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segunda-feira, setembro 15, 2008

UM ATAQUE ESPERADO, COM DIREITO A ASPAS E OUTROS INSULTOS.

COMENTÁRIO: O ARTIGO "CEAUCESCU NO IBIRAPUERA"FOI ESCRITO POR MIM PELO SEGUINTE MOTIVO: SENDO PAULO FREIRE SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, FOI CONVOCADO UM CONCURSO PARA PROVIMENTO DE CARGOS NAS ESCOLAS DA CIDADE. NA LISTA DE LIVROS A SEREM LIDOS, ESTAVAM POSTOS OS DE PAULO FREIRE. QUALQUER PESSOA QUE PENSE E ANALISE A CAUSA PÚBLICA CONHECE BEM OS PROBLEMAS DE CONFLITOS DE INTERESSE. SE FOI CULPA DO PRÓPRIO FREIRE OU DOS SEUS BAJULADORES NA SECRETARIA, O FATO É GRAVE DO PONTO DE VISTA ÉTICO. SE NÃO ESTÁ NOMEADO O PEDAGOGO, NO ARTIGO DA FOLHA, É PORQUE OFICIALMENTE ELE ERA SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO NAQUELES DIAS. A MISSIVISTA VIÚVA INSINUA, COM EVIDENTE INTENTO ERÍSTICO, QUE NÃO NOMEEI O REFERIDO PEDAGOGO POR ALGUM MOTIVO IGNOTO. É A TÉCNICA DE ACUSAR PARA VER SE COLA. ESCREVER O NOME DO SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO MUNICIPIO NO DIA EM QUE MEU ARTIGO FOI PUBLICADO ERA TÃO DESNECESSÁRIO QUANTO NO DIA DE HOJE ESCREVER UM ARTIGO CONTRA O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, E NÃO REDIGIR O NOME DE LUIS INÁCIO DA SILVA. O FATO GERADOR DO ARTIGO ERA PÚBLICO, E O RESPONSÁVEL POR ELE ERA O SECRETÁRIO. IMPORTA SUBLINHAR QUE ASSINEI EM BAIXO, COMO SEMPRE FAÇO COM MEUS ARTIGOS, ASSUMINDO PLENAMENTE AS CONSEQUÊNCIAS. NO CASO, ELAS FORAM TREMENDAS. QUANTO A DEFENDER A ÉTICA DE MERCADO, E NÃO A ÉTICA UNIVERSAL, A CALÚNIA É EVIDENTE, POIS NÃO É APRESENTADA NENHUMA PROVA DA ASSERÇÃO. ELA PEGA COM OS ADEPTOS DA SEITA. NADA MAIS.


QUANTO À REVISTA VEJA, ELA ME CONSULTOU SOBRE TODOS OS AUTORES E ASSUNTOS TRATADOS NA REPORTAGEM, NÃO SE LIMITANDO AO AUTOR EM PAUTA. TODA A MATÉRIA FOI REDIGIDA E ASSINADA PELAS JORNALISTAS AGORA ATACADAS. DE MINHA LAVRA, FOI EDITADA APENAS UMA FRASE, AFIRMANDO QUE A SALADA IDEOLÓGICA VEM DO ECLETISMO. O PEDAGOGO NÃO É MENCIONADO POR MIM. SE NÃO ESCREVI O TEXTO, EM BOA LÓGICA NÃO SOU POR ELE RESPONSÁVEL. SE MINHA FALA TOCASSE NO PEDAGOGO, HAVERIA ALGUM MOTIVO PARA A DIATRIBE TORTUOSA CONTRA MIM. A VIÚVA E SEUS PARES NADA PODEM DIZER SOBRE A FORMA E O CONTEÚDO DE MINHA CONSULTORIA ÀS JORNALISTAS. A ILAÇÃO FEITA, POIS, NÃO SE SUSTENTA EM PROVAS. MAS A CENSURA E A PERSEGUIÇÃO (PELA QUAL JÁ PAGUEI CARO) QUE SOFRI DOS QUE SE DEFINEM COMO LIBERTÁRIOS, É FORTE. MAIS FORTE AINDA MINHA DETERMINAÇÃO PARA NÃO ME DEIXAR CALAR PELOS EXÉRCITOS HEGEMÔNICOS. QUANDO A VIÚVA DIZ QUE HOJE "NÓS"ESTAMOS VENCENDO AS MISÉRIAS DO BRASIL, É EVIDENTE O TOM PALACIANO. "NÓS"É PARA ME INTIMIDAR COM O PLANALTO. CALMA, MINHA SENHORA! NEM A DITADURA, NEM OS VELHOS PARTIDOS DA DIREITA (FUI PROCESSADO POR UM LIDER DO PMDB, O DO "É DANDO QUE SE RECEBE", LEMBRA-SE? ) E NEM A MASSA COLLORIDA E NEM MESMO OS DONOS ATUAIS DA REPÚBLICA ME INTIMIDAM. SEU ÓDIO É COMPREENSÍVEL, CARA SENHORA, MAS NÃO SE SUSTENTA EM FATOS. SERIA BOM QUE A SENHORA, ANTES DE OUVIR OS QUE SE APROVEITAM DO NOME DE SEU ESPOSO, PROCURASSE SE INFORMAR MELHOR EM TERMOS FACTUAIS. LEMBRE-SE : EM BOA JUSTIÇA, OS FATOS CONTAM TANTO QUANTO O DIREITO. E TENHO CERTEZA DE QUE OS DOIS PONTOS ME DÃO RAZÃO.
UMA OUTRA PEQUENA NOTA: USAR ASPAS PARA TENTAR MOVER O RIDÍCULO CONTRA OS CRÍTICOS, NO CASO DO "FILÓSOFO"REDIGIDO CONTRA MIM, É PRÓPRIO DOS AUTORITÁRIOS. RECOMENDO À SRA. FREIRE (OU A QUEM REDIGIU O TEXTO QUE ELA ASSINA) A LEITURA DE VITOR KLEMPERER, SOBRE A LINGUAGEM DO TERCEIRO IMPÉRIO. QUANTO À MINHA QUALIFICAÇÃO DE FILÓSOFO OU NÃO, NÃO CABE À SENHORA FREIRE DECIDIR, MAS SIM O CURRICULUM VITAE QUE POSSUO, NO QUAL CONSTA, ALÉM DOS CONCURSOS PÚBLICOS ACADÊMICOS, A MINHA EXPERIÊNCIA DE VIDA, INCLUSIVE NAS CADEIAS DA DITADURA, COISA QUE TANTO ELA QUANTO SEU MARIDO DESCONHECERAM, BEM COMO A MAIORIA DE SEUS ADEPTOS, POR VIVEREM CONFORTAVELMENTE NO EXTERIOR, AMPARADOS POR GOVERNOS E UNIVERSIDADES.

ROBERTO ROMANO




VIÚVA DE PAULO FREIRE ESCREVE CARTA DE REPÚDIO À REVISTA VEJA

Atualizado em 12 de setembro de 2008 às 10:46 | Publicado em 12 de setembro de 2008 às 10:38

por CONCEIÇÃO LEMES

Na edição de 20 de agosto a revista Veja publicou a reportagem O que estão ensinando a ele? De autoria de Monica Weinberg e Camila Pereira, ela foi baseada em pesquisa sobre qualidade do ensino no Brasil. Lá pelas tantas há o seguinte trecho:

"Muitos professores brasileiros se encantam com personagens que em classe mereceriam um tratamento mais crítico, como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens arcanos sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização. Entre os professores ouvidos na pesquisa, Freire goleia o físico teórico alemão Albert Einstein, talvez o maior gênio da história da humanidade. Paulo Freire 29 x 6 Einstein. Só isso já seria evidência suficiente de que se está diante de uma distorção gigantesca das prioridades educacionais dos senhores docentes, de uma deformação no espaço-tempo tão poderosa, que talvez ajude a explicar o fato de eles viverem no passado".

Curiosamente, entre os especialistas consultados está o filósofo Roberto Romano, professor da Unicamp. Ele é o autor de um artigo publicado na Folha, em 1990, cujo título é Ceausescu no Ibirapuera. Sem citar o Paulo Freire, ele fala do Paulo Freire. É uma tática de agredir sem assumir. Na época Paulo, era secretário de Educação da prefeita Luiza Erundina.

Diante disso a viúva de Paulo Freire, Nita, escreveu a seguinte carta de repúdio:

"Como educadora, historiadora, ex-professora da PUC e da Cátedra Paulo Freire e viúva do maior educador brasileiro PAULO FREIRE – e um dos maiores de toda a história da humanidade –, quero registrar minha mais profunda indignação e repúdio ao tipo de jornalismo, que, a cada semana a revista VEJA oferece às pessoas ingênuas ou mal intencionadas de nosso país. Não a leio por princípio, mas ouço comentários sobre sua postura danosa através do jornalismo crítico. Não proclama sua opção em favor dos poderosos e endinheirados da direita, mas , camufladamente, age em nome do reacionarismo desta.

Esta vem sendo a constante desta revista desde longa data: enodoar pessoas as quais todos nós brasileiros deveríamos nos orgulhar. Paulo, que dedicou seus 75 anos de vida lutando por um Brasil melhor, mais bonito e mais justo, não é o único alvo deles. Nem esta é a primeira vez que o atacam. Quando da morte de meu marido, em 1997, o obituário da revista em questão não lamentou a sua morte, como fizeram todos os outros órgãos da imprensa escrita, falada e televisiva do mundo, apenas reproduziu parte de críticas anteriores a ele feitas.

A matéria publicada no n. 2074, de 20/08/08, conta, lamentavelmente com o apoio do filósofo Roberto Romano que escreve sobre ética, certamente em favor da ética do mercado, contra a ética da vida criada por Paulo. Esta não é, aliás, sua primeira investida sobre alguém que é conhecido no mundo por sua conduta ética verdadeiramente humanista.

Inadmissivelmente, a matéria é elaborada por duas mulheres, que, certamente para se sentirem e serem parceiras do "filósofo" e aceitas pelos neoliberais desvirtuam o papel do feminino na sociedade brasileira atual. Com linguagem grosseira, rasteira e irresponsável, elas se filiam à mesma linha de opção política do primeiro, falam em favor da ética do mercado, que tem como premissa miserabilizar os mais pobres e os mais fracos do mundo, embora para desgosto deles, estamos conseguindo, no Brasil, superar esse sonho macabro reacionário.

Superação realizada não só pela política federal de extinção da pobreza, mas, sobretudo, pelo trabalho de meu marido – na qual esta política de distribuição da renda se baseou – que demonstrou ao mundo que todos e todas somos sujeitos da história e não apenas objeto dela. Nas 12 páginas, nas quais proliferam um civismo às avessas e a má apreensão da realidade, os participantes e as autoras da matéria dão continuidade às práticas autoritárias, fascistas, retrógradas da cata às bruxas dos anos 50 e da ótica de subversão encontrada em todo ato humanista no nefasto período da Ditadura Militar.

Para satisfazer parte da elite inescrupulosa e de uma classe média brasileira medíocre que tem a Veja como seu "Norte" e "Bíblia", esta matéria revela quase tão-somente temerem as idéias de um homem humilde, que conheceu a fome dos nordestinos, e que na sua altivez e dignidade restaurou a esperança no Brasil. Apavorada com o que Paulo plantou, com sacrifício e inteligência, a Veja quer torná-lo insignificante e os e as que a fazem vendendo a sua força de trabalho, pensam que podem, a qualquer custo, eliminar do espaço escolar o que há de mais importante na educação das crianças, jovens e adultos: o pensar e a formação da cidadania de todas as pessoas de nosso país, independentemente de sua classe social, etnia, gênero, idade ou religião.

Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de concluir que os pais, alunos e educadores escutaram a voz de Paulo, a validando e praticando. Portanto, a sociedade brasileira está no caminho certo para a construção da autêntica democracia. Querendo diminuí-lo e ofendê-lo, contraditoriamente a revista Veja nos dá o direito de proclamar que Paulo Freire Vive!

São Paulo, 11 de setembro de 2008
Ana Maria Araújo Freire."

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