ao movimento grevista dos professores que trabalhavam na Univerdade Federal. O documento integra o acervo da Associação de Professores da Universidade Federal de Santa Catarina. Transcrevo o texto, incluindo os erros de redação. Muita coisa mudou, de 1981 para os nossos dias. Mas recordar é viver, ou morrer duas vezes, certo?

RR



O Partido dos Trabalhadores -PT- , através de sua Ppresidência (Lula hesitou entre o P minúsculo e o P maiúsculo, RR), declara sua solidariedade à Greve Nacional dos Professores Universitários Autárquicos por considerar justa a pauta de reivindicações apresentada ao Govêrno pelos professores. Neste sentido coloca à disposição do Comando Nacional de Greve todas as forças do PT para forçar as negociações e dar continuidade à luta pelo ensino público e gratuito de qualidade, única forma dos trabalhadores brasileiros terem a possibilidade de ascesso (sic) à educação formal.

Brasília, 16/11/1981

Luis inácio da Silva
Presidente


Comentário: além do slogan (repetido como ladaínha pelos petistas até hoje) sobre o "ensino gratuito e de qualidade" note-se a anáfora involuntária (forças/forçar) que indica, no fundo da alma, a solução predileta dos problemas sociais e político: o uso da força e não tanto da razão ou do direito. Com o poder, tais bravatas foram ainda mais escondidas, mas elas jazem no fundo da alma petista, cuja intolerância e dogmatismo são quase irremovíveis.

Consultar documentos é um ato liberador, sempre.

RR




quarta-feira, agosto 27, 2008


A fonte é o Blog Imprensa Marron, excelente Blog! Quanto ao Tognolli, sigo seus textos desde longa data. Desde antes de um banqueiro, na época todo poderoso e que não é oportunista, ameaçar a sua vida. E posso dizer que ele é um excelente jornalista. O que é raro neste país onde escrevinhadores que vendem seu teclado (antigamente era a pena) são a regra, tanto na grande quanto na imprensa nanica.


Roberto Romano.



Papéis trocados

Chicaroni acusa Protógenes Queiroz de pedir propina

por Claudio Julio Tognolli

Famoso por ter prendido o banqueiro Daniel Dantas, na Operação Satiagraha, o delegado federal Protógenes Queiroz passou à posição de vidraça. O novo depoimento prestado pelo empresário e professor universitário Hugo Sérgio Chicaroni, no dia 7 de agosto, muda completamente a versão de um dos casos mais enigmáticos do país. Protógenes, agora, é acusado de ter pedido dinheiro a Chicaroni para retirar Daniel Dantas e sua irmã Verônica da mira da Polícia Federal. Chicaroni disse que é amigo do delegado há pelo menos sete anos.

Segundo a Polícia Federal, logo depois de ser preso, no dia 8 de julho, Chicaroni afirmou que o dinheiro era do Opportunity e foi levado a ele por pessoas do grupo financeiro de Dantas para ser entregue a policiais. Depois, no primeiro depoimento à Justiça, ele permaneceu calado. No novo depoimento, Chicaroni afirma que não foi ele quem ofereceu dinheiro a policiais federais. Ao contrário. Ele diz que a soma inicial de R$ 50 mil, para mudar o curso das investigações, foi pedida pelo próprio delegado Protógenes.

“Eles foram comigo até a minha casa numa Mercedes-Benz preta que o delegado Victor Hugo Ferreira dirigia, e eu peguei 50 mil reais que eram do meu cliente [Wilson Mirza, advogado de Dantas] e entreguei para os dois”, diz ele no depoimento obtido pela revista Consultor Jurídico. E mais: “O delegado Protógenes Queiroz disse que o delegado Victor Hugo Ferreira mereceria receber [o dinheiro]”. Isso porque ele teria aceitado conversar com alguém do Opportunity sobre o caso.

Chicaroni também relatou detalhes de uma amizade que diz manter há pelo menos sete anos com o delegado Protógenes. Detalhes que incluem desde saírem para comer pizzas até gentilezas a familiares.

Chicaroni foi acusado de tentar subornar o delegado federal Victor Hugo durante a investigação conduzida por Protógenes. Para justificar a prisão, o juiz Fausto De Sanctis afirmou que a soma de R$ 1,28 milhão, encontrada na casa de Hugo Chicaroni, no bairro paulistano de Indianópolis, era fruto de uma operação coordenada pelo braço direito de Daniel Dantas, Humberto Braz, que é executivo do Opportunity.

Na primeira versão de seu depoimento, Chicaroni sustentou que, em um primeiro encontro, R$ 50 mil foram destinados ao delegado federal Victor Hugo. E que, em uma segunda reunião, foi repassado ao policial federal R$ 80 mil. A meta seria o repasse de R$ 1 milhão. Vale lembrar que Hugo Chicaroni jamais teve pedida a quebra de seu sigilo telefônico pela PF ou pelo MP. Ao contrário dos demais acusados.

Além do depoimento de Chicaroni, há também outros episódios da PF em que o delegado continua a ser a estrela principal. Por exemplo: um policial presente na reunião em que o delegado Protógenes foi afastado do caso (oficialmente para fazer um curso), contou à ConJur parte das conversas travadas a portas fechadas. “Um outro policial federal disse ali ao Protógenes a frase do Capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite: “Pede para sair que fica melhor para a imagem da PF, porque você foi chipado (grampeado)”. Esses grampos seriam a prova material da antiga amizade entre caçador e caça.

Segundo esse policial, o depoimento seria a única prova palpável do afastamento de Protógenes: relatos de uma antiga amizade, com conversas telefônicas, com o Hugo Chicaroni, preso por ele.

Além do juiz Fausto De Sanctis, estavam presentes, no depoimento, os procuradores da República Rodrigo de Grandis e Anamara Osório Silva, e o advogado Alberto Carlos Dias, que representa Chicaroni.

A reportagem da ConJur tentou entrar em contato com o delegado Protógenes. A Polícia Federal informou que apenas se manifesta em “casos de acusação contra a corporação e não contra funcionários em particular”. Segundo a PF, “o doutor Protógenes está em um curso de reciclagem e não vai falar com a imprensa”, apesar de ser procurado para tanto. “Muita gente o procura para entrevistas, mas ele não fala", afirmou a PF.

Veja os principais trechos do depoimento

Páginas 157/158 — A amizade com “Proto”:

“Eu conheci o dr. Queiroz sete ou oito anos atrás, quando em conjunto com a Associação Paulista de Proteção aos Direitos Fonográficos Intelectuais e também numa consultoria Microservice Tecnologia, que é uma empresa da área de tecnologia e comunicações. Nós fazíamos um trabalho de combate à pirataria. E aí fizemos esse trabalho em conjunto com a Polícia Federal, nas primeiras prisões, na realidade, que foram feitas. Nessa ocasião identificamos (eu era diretor e coordenador de desenvolvimento de projeto do núcleo interdisciplinar de política estratégica da Universidade de São Paulo a convite do professor Bráulio José de Araújo). Nessa ocasião identificamos algumas necessidades dos delegados... e aí começamos a fazer algumas reuniões com professores dessa área da universidade e com delegados da área. Nessa ocasião, o dr. Queiroz me chamou um dia, e vendo um cartão com a chancela da USP, disse, “escuta, eu creio que você poderia me ajudar...a minha mulher sofreu um acidente, eu presumo que seja defeito de fabricação dos pneus, minha mulher estava grávida, eu creio que poderia ter sido muito sério... queria ver se me ajuda encaminhar esses pneus para uma perícia no IPT”. Indiquei um amigo. Nessa ocasião passei a falar com a esposa do dr. Queiroz... aí começou a nossa amizade, começamos a nos falar, começamos a nos encontrar sempre, tínhamos uma relação muito boa e, depois que ele foi para Brasília, sempre eu indo a Brasília, sempre que havia tempo nos falávamos, almoçávamos, jantávamos juntos, falávamos de amenidades da vida”.

Páginas 160/161 — Chicaroni fala sobre seus contatos com o advogado de Dantas, Wilson Mirza Abraham. Também revela os interesses de Mirza pela notícia da repórter Andrea Michael, da Folha de S. Paulo, que adiantou em meses a prisão de Dantas, via Satiagraha:

“Eu e o Protógenes estávamos comendo pizza e eu comentei com ele a questão do dr. Mirza. Eu falei: “Queiroz, eu conheci um advogado em São Paulo e ele disse que sai uma matéria no jornal sobre um cliente dele e ele disse que está tentando uma audiência com você e não consegue, eu disse que se o encontrasse iria pedir a você se poderia recebê-lo... Aí num jantar o delegado Queiroz me disse que almoçaria no dia seguinte com o delegado que estava nesse caso e ele iria perguntar a esse delegado se ele receberia alguma pessoa do Grupo Opportunity”.

Páginas 163/164/165/166 e 169 — Protógenes pede R$ 50 mil em nome do delegado federal Victor Hugo Ferreira:

“Dia 18, dia seguinte, eu estava em casa...Recebi outro telefonema do dr. Protógenes Queiroz. Ele disse “Você não quer dar um pulo até aqui?”... Então ele me apresentou aí o delegado Victor Hugo Ferreira. Aí conversamos. O delegado Victor Hugo Ferreira disse que conversaria com alguém do grupo Opportunity...No final dessa conversa o dr. Protógenes Queiroz me disse que só por essa conversa ele achava que o delegado Victor Hugo Ferreira deveria receber 50 mil reais... Eu disse “não tenho dinheiro”. Disse “não tenho interesse em investigação, eu tenho um dinheiro em casa que é do meu cliente”. Ele disse que o dr. Victor Hugo estava fazendo o último trabalho dele em São Paulo, que seria transferido para Ribeirão Preto, que estava fazendo negócio, não sei o que.. Tudo bem, eu disse, vou usar o dinheiro do meu cliente. E eles foram os dois comigo até a minha casa numa Mercedes-Benz preta que o delegado Victor Hugo Ferreira dirigia, e eu peguei 50 mil reais que eram do meu cliente e entreguei para os dois...O delegado Protógenes Queiroz disse que o delegado Victor Hugo Ferreira mereceria receber... Eu estava ali conversando com uma pessoa, Queiroz, que eu conheço há sete anos, eu o respeitava como homem, como profissional, como amigo, essa coisa toda, pode parecer até doidice, mas eu sabia que tinha como recuperar esse dinheiro, sem dúvida nenhuma ...Eu estava entregando para o meu amigo Queiroz...Eu não dei de presente, é difícil explicar, eu poderia dizer isso para o senhor de um milhão de outras maneiras e certamente o senhor, talvez, não me estivesse questionando da forma como está... O dr. Queiroz pediu os 50 mil reais...Ele disse que o dr. Victor Hugo Ferreira deveria receber os 50 mil reais.

Páginas 202 e 203- A visita cordial na cadeia:


“Eu quero complementar que, depois desse fato todo, uma semana depois, mais ou menos, eu recebi por duas vezes a visita do delegado Protógenes Queiroz na custódia da Polícia Federal, preocupado comigo, se eu estava bem, se as coisas estavam bem, se eu precisava de alguma coisa fora essa coisa toda, e eu cobrei mais uma vez o que fiz exatamente no dia 8 de julho (data da deflagração da Satiagraha), o porquê de ele ter me usado nessa história toda. Ele não me respondeu isso até hoje. Mas me disse “Olha, você tem que ter paciência”. Por duas vezes ele esteve comigo demonstrando preocupação, até porque sabe da minha saúde, sabe que eu tenho câncer, perguntando se eu queria coisas de fora, se queria que ele ligasse para minha família...Acho que algum dramazinho de consciência ele deve ter porque ligou para o meu filho...pedindo a ele paciência e que logo as coisas se resolveriam...Então só para registrar: acho que tem um lado humano nessa história...Na segunda vez que esteve comigo ele já estava com problemas com o caso, já estava para ser afastado...alguma coisa deve ter acontecido aí para ele chegar ao ponto de ligar para o meu filho”.

Revista Consultor Jurídico, 21 de agosto de 2008



SARNEY DIZ NÃO TER CONSTATADO TORTURA NO PERÍODO DITATORIAL, QUANDO ELE ERA UM DOS PROPRIETÁRIOS DA ARENA. FELIZ CEGUEIRA A DELE. COMO FUI TORTURADO NO DOPS PAULISTA, E VI TORTURADOS EM SITUAÇÃO PIOR DO QUE A MINHA, CHEGO À CONCLUSÃO : NOSSO PAÍS É TERRA DE CEGOS, DIRIGIDA POR CEGOS. SÓ QUE SE TRATA DE UMA CEGUEIRA MUITO PECULIAR: ELA É VOLUNTÁRIA. COMO A SERVIDÃO. A PÉROLA DE ENTREVISTA, NO ENTANTO, ESTÁ NA LINGUA DE UM COMUNISTA : "Quando um ex-presidente resolve prestar um depoimento sincero, é imperdível" ALDO REBELO, 52 deputado federal (PC do B-SP)". REBELO É AFÁVEL, BEM EDUCADO, POLÍTICO HONESTO.A IDEOLOGIA O CONDUZ A CERTOS APLAUSOS COMO O CITADO. TEMOS AÍ O MOTIVO PELO QUAL MUITA GENTE DA ESQUERDA APOIOU A ANISTIA CAPENGA. APLAUSOS PARA OS DONOS DO PODER DE ENTÃO E DE AGORA, O "GRANDE ALIADO". EXISTEM VÁRIAS INTERPRETAÇÕES DA PALAVRA GREGA KAYRÓS. UNS A TRADUZEM COMO TEMPO CERTO DE AÇÃO, OUTROS COMO TEMPO OPORTUNO. OUTROS....MAS RECORDEMOS A HISTÓRIA: OS COMUNISTAS SE ALIARAM A GETÚLIO, DEPOIS DE TUDO O QUE O EX-DITADOR TINHA FEITO CONTRA ELES E CONTRA O PAÍS. QUEM COMPULSOU O LIVRO DE WILLIAM WAACK SOBRE "OS CAMARADAS"E O RECENTE VOLUME DE DMITRI VOLKOGONOV (OS SETE CHEFES DO IMPÉRIO SOVIÉTICO, RJ, NOVA FRONTEIRA, 2008) PERCEBE A LÓGICA : VISEIRAS, SLOGANS E ESPINHAS DOBRADAS.
RR



São Paulo, quarta-feira, 27 de agosto de 2008



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SABATINA FOLHA

JOSÉ SARNEY

Próximo presidente não será eleito sem o apoio de Lula, afirma Sarney

Ex-presidente enfatiza importância do aval do atual ocupante do Planalto, defende aliança entre PMDB e PT e diz que o Supremo não está invadindo atribuições dos outros poderes, mas resolvendo conflitos que eles não tinham solucionado

Moacyr Lopes Jr./Folha Imagem

O senador José Sarney (PMDB) na sabatina realizada ontem no Teatro Folha

Aos 78 anos, 50 de vida pública, o ex-presidente e senador José Sarney (PMDB-AP) duvidou ontem, em sabatina à Folha, "que o futuro presidente possa ser escolhido sem o apoio de Luiz Inácio Lula da Silva". E pregou ainda aliança do PMDB com o PT em 2010.
Governador durante o regime militar, o primeiro presidente civil após a ditadura repassou, para uma platéia de cerca de 150 pessoas, sua experiência nestes 50 anos. Sarney foi sabatinado pelos colunistas Clóvis Rossi e Mônica Bergamo, pelo editor de Brasil, Fernando de Barros e Silva, e pela editora do Painel, Renata Lo Prete.


LULA
Afirmando que a eleição de Lula conclui um processo de cem anos -"Chegamos no fim do século com um operário no poder. Isso é uma coisa importantíssima"-, Sarney diz que a liderança do presidente "tem base profunda, raiz mais profunda". Daí, seu papel em 2010. "[Lula] não é só um político que tem popularidade. Não acredito que o futuro presidente possa ser escolhido sem a participação e o apoio do presidente Lula. Se me pergunta quem vai ser, digo que o nome colocado é a dona Dilma [Rousseff]."
"Se depender de mim, o PMDB vai para uma aliança com o presidente Lula", afirmou Sarney, alegando "que o PMDB é o partido das causas democráticas". "Colocamos uma agenda social no país durante o período em que fui presidente. Não se esqueçam que o slogan do meu governo era "tudo pelo social", justificou.
Alvo de críticas do petista no passado, hoje Sarney minimiza: "Lula era o PT de ferro, de aço. Todos nós mudamos".

SERRA
Questionado sobre seus desafetos, ele diz que não guarda rancor, nem do ex-presidente Fernando Collor de Mello, um dos mais ácidos críticos do governo Sarney. "Não tenho ódio do Collor. Se tem um arrependido disso, é ele. Não eu."
Sarney, no entanto, deixa evidentes suas restrições ao governador José Serra (PSDB). O senador nem sequer chega a negar que desconfie da participação de Serra na operação policial que, em 2002, flagrou R$ 1,4 milhão no escritório de sua filha, a então presidenciável Roseana Sarney.
Durante a disputa eleitoral de 2002, durante o governo FHC, aliados de Sarney atribuíram motivação política à operação. Serra negou. "Não vou dizer que foi o governador José Serra nem que não foi o governador Serra. Até porque é um fato do passado. Não quero relembrar. Serra é um bom homem público, um homem que tem qualidades", afirmou Sarney, insistindo na hipótese de "armação".
"Quem vai dizer não sou eu. Mas o STF e o Tribunal Federal de Brasília, que, em acórdão, disseram se tratar de armação. Não tinha começo nem meio nem fim, uma busca e apreensão que não foi junto a processo algum e que só cumpriu uma finalidade: barrar uma candidatura à Presidência."

CONGRESSO
Ao comentar a avaliação de ministros de que o Congresso é um mercado de voto, Sarney responsabilizou o sistema político. "O Congresso em que comecei era outro. Tudo que aconteceu, extremamente lamentável, tem muito a ver com o sistema político que adotamos. É esse sistema que levou à criação dessa classe política que dá essa imagem tão deformada e merecida."
Para Sarney, existem maus e bons políticos. Questionado sobre o aliado e ex-presidente do Senado Renan Calheiros (AL), Sarney disse que, "ao longo da história, [Renan] tem se mostrado um bom político".
O senador afirmou que votou pela absolvição de Renan por não haver provas de que dirigia uma emissora de rádio em Alagoas. "Se tivesse prova, eu teria, com maior tranqüilidade, condenado."
Ex-presidente do Senado, Sarney negou qualquer pretensão de voltar ao cargo. "O que posso adiantar é que não serei candidato. Não quero ser presidente de nada."

ADESISMO
Sarney reagiu aos que o acusam de estar sempre no poder. "É uma certa injustiça comigo. Fui oposição ao Getúlio, ao Juscelino. Quando dizem "Sarney aderiu ao processo do Tancredo", quero dizer que não. Fui convidado por eles. Não aderi."

STF x CONGRESSO
Sarney disse que o STF (Supremo Tribunal Federal) "agiu corretamente" ao proibir nepotismo no país.
Para ele, o STF exerce um papel "moderador" no regime democrático, preenchendo "lacunas da Constituição de 1988". "Não vejo que esteja invadindo essa ou aquela atribuição. O STF está tentando resolver conflitos que outros Poderes não tiveram condições de resolver", disse. "Se o Congresso se omite em tomar suas decisões, o Supremo toma."
Numa menção à Constituinte, da qual Lula e Serra fizeram parte, Sarney afirma que "o Congresso que fez a Constituição não tinha uma grande densidade". "Temos essa Constituição aí que até hoje só se faz é tentar consertar", criticou.
O ex-presidente citou os Estados Unidos como um exemplo de país em que o Supremo atua como moderador.
"O Parlamento se tornou incapaz, pela divisão que tinha, da integração dos negros e os direitos civis não caminhavam. Vem a Suprema Corte e interpreta: as escolas têm que ter a presença dos pretos. Graças a isso, a sociedade americana se reconciliou."

LITERATURA
Sarney contestou a associação entre política e sua nomeação para Academia Brasileira de Letras. "Entrei para a Academia Brasileira de Letras antes de ser presidente. Em 1980. Hoje, sou o decano, que é uma palavra ruim. Significa que todos que votaram em você já morreram. Sua vez está chegando. Dá uma certa dor nos ossos", brincou ele, para quem a política contamina a crítica ao seu trabalho.
"Pago muito porque sou político. Minha visibilidade política é maior que minha visibilidade de escritor."

PLANO CRUZADO
Sarney disse que não quer "ser julgado como o presidente dessa inflação de 40%". "Quero que o povo me julgue como o presidente da agenda da democracia. Ele argumentou ainda que a adoção de três moedas em seu governo garantiu a implantação do Plano Real. "A inflação é terrível. Mas foi uma circunstância que tivemos que atravessar. E isso valeu para que se fizesse o plano real. O [João] Sayad me propôs. Eu disse: "Não tenho mais condições políticas de fazer isso", como não tinha."

Ex-presidente afirma ser contra mudanças na atual Lei da Anistia

Sarney diz que congressistas queriam dar um golpe na Constituinte de 1988

DA REPORTAGEM LOCAL

Dizendo desconhecer a prática de tortura durante o regime militar brasileiro, o senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP), que foi governador do Maranhão entre 1966 e 1971, afirmou ontem que é contra a revisão da Lei da Anistia, proposta que é discutida por integrantes do governo Lula.
"A anistia foi negociada. Ela não foi um gesto de príncipe. Acho que o processo político da anistia fez parte do processo da transição", disse Sarney, afirmando "que anistia foi feita de forma consensuada".
"Não devemos esquecer que os militares não caíram por uma revolta militar que os derrubou. O que houve foi um processo de abertura que durou oito anos, até longo demais, e que as etapas foram cumpridas -e anistia era uma das etapas", disse Sarney, para quem "não há por que a gente venha renascer com esse problema".

A PRESIDÊNCIA
Sarney também lembrou de sua posse como presidente. O peemedebista disse que resistiu à idéia, à espera da recuperação de Tancredo Neves, eleito presidente no Colégio Eleitoral. "Assumi pensando que era por poucos dias. Mas, mesmo assim, achava que era uma coisa simbólica, a qual não devia aceitar. Cada vez mais fui me tomando de um certo sentimento entre medo e responsabilidade. Fui, talvez, uma das poucas pessoas que não acreditassem que o Tancredo Neves iria morrer", afirmou.
Sarney listou as adversidades políticas que diz ter enfrentado. "Quando assumi, o governo ficou comigo, mas o poder político todo ficou com o Ulysses [Guimarães]. Não tinha condições de ser presidente. Não tinha legitimidade [...]. Para que eu pudesse construir essa legitimidade política, tinha que resolver o problema da economia, que era difícil."
No Congresso, conta ele, "a Constituinte de 1988 quis dar um golpe dentro da própria Constituinte". "Criou a Comissão de Sistematização, que era composta por 90 congressistas. Esses 90 podiam decidir pela metade, 47 pessoas podiam decidir a matéria. Mas, para derrubar o que a Comissão de Sistematização queria, tinha que ter maioria absoluta no plenário. A matéria votada ali era considerada acabada. Houve uma reação. Como podíamos ter uma Constituição que podia ser votada por 47 pessoas apenas? Houve uma mudança do regimento no qual diz: "Não, toda matéria tem que ser votada aqui dentro do plenário". Daí porque eles achavam que essa comissão dos 90 ia fazer um mandato de quatro anos. Um dos maiores erros que cometi na vida foi ter ido para a televisão e ter dito: "Eu aceito o mandato de cinco anos". Porque coloquei no debate o que eles queriam. A Constituinte girou em torno do debate do mandato do presidente."

Frases

"Ele diz que não sabia de torturas na ditadura? Meu Deus, só ele não sabia"
MARYVONE LIMA COSTA, 77 pensionista

"Gostei da clareza com que o presidente Sarney expôs as idéias e falou da literatura"
CRISTIANA BARROSO, 42 auxiliar de enfermagem

"Quando um ex-presidente resolve prestar um depoimento sincero, é imperdível"
ALDO REBELO, 52
deputado federal (PC do B-SP)

"A sabatina foi uma aula de história de quem a conhece e de quem a viveu"
MICHEL TEMER, 67
deputado federal (PMDB-SP)


QUANTO À REPÚBLICA DO GARDENAL, COM CERTEZA TEREMOS COMENTÁRIOS MAIS ABALIZADOS NO BLOG DE MARTA BELLINI. POR ENQUANTO, REITERO O QUE DISSE NA ENTREVISTA AO UOL: O GRANDE AUXILIAR DA CORRUPÇÃO É O MORALISMO SALVACIONISTA. TEM SALVACIONISTA? ALÍ ESTÁ O CORRUPTO POR EXCELÊNCIA. GENTE QUE PREGA A MORAL E USA A DITA CUJA PARA MASCARAR A SUA CORRUPÇÃO. FOI ASSIM COM JÂNIO, COM A UDN, COM FERNANDO COLLOR, COM O PETISMO. A MAMATA É CONDENÁVEL ENQUANTO PRIVILÉGIO ALHEIO. QUANDO "NÓS" CHEGAMOS AO PODER E À MAMATA, MAMA MIA! ATOLEMOS AS MÃO NA M.... (CITO O GRANDE TEÓRICO DO PETISMO, PAULO BETTI). LUTAR CONTRA A CORRUPÇÃO DEVE TER COMO PRIMEIRO ITEM DE PAUTA AFASTAR OS HIPÓCRITAS. OU MANDAR TODOS OS SALVADORES DA MORALIDADE , OS SEPULCROS CAIADOS, PARA O INFERNO.
ROBERTO ROMANO




























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Requião dribla STF e mantém irmão e mulher no governo

Eles são agora secretários; sobre irmão, governador diz querer manter desempenho de portos

No Rio, a irmã de Cesar Maia passou de subsecretária para secretária especial de Eventos; prefeito afirma que "pré-cumpriu" a súmula


DIMITRI DO VALLE
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CURITIBA

ITALO NOGUEIRA
DA SUCURSAL DO RIO

O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), e o prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), mudaram o status de parentes para driblar a súmula do STF (Supremo Tribunal Federal) que impede a contratação de parentes até terceiro grau nos três Poderes.

Requião mudou a função de sua mulher, Maristela, e do irmão Eduardo, que têm cargos no governo, e transformou-os em secretários especiais. Já Maia trocou a estrutura de seu secretariado para manter a irmã Ana Maria Maia como funcionária da prefeitura. A decisão do STF não impede que parentes sejam secretários.
Maristela, cujo nome da nova pasta não foi definido, foi nomeada por decreto na quarta-feira passada para permanecer no comando do museu Oscar Niemeyer, em Curitiba. Eduardo foi nomeado ontem para a função de secretário especial para Assuntos Portuários, para assim permanecer à frente do porto de Paranaguá.
Em nota, ao falar apenas do caso do irmão, Requião disse que "a medida visa garantir a continuidade do excelente desempenho que os portos de Paranaguá e Antonina vêm mantendo desde 2003".No cargo de secretário, Eduardo passará a prestar assessoria ao irmão para "o fomento" dos portos do Paraná.

Requião não falou ontem em público sobre as decisões.

Sempre que falou sobre o tema, o governador declarou ser "um nepotista esclarecido" para defender a nomeação de familiares. À Folha, em janeiro, Requião declarou que "você não pode cercear uma pessoa pelo fato de ser seu parente". "O nepotismo é uma coisa mais ampla: é nomear [pessoa] inadequada por um protecionismo de qualquer sentido em um lugar importante onde ela prejudica a administração."

A assessoria da Secretaria da Casa Civil, que está se manifestando sobre o caso, diz que a situação dos outros parentes de Requião no governo está sendo estudada juridicamente.

Rio

A irmã de Cesar Maia, Ana Maria, passou de subsecretária para secretária especial de Eventos, segundo ato publicado anteontem no "Diário Oficial" do Município.
Ele mantém mais quatro parentes em cargos comissionados: Carmem Adela Ibarra Pizzarro (cunhada), Carlos André Xavier Bonel Jr. (sobrinho), Anita Carolina Levy Ibarra (sobrinha da mulher do prefeito, Mariângeles) e Sebastian Ibarra (sobrinho de Mariângeles).

O prefeito afirmou por e-mail que se antecipou ao STF ao promover a irmã.

Correio Popular de Campinas, 26/08/2008




Correio Popular de Campinas Publicada em 27/8/2008


Arrependidos

Roberto Romano

Desconfio dos indivíduos postos sob o rótulo do “ex”. Nada mais assustador que uma consciência atormentada pelas suas crenças e atitudes pretéritas. O arrependimento, diz Spinoza, “é a tristeza que acompanha a idéia de alguma ação que acreditamos ter sido feita por um livre decreto da mente” (Ética, IV). Segundo o filósofo, não surpreende que a tristeza resulte de atos “perversos” (pravi) e a alegria venha com os retos (recti). “Na verdade, isso depende sobretudo da educação (...) são os pais que, ao desaprovar os primeiros e exaltar os segundos, acabam por fazer com que as comoções da tristeza fossem associados a uns e as de alegria aos outros. O costume e a religião não são os mesmos para todos, o que para uns é sagrado, para outros é profano, e o que para uns é respeitoso, para outros é desrespeitoso. Dependendo de como cada um foi educado, arrepende-se de uma ação ou gloria-se por tê-la praticado”. Logo após essa lição de pedagogia, Spinoza discorre sobre a torpe arrogância, a “soberba que consiste em fazer de si mesmo, por amor próprio, uma estimativa acima da justa”.

Indivíduos ou grupos que assumiram certas doutrinas e se apossaram de postos dirigentes no Estado, na Igreja, nas associações civis, na maioria, são dominados pela soberba. Educados com a falsa idéia da própria excelência, exigem obediência, não admitem críticas nem réplicas, tendem a se confundir com o divino. A soberba, marca de Lúcifer e dos piores ditadores, dobra espinhas e mata quem ousa discordar do poderoso. O erotismo do mando, como toda paixão, ignora limites religiosos ou morais. Ditaduras, não raro, são estupros consentidos de coletividades. Quem as auxilia guarda a soberba, como se tivesse a razão no bolso, assassina corpos e almas acreditando agir livremente, quando na verdade é dirigido pelos seus mais torpes apetites. Escravos espalham servidão.

Quando o regime a que serviram ou que os serviu cai por terra, os arrependidos acusam os companheiros de tirania e atenuam a própria culpa. John Perkins (Confessions of an Economic Hit Man) é arrependido. Ele ajudou o governo norte-americano a praticar golpes financeiros e políticos contra governos do mundo. De repente escreve um livro onde retrata a si mesmo com figurações róseas, entenebrecendo as instituições a que serviu de bom grado. Hoje o livro (traduzido para nossa língua) é um “Ai Jesus” da esquerda bem pensante brasileira e sulamericana.

Acaba de ser traduzido outro volume de um arrependido, no polo oposto ao de Perkins. Trata-se das memórias de Dmitri Volkogonov, Os sete chefes do império soviético (RJ, Nova Fronteira, 2008). O autor, militar de alta patente que serviu de maneira direta os dirigentes da URSS, traça a genealogia dos tiranos que se apossaram do Kremlin com o pretexto de levar igualdade, paz e prosperidade ao povo russo. No prólogo o autor declara uma fé, mantida durante sua vida inteira, e busca expiar sua culpa.

Ao longo dos capítulos são mostrados, com documentos inéditos, as formas cínicas de mando mantidas pelo Partido, do início até Gorbachev. Antes mesmo de ser o dono da URSS, Lênin mostrou suas garras e ganância de poder. Por exemplo, quando ainda em 1915 defendeu um policial, Malinovsky, com argumentos até hoje empregados pelos soberbos de esquerda: “Temos que ensinar” diz Lênin na defesa de um cabo Anselmo daquele tempo, “ao nosso povo (que é ingênuo, inexperiente e não sabe) como lutar contra desclassificados...”). Eis a tese político revolucionária da “consciência vinda de fora”, a qual colocou os donos do Partido acima do proletariado. Lênin e seus áulicos sabiam “o que fazer”. E causaram um dos piores genocídios da história.

A cada página de Volkogonov, no entanto, o leitor cauteloso se pergunta: o que fazia o autor no instante em que as atrocidades eram praticadas e recebiam justificação? Silêncio. É por tal motivo que agradeço muito aos arrependidos. Eles nos trazem informações preciosas sobre o passado e o presente. Mas o cheiro da hipocrisia “arrependida” é nauseante.

terça-feira, agosto 26, 2008

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