domingo, setembro 30, 2007

Antonio Romane...


1. Se mexer, pertence à biologia.
2. Se feder, pertence à química.
3. Se não funciona, pertence à física.
4. Se ninguém entende, é matemática.
5. Se não faz sentido, é economia ou psicologia.
6. Se mexer, feder, não funcionar, ninguém entender e não fizer sentido, é informática.

LEI DA PROCURA INDIRETA
1. O modo mais rápido de se encontrar uma coisa é procurar outra.
2. Você sempre encontra aquilo que não está procurando.

LEI DA RELATIVIDADE DOCUMENTADA
Nada é tão fácil quanto parece, nem tão difícil quanto a explicação do manual.

LEI DA TELEFONIA
1. Quando te ligam:
Se você tem caneta, não tem papel...
Se tiver papel, não tem caneta...
Se tiver ambos, ninguém liga.
2. Quando você liga para números errados de telefone, eles nunca estarão ocupados.
Parágrafo único: Todo corpo mergulhado numa banheira ou debaixo do chuveiro faz tocar o telefone.

LEI DAS UNIDADES DE MEDIDA
Se estiver escrito “Tamanho Único”, é porque não serve em ninguém.

LEI DA GRAVIDADE
Se você consegue manter a cabeça enquanto à sua volta todos a estão perdendo, provavelmente você não está entendendo a gravidade da situação.

LEI DOS CURSOS, PROVAS E AFINS
Oitenta por cento do exame final será baseado na única aula que você perdeu, baseada no único livro que você não leu.

LEI DA QUEDA LIVRE
1. Qualquer esforço para agarrar um objeto em queda provoca mais destruição do que se o deixássemos cair naturalmente.
2. A probabilidade de o pão cair com o lado da manteiga virado para baixo é proporcional ao valor do carpete.

LEI DAS FILAS E DOS ENGARRAFAMENTOS
A fila do lado sempre anda mais rápido.
Parágrafo único: Não adianta mudar de fila. A outra é sempre mais rápida.

LEI DO ESPARADRAPO
Existem dois tipos de esparadrapo: o que não gruda e o que não sai.

LEI DA VIDA
1. Uma pessoa saudável é aquela que não foi suficientemente examinada.
2. Tudo que é bom na vida é ilegal, imoral ou engorda.

LEI DA ATRAÇÃO DE PARTÍCULAS
Toda partícula que voa sempre encontra um olho aberto.


sábado, setembro 29, 2007

Antonio Romane...

Piada de verdade 

No curso de medicina, certo professor se dirige a determinado aluno e pergunta:
— Quantos rins nós temos?
— Quatro! — responde o aluno.
— Quatro? — replica o professor com ar arrogante, um daqueles professores que adoram tripudiar sobre os erros dos alunos, e emenda:
— Traga um feixe de capim, pois temos um asno na sala — ordena ele ao auxiliar.
— E para mim um cafezinho! — se intromete o aluno ao auxiliar do mestre.
O professor fica uma onça e expulsa o aluno da sala.
Ao sair da sala, o aluno ainda tem a audácia de corrigir o furioso mestre:
— O senhor me perguntou quantos rins "nós temos". "Nós" temos quatro: dois meus e dois teus. Delicie-se merecidamente com o capim.

Bem, o aluno era o humorista Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), mais conhecido como "Barão de Itararé". Por que “Itararé”? Bem, Itararé foi uma batalha que não houve na guerra contra o Paraguai. Haja capim!

Blog do Orlando Tambosi aniversaria...





Deus na Escola

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http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2909200708.htm
São Paulo, sábado, 29 de setembro de 2007

TENDÊNCIAS/DEBATES

O projeto "Deus na escola" deve ser sancionado?
NÃO

Vetar, pela cidadania!

ROSELI FISCHMANN

O GOVERNADOR José Serra deve vetar o projeto de lei "Deus na escola" porque é inconstitucional, violando direitos humanos: contraria o princípio da laicidade do Estado, viola o direito à igualdade e à liberdade de consciência e de crença, dos alunos e dos grupos religiosos. Em que pesem os propósitos proclamados no projeto, a mera oferta do ensino religioso como "conteúdo homogêneo para todas as crenças" a crianças de seis anos, idade em que iniciam o ensino fundamental, seria uma forma de discriminação e opressão. Seria violação da dignidade, da liberdade e do respeito a que toda criança tem direito, como expresso no artigo 227 da Constituição Federal, pelo tipo de constrangimento e conflito a que submeteria os alunos.

Um dos direitos humanos é que aos pais cabe prioritariamente a escolha do gênero de educação a dar aos filhos -o que inclui educação religiosa e o grupo do qual participará. Como poderia uma criança conviver sem conflito com um conteúdo que, ao oficialmente "homogeneizar" a diversidade, seria diferente do que lhe é dado por sua família e comunidade religiosa?Os alunos do ensino fundamental são consciências tenras, mais vulneráveis a atos que, sob o manto da boa intenção, podem promover danos de longa duração. Implantar a divindade como "matéria" escolar, mediante o conceito de que seria possível homogeneizar as religiões e espiritualidades como ato de Estado, pode desenvolver nos alunos
disposição psicológica para discriminar e excluir todos os que não se submetem a semelhante padrão homogêneo, levando à perda da capacidade crítica (que a educação deve promover) de identificar o que é proposto como tirania, ao arrepio do pluralismo e da democracia.

Autores, como Allport, Adorno e Kelman, indicam que a rejeição da pluralidade leva a uma disposição psicológica para o totalitarismo e o autoritarismo, com repercussões profundas sobre o individual e o coletivo. Mesmo propondo o ensino religioso como facultativo, o projeto é inconstitucional, ao estabelecer que o Estado abandone a posição imparcial que deve ter por ser laico para assumir o papel de doutrinador do tema religioso. O projeto viola o direito à liberdade das organizações religiosas, interferindo de forma inconstitucional na esfera que lhes é privada. Isso porque estabelece o Estado como responsável pela definição de qual é a divindade -nome, atributos e desígnios- a ser sancionada como oficial e estatal e, assim, ensinada às crianças de todas as crenças.

Como se pode esperar que as religiões aceitem placidamente que seus conteúdos sejam violados em sua integridade e singularidade para compor um conteúdo homogêneo? Mesmo quem pouco conheça de religiões entenderá o absurdo de tentar propor uma única divindade, em um quadro em que mesmo as religiões monoteístas, de tradição abraâmica, não têm
unanimidade teológica; ficaria aqui a pergunta sobre qual monoteísmo seria escolhido, no que parece ser a proposta do projeto de lei.Pois, ao escolher assim, o projeto desconsidera o politeísmo, desrespeitando parcelas da população que praticam religiões de matriz africana; ignora crenças que não se referem à divindade, como o budismo. Reforça a inaceitável estigmatização de ateus e o desconhecimento sobre agnósticos, violando o direito de todos esses cidadãos de serem reconhecidos da forma como são e como crêem ou não crêem, sem o risco de serem banidos da esfera pública.Pois não cabe ao Estado laico fazer escolhas e definições religiosas, mas proteger igualmente a escolha de consciência e de crença de todos os cidadãos e cidadãs.

Já os artífices dessa criação do Criador, segundo o projeto, seriam um grupo de escolhidos (ou "ungidos"?), que teriam, assim, uma cidadania mais reconhecida que a dos demais, gesto que seria repetido por cada conselho de escola e cada professor, ao sabor de sua interpretação.Observe-se que o artigo 19 da Constituição veda à União, aos Estados e aos municípios tanto estabelecer cultos religiosos ou igrejas e subvencioná-los quanto criar distinções entre brasileiros ou
preferências entre si. É dessa armadilha que o governador deve escapar, vetando o projeto de lei.



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ROSELI FISCHMANN, 54, doutora e livre-docente, é professora do programa de pós-graduação em educação da USP e expert da Unesco para a Coalizão de Cidades contra o Racismo, a Discriminação e a Xenofobia. Integrou a Comissão Especial de Ensino Religioso do Governo do Estado de São Paulo (1995-1996).
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TENDÊNCIAS/DEBATES

O projeto "Deus na escola" deve ser sancionado?
SIM

Uma boa influência

MARIA LÚCIA AMARY

ALUNOS AMEAÇAM professores, professores assassinados na porta da escola, estudantes levam armas e drogas para a sala de aula... Esse tipo de acontecimento se repete com uma freqüência preocupante, principalmente nas periferias, e muitas vezes foge ao controle de pais, mestres e autoridades.Numa sociedade cujos valores se invertem e na qual o respeito é
assunto desconhecido, o que fazer? Atitudes positivas para restabelecer a ordem e apaziguar os ânimos são bem-vindas. A
responsabilidade e o problema são de quem? De qualquer cidadão que entenda que não é possível sentar e assistir à desestruturação de gerações como mero espectadores.

Nem que seja pelo fato egoísta de um dia não querer ser vítima desses jovens que se perdem na desesperança, é preciso tomar uma atitude. Percebi preocupada que o fato de criar um projeto para instituir a entrada de "Deus" nas escolas estaduais de São Paulo entre os alunos do ensino fundamental gerou polêmica, quando não revolta.De um lado, o apoio de quem entende que não se trata de imposição, mas sim da oportunidade de oferecer conceitos de respeito, esperança, fé e
amor a uma geração amedrontada pela violência e pela impunidade. Do outro, pais preocupados com "o que os filhos vão ouvir sobre Deus?Será que vão mudar os conceitos que temos sobre a religião que escolhemos?". Ora, seria muita pretensão de qualquer pessoa, ainda mais de um político, escolher uma religião para ser ensinada nas escolas.

"Deus na escola" não pretende catequizar ninguém. A intenção não é gerar ou estimular conflitos religiosos, muito ao contrário. A justificativa é clara quando estabelece o ensino religioso como área de conhecimento e resgate de princípios éticos e morais, como valorização do ser humano, respeito pela vida, convivência fraterna, democracia e integridade. Isso independe de religião, mas, sem dúvida, está ligado a uma crença de um ser supremo e criador e de um mundo perfeito e harmônico. Um Estado laico não significa um Estado sem Deus ou anti-religioso.No preâmbulo da Constituição Federal de 1988, está escrito: "promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte Constituição da República Federativa do Brasil."

O projeto não mexe de forma nenhuma na grade escolar. Portanto, não é correto afirmar que ele é inconstitucional. Um exemplo de que "Deus na escola" é viável está em Sorocaba, cidade onde meu marido, Renato Amary, foi prefeito por oito anos.Um manual, cuidadosamente elaborado com a participação de representantes de vários seguimentos religiosos, é usado em escolas municipais com êxito e aprovação. Até hoje, felizmente, ninguém se queixou por saber que o filho está "aprendendo" sobre o valor da família e a importância do amor ao próximo.Tentar impedir a entrada de "Deus na escola" é, no mínimo, um ato antidemocrático. Se vivemos a violência e a desestrutura de lares causadas por más influências e descaminhos, por que rejeitar a oportunidade "facultativa" de acesso a Deus?

Os pais ateus têm todo o direito de orientar os filhos, se assim o desejarem, a não freqüentar as atividades ligadas ao projeto. Assim como outros pais de qualquer religião o têm.Sinceramente, não acredito em prejuízo algum para a criança, pois, hoje e sempre, Deus significará amor e paz. A correria do dia-a-dia serve de justificativa para muitos pais deixarem de lado o ensino de valores fundamentais às crianças.Acredito em "Deus na escola", assim como acredito numa mudança de
atitude dos que, por preconceito, não aceitam a idéia. Acredito também que a nova geração, se bem influenciada, será importante instrumento de modificação da própria família -para o bem, é claro. Afinal, não poderia ser de outra forma, em se tratando de Deus.



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MARIA LÚCIA AMARY, 56, mestre em direito constitucional e administrativo, é deputada estadual pelo PSDB e líder do partido na Assembléia Legislativa de São Paulo. É autora do projeto "Deus na escola".

sexta-feira, setembro 28, 2007



No site Congresso em Foco...

Goebbels inspira direita e esquerda na internet

Celso Lungaretti*

A internet fornece tribuna a todos os cidadãos, que podem espalhar à vontade suas opiniões, interpretações e informações (verdadeiras e falsas), seja assumindo honestamente a autoria, seja ocultando-se como anônimos ou fakes.

Num primeiro momento, houve quem saudasse essa nova realidade como uma quebra do monopólio da imprensa e um respiradouro para a opinião pública tomar conhecimento de verdades que estariam sendo sonegadas pelos barões da mídia.

Agora, entretanto, evidencia-se cada vez mais o outro lado da moeda: abriram-se possibilidades praticamente infinitas de manipulação das consciências. Não só para impingirem-se como verídicos os eventos mostrados no pega-trouxas cinematográfico A bruxa de Blair, como também para a massificação de propaganda política enganosa, na linha do nazista Joseph Goebbels (“Uma mentira mil vezes repetida se torna uma verdade”).

As empresas jornalísticas e seus profissionais são obrigados a respeitar limites, para não sofrerem os prejuízos financeiros decorrentes da perda de credibilidade e das ações judiciais. Não podem dar livre curso a fantasias e calúnias.

Já os sites financiados por facções políticas pouco têm a perder, daí a desenvoltura com que agem. Direcionam-se para cidadãos frustrados e rancorosos, propensos ao fanatismo e, portanto, incapazes de perceber a total falta de verossimilhança naqueles relatos mirabolantes. Trata-se do mesmo caldo de cultura que gerou o nazismo e o fascismo.

A extrema-direita, em sites como o Ternuma, Mídia sem máscara, Usina de letras e A verdade sufocada, prega ostensivamente um novo golpe militar, tentando reeditar, de forma mecânica, a receita que deu certo em 1964.

Mas, se os sem-terra caem bem no papel de espantalho então preenchido pelas Ligas Camponesas de Francisco Julião e se Lula é tão useiro e vezeiro em dar trunfos para o inimigo quanto Goulart, outras peças do quebra-cabeças não se encaixaram: os controladores de vôo nem de longe indignaram a oficialidade como os subalternos das Forças Armadas (com destaque para os marujos liderados pelo cabo Anselmo), o Cansei e o Fora Lula só conseguem reunir gatos pingados, jamais as multidões das Marchas da família, com Deus, pela liberdade.

O mais risível é o papel de vilão principal, antes ocupado pela conspiração comunista urdida em Moscou e Pequim. Na falta de coisa melhor, os sites fascistas hoje alardeiam a periculosidade do Foro de São Paulo, por eles apresentados como a “organização revolucionária que está influenciando de maneira decisiva os destinos políticos da América Latina, em especial a América do Sul”.

Na verdade, trata-se apenas de um encontro bianual de partidos políticos e organizações sociais contrárias às políticas neoliberais, que vem acontecendo desde a reunião inicial de 1990, em São Paulo (daí o nome).

Olavo de Carvalho, misto de (péssimo) jornalista, (eficiente) propagandista e (pretenso) filósofo, descreve o Foro de São Paulo de forma tão delirante que parece Ian Fleming introduzindo a Spectre numa novela de James Bond: “...a entidade que já domina os governos de nove países não admite, não suporta, não tolera que parcela alguma de poder, por mais mínima que seja, esteja fora de suas mãos. Nem mesmo as empresas de comunicação e o Judiciário, sem cuja liberdade a democracia não sobrevive um só minuto. Com a maior naturalidade, como se fosse uma herança divina inerente à sua essência, o Foro de São Paulo, com a aprovação risonha do nosso partido governante, reivindica o poder ditatorial sobre todo o continente”.

As hostes virtuais petistas respondem com outros sambas do crioulo doido, como os dossiês sobre conspirações para derrubar o presidente Lula divulgados pelo fantasmagórico grupo Jornalistas Independentes do Brasil (Jibra), com sede oficial em Londres (!).

Assim, segundo o Jibra, as denúncias do mar de lama que marcou o primeiro mandato do presidente Lula não se deveram ao desmascaramento da organização criminosa que ora responde por seus crimes na Justiça, mas sim à má-fé dos formadores de opinião, que estariam sendo corrompidos para denegrir o angelical Zé Dirceu. Teria ocorrido o repasse de numerário, via Nossa Caixa, Bank of Boston e Santander Banespa, para “pelo menos 76 pessoas, entre jornalistas e outras personalidades”, incluindo os jornalistas Ricardo Noblat, Lílian Witte Fibe e Augusto Nunes, o deputado Fernando Gabeira e o ator Lima Duarte.

Além dos partidos rivais do PT, estariam envolvidos na fantástica tramóia os serviços de inteligência dos EUA e do Reino Unido – os quais teriam assassinado o brasileiro Jean Charles de Menezes no metrô londrino, não por o terem confundido com um terrorista, mas por acreditarem que ele fosse o “operador estratégico das ações do Jibra”!

O Ministério Público Federal e as autoridades policiais têm mostrado empenho no combate à pornografia e à pedofilia na internet, mas quase nada vêm fazendo contra as campanhas totalitárias – desde o golpismo da extrema-direita até a desmoralização e intimidação da imprensa por parte dos petistas. Muito menos para defender a honra dos cidadãos que são alvos diários de difamações e calúnias.

É preciso disciplinar o admirável mundo novo da Web, antes que ele se torne 1984.

*Celso Lungaretti, 56 anos, é jornalista em São Paulo, com longa atuação em redações e na área de comunicação corporativa, e escritor. Escreveu Náufrago da utopia (Geração Editorial, 2005). Mais dele em http://celsolungaretti-orebate.blogspot.com/.





quarta-feira, setembro 26, 2007

Correio Popular de Campinas, 26/09/2007.

Reflexões sobre o STF (2)

Roberto Romano

Retomo as análises sobre o STF. O artigo anterior ao desastre Renan Calheiros, sobre o tribunal supremo, recordou as teses de Francis Bacon, um dos maiores pensadores e estadistas da modernidade. Como temos fartura de tudo, menos de estadistas, sigo na companhia de Bacon. Para ele, os juízes devem exercer autoridade no Estado, mas não de modo a enfraquecer o poder público. Eles devem ser como “leões sob o trono”, nos enunciados do ensaio Sobre a judicatura. Mas nem por isso deixam a essência leonina. No tribunal, os juízes promovem a certeza na aplicação da lei, agem como intermediários entre o poder soberano e os indivíduos privados, esclarecem antigas leis, excercem grande poder no Estado e na sociedade.

Os juízes devem recordar que seu ofício é jus dicere e não jus dare, interpretar e não fazer a lei. Eles devem ser mais ilustrados do que inteligentes, mais respeitáveis do que plausíveis e mais desconfiados do que confidentes. O dever do juiz é suprimir a força e a fraude, pois a força é mais perniciosa se aberta, e a fraude, quando oculta. Os juízes devem se acautelar contra as construções sistemáticas e inferências, pois não existe tortura pior do que a das leis. No campo penal eles devem ter muito cuidado. Paciência e gravidade nas audiências são necessárias. O juiz garrulo é címbalo desajustado. São quatro as partes do juiz nas audiências: dirigir tudo para obter provas, moderar a extensão, a repetição, a impertinência da fala. Recapitular, selecionar e citar o que foi dito. E redigir a sentença. Tudo o que estiver além disso é demasiado e procede da glória, do comichão de falar, da impaciência em ouvir, memória curta, parca atenção.

Bacon afirma que os juízes devem “recordar as Doze Tábuas Romanas, o preceito de que Salus populi suprema lex e saber que leis, exceto quando voltadas para aquele fim, são capciosas, oráculos pouco inspirados. É bom para o Estado que os reis e estamentos consultem com frequência os juízes. E também que os juízes consultem com o rei e estamentos com a mesma frequência.(...) porque muitas vezes as coisas conduzidas a juízo ligam-se ao meum e tuum, quando a razão e a consequência interessam ao Estado.(...) Recordem os juízes que o trono de Salomão era sustentado por leões nos dois lados. Deixemos que eles sejam leões, mas sob o trono, tendo certeza de que nada discutam ou oponham à soberania. O juízes(...) precisam recordar o que diz o Apóstolo de uma lei maior do que as deles: Nos scimus quia lex bona est, modo quis ea utatur legitime (sabemos que a lei é boa, desde que usada por alguém com legitimidade)”. (Agostinho, Confissões, 12, 18, onde é citada a Primeira Epistola a Timóteo, 1.4-9)

Os juízes garantem o direito e a obediência às leis. Mas sua independência é limitada pelo soberano. E o que é a lei do soberano? A resposta mais direta encontra-se em Hobbes, secretário de Bacon e tradutor para o latim dos Ensaios baconianos. “Lex est mandatum eius personæ (sive hominis, sive curiæ) cuius præceptum continet obedientiae rationem” (“Lei é o mandamento daquela pessoa, homem ou assembléia, cujos preceitos exigem a obediência”, De cive, XIV, 1. Desnecessário dizer a importância dessa tese hobbesiana para se pensar a difícil independência dos juízes. Enquanto “a lei natural é imediata em nós, pois conhecemos o mandamento divino em nossa razão, a lei civil é mediada pelo conjunto de regras com as quais a comunidade, por escrito ou oralmente, ou qualquer outro sinal adequado (signum idoneum) de sua vontade, comanda o uso da vontade para distinguir o certo do errado, o contrário à regra do que não é contrário”. (Leviatã) Só a Commonwealth pode editar leis civis. O soberano é o único legislador, não submetido às mesmas leis civis. Essa tese é de Bacon, cuja tese é a de que a lei depende do soberano, uma posição contraria à de Ed. Coke, para quem a Common Law é suprema.(segue)

terça-feira, setembro 25, 2007


Blog Perolas , de Alvaro Caputo....

DirZeus
 Aos poucos, parte da nossa mídia vai transformando uma denúncia que envolve o PSDB, o partido de FHC, Tasso Jereissati, Artur Virgílio, José Serra, numa denúncia contra o Ministro da Articulação Política do Governo Lula, Valfrido dos Mares Guia. Vão sumindo os nomes de Eduardo Azeredo e Aécio Neves. O PSDB quase nunca é citado ou cobrado, como se fosse natural esse partido e o PFL fazerem caixa dois. Vão surgindo listas que envolvem parlamentares, lógico em primeiro lugar do PT, depois do PSDB e do PFL. O chamado valerioduto mineiro, nada mais é do que mais um caso de caixa dois, mas aqui a mídia não procura chefes, nem quadrilhas ou bandos, mas sim quem do governo Lula ou do PT teria participado do esquema mineiro.
Ou seja, é o vale tudo

Jose Dirceu no seu blog

Sobre os tucanos (eta passaro sem vergonha....)
A Executiva Nacional do PSOL iniciou, no último final de semana, uma análise sobre a conveniência de protocolar na Mesa diretora do Senado uma representação contra Eduardo Azeredo (PSDB-MG). A tendência é de que a providência seja adotada nos próximos dias. A presidente do partido, Heloisa Helena (AL) encaminhará à Polícia Federal um pedido de acesso aos documentos do “tucanoduto”.

Blog do Josias
 
O PSDB deve lavar as mãos em relação a defesa do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), no episódio do mensalão mineiro. Nesta terça-feira, o comando do partido deve ter uma conversa definitiva com o ex-governador mineiro. O presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), o líder da bancada, senador Arhur Virgílio (AM) e o senador Sérgio Guerra (PE) progamaram uma reunião para fazer uma análise da situação. Mas de forma reservada, a cúpula tucana já tem uma posição de que Azeredo deve fazer sua defesa solitária, sem envolver o PSDB

Globo Online

No blog de Marta Bellini, a chantagem dos "ministros eticos". Lembram de Jatene, o que gerou a bela CPMF ?

Temporão anuncia aumento de 30% na tabela do SUS
De Carmen Pompeu, Em Fortaleza UOL
TUMULTO EM MACEIÓ

Servidores da rede de saúde pública de Alagoas, em greve há mais de um mês, invadiram nesta segunda-feira, pela manhã, a Unidade de Emergência Armando Lages, principal pronto-socorro do Estado, em Maceió, em protesto pela melhoria das condições do hospital.
LEIA MAIS


O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou hoje em Fortaleza o aumento médio de 30% em cerca de mil procedimentos ambulatoriais e hospitalares da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). As diárias para as Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) tiveram aumento de 60% a 70%, variando entre R$ 341 a R$ 363. Temporão também divulgou reajuste no teto financeiro per capita repassado pelo SUS aos Estados e municípios, variando entre 13% a 40%. Os reajustes são retroativos a setembro.
De acordo com o ministro, o impacto total dessas medidas no Orçamento de 2008 será de R$ 3,6 bilhões. Mas para garantir esses recursos, avisou Temporão, será preciso aprovar a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). "É inconcebível pensar nessa hipótese", afirmou o ministro ao ser questionado sobre a possibilidade de o imposto não vir a ser prorrogado. "Se não tiver (a CPMF), apaga tudo o que eu disse aqui", comentou, referindo-se aos repasses.
Segundo cálculos do Ministério da Saúde, o reajuste na tabela de procedimentos permitirá que, na maioria dos casos, os médicos que trabalham 20 horas semanais passem a receber salários que variam entre R$ 2 mil a R$ 2,4 mil por mês. Um dos principais itens que sofreu reajuste foi a consulta médica, com aumento de 32,4%, passando agora para R$ 10.


Comentário: Se estamos com a CPMF em pleno vapor, por que os hospitais estão na total depredação?

segunda-feira, setembro 24, 2007

Noblat, no Blog Perolas de Alvaro Caputo...

A canalhice, agora em detalhes.......

Não convidem para a mesma mesa José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros. “Ele faltou com a palavra”, desabafou Sarney, ontem, em Brasília, na festa de 50 anos do advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakai. Sarney ajudou Renan a salvar o mandato. Em troca, ele se licenciaria do cargo de presidente do Senado. Esperto, Renan passou-lhe a perna.
Registre-se que Sarney não foi o único ludibriado por Renan. Lula e o PT também foram, além de senadores de outros partidos. Aloizio Mercadante (PT-SP), por exemplo, está à beira de um ataque de nervos. Cabalou votos para absolver Renan da acusação de quebra de decoro certo de que ele cederia o lugar temporariamente a Tião Viana (PT-AC), vice-presidente do Senado.

Renan voltaria depois que o governo aprovasse a prorrogação até 2011 da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) que renderá ao governo a bagatela de R$ 39 bilhões. Para não ficar tão mal na foto, Mercadante preferiu se abster. “Não havia provas para condená-lo”, desculpou-se. Se não havia provas por que exige agora a saída de Renan da presidência?

Ora, porque havia provas, sim. E havia um acordo. O menor crime cometido por Renan foi o de mentir a seus pares ao dizer que tinha renda para pagar despesas de sua ex-amante Mônica Veloso. Mentir é quebra de decoro. Mercadante é uma das muitas Verônicas do Senado. A mulher de Renan se chama Verônica. Outra Verônica atende pelo nome de Roseana Sarney (PMDB-MA).

Na condição de líder do governo no Congresso foi Roseana quem primeiro alertou Lula para o risco de a CPMF ir pelo ralo se Renan fosse cassado. Dos 81 senadores, 19 são do PMDB. E parte deles se vingaria da cassação de Renan. Lula autorizou Roseana a garantir a Renan que ele seria salvo. Em retribuição, Renan entraria de férias para que o Senado votasse a CPMF em paz.

Roseana contou ao pai o que ouvira de Lula. E o pai procurou Renan. “Não confio no PT”, cortou Renan. Não confiava para se livrar do processo. E caso se livrasse, não confiava para enfrentar os próximos. Há pelo menos mais três. Uma vez que o fizesse longe do cargo de presidente do Senado, correria o risco de ser abandonado pelo PT e o governo. Era o que pensava.
Sarney, Roseana e o ministro das Relações Institucionais Mares Guia voaram certo dia para São Luís do Maranhão a convite da Vale do Rio Doce. Lá encontraram o ex-senador Gilberto Miranda, amigo de Renan. Foi Miranda que sugeriu a fórmula finalmente aceita por Renan. Os 12 senadores do PT votariam em bloco para inocentá-lo. Depois ele largaria o cargo por 60 ou 90 dias.

Nas contas de Renan, seis senadores do PT se abstiveram, três votaram com ele e três contra. Não foi o combinado. Acordo desfeito, portanto. Ocorre que o Bloco das Verônicas está furioso e agitado. Ganha novas adesões. E não será fácil para Renan enterrar o processo onde é acusado de ter comprado com dinheiro de Caixa 2 um jornal e duas emissoras de rádio em Maceió.

Os 35 senadores que votaram pela cassação de Renan continuam empenhados em vê-lo pelas costas. Nunca na história deste país o Senado foi tão criticado. Renan sempre disse que ele e o Senado eram uma coisa só. Pois é o que ficou parecendo de fato.
.....

Ligou-me o senador José Sarney (PMDB-AC). Foi logo dizendo que não é homem de abandonar amigos no meio do caminho - muito menos os que enfrentem dificuldades.

Ele nega que tenha manobrado para salvar o mandato de Renan Calheiros (PMDB-AL). Nega que tenha manobrado para que ele se afastasse do cargo de presidente do Senado caso fosse absolvido. E nega por fim que esteja insatisfeito com a permanência dele no cargo.

Fica aqui o registro.

Noblat

No Blog de Marta Bellini, os indicios de que o pais ruma, celere, para o fascismo. Agora, so faltam o ricino e as penas de galinha.

Brasília perigosa: cpmf, laranja, surras, corrupções...tudo em nome de renan


Por Ricardo Noblat -
Advogado que denunciou Renan é espancado
Na madrugada do último sábado, o advogado Bruno Miranda estava na boate Nix, no Lago Sul de Brasília, quando foi atacado pelas costas por Robério Negreiros Filho, um dos donos da Brasfort Administração e Serviço. Robério estava acompanhado de quatro agentes de segurança.

Miranda apanhou feio. Sofreu traumatismo craneano leve. E ficou com parte de sua visão comprometida.

Quem é Miranda? Ele foi casado com Flávia Coelho, assessora de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Flávia é filha do lobista Luiz Carlos Coelho. Renan foi padrinho do casamento.

Foi Miranda que denunciou o ex-sogro à Polícia Civil do Distrito Federal como arrecadador de dinheiro para Renan em ministérios controlados pelo PMDB. O PSOL pediu no Senado abertura de processo contra Renan por quebra de decoro. O processo ainda não tem relator.

Quem é Robério? Ele é o atual namorado de Flávia. A Brasfort ganhou licitações fraudadas na época em que a Fundação Nacional da Saúde (Funasa), órgão do ministério da Saúde, era dirigida por Paulo Roberto Coelho, sobrinho de Luiz Carlos.

Quem indicou Paulo Roberto para a Funasa? Renan.

Depois da surra que levou, Miranda saiu direto da boate para a 10a. Delegacia de Polícia onde registrou queixa. De lá foi para o Instituto Médico Legal (IML) onde foi examinado.

Robério saiu da boate direto para a Delegacia da Mulher onde registrou queixa. Disse que fora agredido por Miranda. Como não exibia hematomas, não foi para o IML.

Quer saber mais sobre Miranda, a denúncia que ele fez contra o ex-sogro e Renan, a Brasfort e Robério? Leia aqui. E aqui também.
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O coisa vai longe ...
Do Josias de Souza

Maurício Correa pode ser novo advogado de RenanSem advogado desde a última sexta-feira (21), Renan Calheiros cogita contratar Maurício Corrêa como seu novo defensor. Corrêa diz ter tido conversas a respeito do tema com o presidente do senado. Mas alega que, por ora, não há definições quanto à contratação efetiva.
Maurício Corrêa já foi, ele próprio, senador. Sob Itamar Franco, respondeu pelo ministério da Justiça. Depois, foi alçado ao posto de ministro do STF. Aposentado, constituiu banca advocatícia em Brasília. Às vésperas da fatídica sessão em que Renan foi absolvido pela maioria dos seus pares, Corrêa redigiu um artigo em defesa do senador.

No texto, o advogado esforçou-se para acomodar o drama de Renan na cama. Já no primeiro parágrafo, citou Saint-Beuve: “[...] Quando o destino de uma nação está no quarto de uma mulher, o melhor lugar para um historiador é a antecâmara.”

Se contratado, Corrêa terá de providenciar outros argumentos para a defesa do futuro cliente. Renan lida, agora, com acusações que passam longe da alcova. A principal delas envolve a aquisição de emissoras de rádio e um jornal diário em Alagoas. Coisa feita na moita, em sociedade secreta com o usineiro João Lyra. Renan fez-se representar no negócio por laranjas. O dinheiro da transação, de origem ainda obscura, foi mantido longe dos olhares do fisco.

No artigo em que saiu em socorro de Renan, Corrêa anotou um comentário que, se repetido numa sessão do Conselho de Ética ou do plenário do Senado, vai eletrificar o ambiente: “[...] O que se poderia indagar é se a conduta particular de certos personagens da vida pública nacional resistiria a tão pertinaz, insistente e torrencial campanha. Afinal, quantos não estão respondendo a ações, algumas com acusações graves, perante a Justiça? No entanto, estão aí sorrindo, felizes como se fossem imaculados. Resistiriam à metade da pancadaria que se abateu sobre o presidente do Senado

Veneno e teatro




Sabado à noite, na Caixa Cultural, assisti uma peça sublime. Tive a honra de ser o convidado para falar sobre o trabalho. Mas disse o mínimo, diante de tamanha perfeição estética. Não desejei atrapalhar a vista, os olhos, sobretudo os ouvidos dos que ali estavam para verificar até onde pode ir o desejo do mal, a kakourgia grega, na refinada arte do palco. A peça sintetiza os desafios da vida e da morte, tal como encarados no século 18 na filosofia de Rousseau e Diderot. Mas se eleva ao universal de modo cativante e ao mesmo tempo repulsivo.

O trabalho dos atores emociona e permite o pensamento. Duas figuras construídas com a frieza do intelecto e a fúria da imaginação e do desejo letífero. O palco adequado, luzes idem, sons magníficos.

Uma noite de beleza, horror, convite à reflexão madura. Tudo, claro, prenunciando "a sombra do divino marquês", na fala de Mario Praz (A carne, a mulher e o diabo na literatura romântica).

A companhia seguiu para Curitiba. Espero que o Brasil todo a receba, para que alguns pensem no perfume da morte que se espalha em nossa comunidade onde mandam alguns marqueses e muitos artistas teatrais imaginam agir com livre arbítrio, quando são apenas marionetes (políticas, religiosas, esportivas, artísticas...universitárias).

Obrigado a Bartholomeu de Haro pelo magnífico espetáculo.

Roberto Romano


No blog Perolas de Alvaro Caputo, a seleçao das mentiras governamentais do Brasil e de seu Lider...



Assim que assumiu seu segundo mandato na presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva promoveu um verdadeiro espetáculo do crescimento em seu gabinete. Lula possui, hoje, nada menos que 109 assessores diretos ao custo de R$ 7,3 milhões por ano - se contabilizada apenas a despesa com salários desse quadro. E ainda existem outros 40 postos vagos na estrutura do gabinete presidencial. Um inchaço de 77% em relação a seu antecessor, Fernando Henrique, que já exagerava ao contar com uma equipe de 84 assessores.

Em comparação a esses números, o staff do presidente norte-americano, George Bush soa espartano. O mandatário dos EUA conta com apenas 32 assistentes, em seu gabinete na Casa Branca.

JB

 Mais da metade dos domicílios brasileiros (51,5%) não dispõe de rede de coleta e tratamento de esgoto. O acesso a esse serviço avançou de forma pífia nos últimos 14 anos, atravessando quatro diferentes gestões federais ao ritmo de 1,59% ao ano. Mantida essa velocidade, para reduzir à metade o déficit de saneamento básico seriam necessários 56 anos e meio, segundo cálculos da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Portal G1

 Pobre de nossas crianças....
O mercado do livro didático no País chegará ao fim de 2007 com um recorde de 152 milhões de exemplares comprados para uso em salas de aula de escolas públicas e privadas. O crescimento em relação a 2002, ano com o maior número de vendas até então, é de 5%. O Ministério da Educação (MEC) praticamente sustenta esse mercado de R$ 1,3 bilhão e é considerado o maior comprador de livros do mundo

Estado

Brasil fraudou dados da lepra - O Ministério da Saúde reconhece que estavam incorretos os dados sobre a lepra no País: em 2004, eram 51.100 e não 38.423. Com esses dados falsos, o Brasil se "ajustou" à meta prometida à Organização Mundial de Saúde de controle da doença. O ministério alegou "confusão de datas" no censo e prometeu nova estratégia para "um combate sério". Em abril, sob pressão internacional, Lula - na "baixa" - mudou a direção do programa.


Comentário:

E tem gente na academia que se escandaliza com a "nobre mentira" recomendada por Platão na República. Quando vemos as mentiras vulgares do governo brasileiro, mentiras retomadas pelos idiotizados de plantão permanente, os "militantes", nos abalançamos a defender as pseudologias platônicas. Elas, pelo menos, têm estilo sublime...

Roberto Romano

domingo, setembro 23, 2007

Imagem de Vida, de Esperança, de Beleza...

Correio Popular de Campinas, 23/09/2007, entrevista Roberto Romano

Publicada em 23/9/2007

Brasil
Romano: a crise vem desde a colônia

A dependência dos estados e municípios do poder central desde o início da colonização pode ser a raiz da crise ética que grassa no Brasil e para a qual a solução parece ficar mais difícil a cada nova geração de políticos eleitos



Ângela Kuhlmann
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA
angelak@rac.com.br

O excesso de poder e recursos centralizados no governo federal, que já beiram os 70% dos impostos recolhidos no País, revelam um quadro de regime imperial que acaba por abrir caminho à corrupção em várias esferas da administração pública. A implantação de um sistema federalizado, com maior autonomia financeira aos estados e municípios, investimentos pesados em educação e o combate às oligarquias são as medidas que amenizariam a grave crise ética e moral instalada no País e exaustivamente debatida em vários âmbitos da sociedade civil.

Essa é a opinião do professor titular do Departamento de Filosofia do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Roberto Romano, sobre o agravamento da crise ética e moral nos últimos anos com sucessivos escândalos políticos em várias setores do poder político.

Para explicar o que chama de descalabro, Romano viaja ao passado longínquo. Na visão dele, a crise não é recente, ao contrário, vem desde os tempos do Brasil Colonial, mas tem um pé na política de troca de favores estabelecida no País praticamente desde seus primeiros passos. De acordo com ele, os políticos não perceberam ainda os sinais de saturação e intolerância que a sociedade vem dando e cita como exemplo a punição da ex-deputada federal e petista Ângela Gaudagnin, não reeleita nas urnas após o episódio que ficou conhecido como “dança da pizza”. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tampouco escapa de sua análise. Conforme o filósofo, a defesa da ética feita durante anos pelo PT não passou de marketing eleitoreiro. A seguir, trechos da entrevista.

Agência Anhangüera de Notícias - Todos falam de crise ética e moral no País. Ela surgiu agora ou somente se acentuou?

Roberto Romano - A ética é um conjunto de comportamento e de regras tendo em vista a sobrevivência das pessoas em sociedade. Um sistema de valores, de atitudes que estão solidificadas na história da humanidade. Não existe sociedade humana que não tenha um valor ético como não matar, não roubar. Quando esses valores são vividos e são eficazes ninguém se preocupa muito com eles, mas quando se começa a notar que muitos matam, roubam, não garantem o que dizem, e ficam impunes, porque você vai também não matar? Isso piora quando a quebra das regras éticas é cometida por quem deveria guardá-las. Se você tem um governante que rouba, um legislador que rouba, como é que pode acreditar nas normas éticas? É uma questão da governabilidade no sentido mais pleno da palavra. Você só obedece a lei quando não está obrigado a fazer absurdos e quando os legisladores e executores cumprem a lei e não simplesmente têm atitudes de descaso com as normas vigentes. Quando você tem um estado em que a autoridade cumpre a lei, ainda assim tem gente que anda na contramão, mas quando uma multidão anda na contramão e as autoridades não só não punem como fazem isso também, fica complicado.

Então, o desvio já virou uma norma?

No Brasil, estamos caminhando para isso. E isso não é culpa de agora.

Na sua opinião, isso vem de quando?

Isso vem desde nossa história colonial. Há um elemento essencial. Sobre isso a doutora Maria Sylvia Carvalho Franco escreveu o livro Homens Livres na Ordem Escravocrata. Lá no início, você tem um país continental. De certo modo, o país é todo concentrado na costa litorânea. Há o poder central. O Estado brasileiro já começa no esquema absolutista, ele não começa no esquema democrático. Isso leva a uma centralização de tudo na mão do rei ou do chefe de Estado. No Brasil, as distâncias entre os municípios e o poder central são imensas. As pessoas que estão nos municípios produzem e remetem imposto para o poder central, que tem despesas outras e não manda de volta os recursos para as obras públicas. No livro, ela reproduz decisões de vereadores que "emprestarão" para o município tantos mil réis. Eles emprestam o dinheiro, emprestam o material, compram o que precisa e fornecem a mão-de-obra, que é escrava, pois eram fazendeiros. Esse movimento é visto pela população como favor, eles são bonzinhos. Só, que o outro lado é esquecido. Na cabeça do político, se quando o município precisa, ele empresta, quando ele precisa, o município tem de emprestar. Então se estabelece essa indistinção do que é público e do que é privado, sancionada pela população. Não há distinção. Esse tipo de situação estabelece toda uma rede de favores. A população se sente devedora do político que traz benefícios para o município. Toda a sociedade brasileira passa a se definir e ser mediada pelo favor. No Brasil, não existe praticamente ninguém que não deva favor para alguém. E os políticos exploram isso de uma maneira fantástica. Com a super centralização, a República não aboliu isso, só piorou. Os impostos vão para o poder central, são 70% do total, e voltam gota-a-gota. Onde se encontra a possibilidade de retornar o imposto? No Congresso Nacional, no deputado federal e no senador, que só se reelegem se trouxerem obras para o município. Mas como conseguem essas obras e orçamentos? Vendendo o seu voto para o governo. Ou chantageando o governo. Temos o caso dos Sanguessugas. É notório que quase todo escândalo político no Brasil começa no município.

Mas ele está em todos os níveis, estadual e federal também.

É um sistema. Se o município não tem dinheiro, o prefeito e os vereadores têm de achar um jeito de conseguir. No caso dos Sanguessugas ficou claro. Se precisa de ambulância, o deputado federal vai conseguir. Só que a taxa para ter essa ambulância não é a oficial, é a da corrupção. O prefeito fica contente, mas sabe que aquela ambulância veio por meios que não são os da ética e da moralidade pública. Algumas leis são importantes como, por exemplo, a Lei de Responsabilidade Fiscal.

O senhor acredita que ajudou em alguma coisa?

Ajudou muito, mas falta uma federalização no Brasil, não há uma autonomia financeira dos municípios e dos estados, sempre de pires na mão, diante do governo central. Eles produzem riqueza, mas ela não volta. Os estados estão na pindaíba, e não recebem esses recursos. A Lei de Responsabilidade Fiscal é importante porque as autoridades vão tomar um pouco de cuidado, eles vão tentar não ultrapassar o orçamento, mas existe uma realidade. Eles vivem fora de Brasília e os prefeitos são cobrados pelos eleitores que querem a creche que ele prometeu, a ponte, o hospital, a escola. Chega o momento em que vão achar um jeito de conseguir dinheiro para fazer essas obras sem as quais eles não são eleitos e sem as quais eles não têm legitimidade. Aí entram os deputados. A população diz que tem nojo do "é dando que se recebe" do Congresso, mas ela cobra do deputado federal e do senador as obras para o município. Em última instância, a população que se julga honesta é participante desse jogo.

Mas ela tem consciência disso tudo?

Não. Esse é um ponto. Por isso que para falar de ética no Brasil é preciso que você conheça a origem da sociedade e do estado do Brasil.

Então, a origem da crise de ética e moral é de fato política?

A origem é uma apropriação do solo brasileiro com tudo o que trouxe de contradição. Uma preocupação muito grande dos brasileiros, do Estado brasileiro, é manter a unidade territorial desse grande país enquanto que a América espanhola se fragmentou em pequenos países. Para manter, foi necessária a superconcentração de recursos. Fazendo isso foi aberta a porta do inferno desse descalabro ético que está no município. Não se constituiu o Brasil, de fato, como uma Federação, como no caso dos Estados Unidos. Ele foi constituído como um Império. E a República não mudou isso. Há um trabalho do professor Fábio Konder Comparato que mostra nosso regime como imperial. O presidente da República é chefe de Estado, ele concentra nas mãos os recursos todos. Tanto é verdade que quando há uma crise como a do PCC, aparece a fratura. O que aconteceu? Intermináveis reuniões do ministro da Justiça com o governador de Estado para saber quem devia fazer o quê. Isso demonstra que essa ineficácia da segurança pública, que expõe esse descalabro que nós estamos vivendo, tem a sua face também na economia, na educação, na ciência e tecnologia. Enquanto não houver uma federalização do Brasil com maior autonomia para estados e municípios, haverá sempre essa crise, inclusive ética.

A impunidade agrava mais ainda?

A impunidade é condição do funcionamento desse regime. Se o prefeito precisa desses recursos, ele não estará muito preocupado se a pessoa que consegue no Congresso Nacional é ética, ou não. O que interessa é saber se ela é fiel à região, se traz recursos. Isso é o que faz funcionar as oligarquias. Os prefeitos sozinhos sabem que são fracos, que precisam arrancar o dinheiro que está no centro. Eles se organizam regionalmente nas oligarquias e elas indicam então os candidatos a deputado e a senador. É uma briga de oligarquias. É o que nós estamos vendo hoje. Todo sujeito que senta no trono da presidência do Senado é um oligarca, que venceu outros. Ele acaba de sentar, a outra oligarquia já está apresentando um escândalo contra ele, sucessivamente. Esses dois cargos são os que mais possibilitam chegar nos cofres do Ministério da Fazenda. Todos os oligarcas ficam disputando, desesperados, para chegar na mesa de direção do Congresso. Aí se define a ordem da alocação dos recursos, como o orçamento vai ser votado, para quem direcionar. Enquanto não houver uma autonomia do município e do estado haverá sempre os oligarcas como intermediários. Mas há outra realidade. Aproximadamente 30% dos municípios brasileiros não têm renda própria, não geram riqueza própria, são cartórios eleitorais pura e simplesmente.

O senhor falou em federalização. Como seria implantada?

Romano - A Constituição de 88 é fundamentalmente ligada à idéia de autonomia. Foi criada a autonomia do Ministério Público, um passo imenso porque deu aos promotores o direito de pluralidade, de investigar. Na Carta de 88 está firmada a autonomia dos municípios e dos estados, os remédios constitucionais estão postos. Se o presidente está longe, o governador está mais perto. O prefeito está mais perto ainda. Então o cidadão pode ser democrático e cobrar da autoridade porque ele está ao lado do prefeito, ele pode cobrar mais do governador e ele pode cobrar menos do presidente. Agora quando você tem essa perda de autonomia do estado e do município, só sobra o presidente da República e aí há um problema sério de lógica política no Brasil. Todos os presidentes da República são eleitos com milhões de votos e não conseguem fazer a tal da base aliada no Congresso. Qual é o jeito que o governo federal sempre tem de conseguir sua base aliada? Com o mensalão.

Qual o panorama mais adiante? A Educação é um caminho?

A educação é fundamental. A luta pela federalização e pela autonomia também. A luta contra os excessivos privilégios que os políticos dão a si mesmos também é fundamental. Por exemplo, enquanto houver o foro privilegiado para políticos, não tem República. Qualquer autoridadezinha por aí quer ser julgada por tribunais especiais, como se fosse de uma outra raça, ou de uma outra cidadania. E isso tem tudo a ver com esse esquema oligárquico. Eles estão tão acostumados a ser esse estafeta que leva o dinheiro para cá e pra lá, que eles querem ter imunidade, eles querem fazer isso, que é errado, sem sofrer nenhuma conseqüência.

O senador Renan Calheiros foi absolvido. Como o senhor viu a decisão?

Existem pessoas que defendem o fechamento do Senado porque seria uma instituição inútil. Se você tem esse esquema de super centralização porque precisa de senadores para defender os Estados? Você sabe que eles votarão sempre com o governo e aqueles que são de oposição não conseguirão nunca recursos para levar aos seus estados. Alguns, inclusive, do republicanismo doutrinário, dizem que tem de acabar com o Senado. Eu acho que não. Se houver autonomia dos municípios e dos estados, será preciso o Senado, para acerto entre as várias unidades. Acho que tem uma função sim, mas está totalmente desvirtuada. O sujeito está lá no Senado, muitas vezes, para defender os seus privilégios, para defender as suas fazendas, ou para simplesmente servir ao presidente da República ou para bombardear o presidente da República.

Com denúncias muito menos graves dos que as que recaem sobre o presidente do Senado, políticos de outros países renunciam ou até se suicidam.

Há o problema da ética, que não é apenas um conjunto de atos, de valores e de consciência boas. No Brasil, os nossos políticos têm essa ética horrenda, do favor, do "é dando que se recebe" , porque quando faz isso ele é aplaudido. Ele pode ser um ladrão, mas é aplaudido pela população. Então, muitas vezes, ele acredita ser honesto e que aquilo é certo, o errado é o que está seguindo a lei

A Folha nos brinda com o texto mais nauseante da epoca. Se existisse jornal com cheiro....

TENDÊNCIAS/DEBATES
Vozes isoladas

RENAN CALHEIROS

O Senado Federal não se deixará pressionar pelos que desrespeitam a democracia e atropelam a opinião pública


QUANDO VOZES isoladas querem falar mais alto que a legitimidade popular, na ânsia de abalar e enfraquecer instituições democráticas, o que está em jogo são os pilares de nossa Constituição, é a própria base da cidadania. Porque são vozes isoladas -e mal-intencionadas- que têm propalado a idéia absurda de acabar com o Senado Federal e instituir o unicameralismo no Brasil.

O Senado nunca aceitou -e nunca aceitará- o papel de mero coadjuvante nas decisões nacionais. Nunca fugiu -nem fugirá- de sua responsabilidade de legislar e fiscalizar os atos da União. Nunca abriu mão -nem abrirá- de sua isenção, de sua autonomia. É por isso, aliás, que fez questão de aprovar o orçamento impositivo e restringir a edição abusiva de medidas provisórias, que tumultuam o processo legislativo e ferem a soberania do Parlamento.

É essa atitude de maturidade e de equilíbrio que engrandece a atuação do Senado como Casa da Federação -sempre pronta a impedir que as diferenças de peso econômico e político entre as unidades federativas ampliem nossas desigualdades regionais. Não podemos esquecer que a redução de tais desigualdades é um dos objetivos fundamentais da República brasileira. E é condição básica para que possamos trilhar o caminho do desenvolvimento sustentável.

Um pouco de história e um mínimo de senso político jogam por terra a proposta do unicameralismo. Nosso Parlamento nasceu bicameral não apenas em razão da forma federativa do Brasil -a Câmara representa os interesses do povo, e o Senado, os interesses dos Estados e do Distrito Federal. O bicameralismo tem também o enorme mérito de evitar eventuais excessos de uma ou outra câmara. Se a Câmara dos Deputados ou o Senado propuser legislação injusta, aprovar ou rejeitar qualquer matéria com base em pressões ilegítimas ou sob emoção, haverá sempre a garantia de revisão pela outra Casa.

Mais. A memória do Senado se confunde com a memória da República e da democracia brasileiras. Nos períodos de instabilidade e até de ruptura, sempre soube reclamar a autonomia entre os Poderes, o respeito à oposição, a vigência dos direitos e garantias individuais. Foi assim na Revolução de 30, no Estado Novo, na morte de Getúlio, na instauração do regime militar. Nos momentos de renovação política, em que reconquistamos as liberdades democráticas, a atuação dos senadores também foi decisiva.

Nos últimos 180 anos, nossa Casa tem sido firme e coerente na defesa de uma Federação representativa, democrática. E não abrirá mão da responsabilidade em nenhuma hipótese. A missão primordial -e insubstituível- do Senado é garantir igualdade entre entes desiguais. É impedir que unidades da Federação usem o peso de seu poderio como rolo compressor sobre as regiões mais pobres.

Convém alertar também que cabem privativamente ao Senado decisões da maior importância, como o julgamento do presidente e do vice-presidente da República em crimes de responsabilidade, a autorização de empréstimos externos e a fixação de limites e condições para operações de crédito da União, Estados, Distrito Federal e municípios.
Investir contra o Senado Federal é investir contra o equilíbrio federativo, é investir contra o Parlamento e a democracia. Acima de quaisquer divergências partidárias, acima de quaisquer interesses políticos, o Senado sempre primou pela maturidade, pelo diálogo e pelo entendimento.

As divergências partidárias e o jogo de interesses políticos não vão deixar de existir. Mas é o interesse do país, a defesa de nossas instituições e de nossas conquistas democráticas que devem ter a última palavra na Casa.

A democracia, por natureza, nunca é perfeita. Costuma ter excessos, exigir aperfeiçoamentos. É esse seu maior mérito. Aperfeiçoar a democracia, no entanto, é completamente diferente de investir contra ela, completamente diferente de investir contra suas instituições. Não é o Senado ou o Congresso Nacional que devem ser atacados. É nosso sistema político-eleitoral -completamente falido- que precisa ser revisto, aprimorado. A mídia, com todo seu poder de influência, não pode nem irá, jamais, substituir a representatividade do Legislativo.

Triste o país que sucumbe a apelos demagógicos e chantagens políticas. O Senado não se deixará jamais pressionar pelos que desrespeitam a democracia e atropelam a opinião pública.


RENAN CALHEIROS, 52, senador (PMDB-AL), é o presidente do Senado. Foi deputado federal pelo PMDB-AL (1983-91), líder do governo na Câmara dos Deputados (governo Collor) e ministro da Justiça (governo FHC).


Comentário:

Defendo o Senado como uma promessa de que, um dia (sabe-se lá quando) o Brasil seja uma Federação, uma democracia, um país sério. Com o Senado que aí está, temos o Raio X da presidência imperial, sempre às voltas com oligarquias corruptas e partidos idem. P PT, que um dia afirmou ser contra a corrosão dos valores, hoje é o pior corrosivo ético. E mantêm na presidência do Congresso alguém do quilate de Renan Calheiros. E agora, ao perceber o furo estratégico cometido com a manutência do político alagoano no cargo, tenta arrumar as coisas. Mas é chantageado pelos oligarcas do PMDB.

Segue o Garotinho de Ouro para o artigo, para o PMDB, para o PT.



Roberto Romano

sábado, setembro 22, 2007

Carta de Roseli Fischmann sobre Deus na Escola

Deus na escola
"Como pôde ser aprovado na Assembléia Legislativa de São Paulo o projeto de lei "Deus na escola", inconstitucional, que propõe "conteúdo homogêneo para todas as crenças" nas escolas públicas?
Onde fica o direito à liberdade de consciência e de crença? Onde fica o respeito ao caráter laico do Estado brasileiro? Que religião haverá de querer ser "liquidificada" para ser "homogeneizada", como propõe essa lei? Espero que o governador Serra vete esse absurdo."
ROSELI FISCHMANN (São Paulo, SP)

sexta-feira, setembro 21, 2007



No Blog Republica de Itapeva, de Sebastiao Loureiro...

O Estado de S. Paulo
A nossa corrupção e a deles
Demétrio Magnoli

A então deputada Angela Guadagnin (PT-SP) entregou-se abertamente, de corpo e alma, à defesa dos "mensaleiros" nas comissões e no plenário da Câmara. No fim, quando um colega de partido se beneficiou da onda indiscriminada de absolvições, ela protagonizou a "dança da impunidade", que lhe valeu fama instantânea e lhe custou a reeleição. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP), operando sob instruções do Planalto, engajou-se furtivamente na missão de reverter intenções de voto favoráveis à cassação de Renan Calheiros. No fim, da sessão clandestina em que o Senado absolveu o homem das vacas milagrosas emergiu um Mercadante pálido que, balbuciando, declarou seu voto de abstenção e, desafiando as evidências, negou seu engajamento na operação de resgate do aliado do presidente.

Mercadante não se distingue de Guadagnin por seus atos, mas unicamente por se envergonhar deles - ou, numa interpretação cínica, por um cálculo eleitoral superior. Tanto quanto a deputada dançarina, o senador imprimiu à sua biografia política o credo indelével segundo o qual é tolerável a conversão do mandato popular num passaporte para o tráfico de interesses e a fabricação de patrimônios privados.

O PT não absolveu sozinho o pecuarista milagreiro - e nem todos os senadores do partido se curvaram ao credo de Mercadante. Mas o partido de Lula soldou a maioria parlamentar que, organizada como conclave de fora-da-lei, hasteou nas sombras a bandeira do escárnio. Mais uma vez, tal como no episódio das absolvições em massa dos "mensaleiros", o núcleo principal da bancada petista consagrou o princípio da impunidade. A conclusão se impõe: das entranhas do partido que acusava e condenava numa única sentença, brandindo a espada de fogo da "ética na política", nasceu um partido que tudo tolera, justifica e legitima - e que hoje, em nome da coerência, teria de recusar o processo de impeachment de Fernando Collor.

Coerência é o que busca o ministro Tarso Genro quando declara, como o fez dias atrás, que seu partido cometeu o erro histórico de, até a inauguração da Presidência de Lula, se apresentar como o guardião inflexível e solitário da "ética na política". Na tardia retratação há algo mais que a marca inconfundível do oportunismo. De fato, a política democrática não é o terreno da verdade absoluta, mas das verdades possíveis, e não comporta uma narrativa do confronto da virtude contra o vício, cuja lógica exclui o horizonte da alternância de poder. O jogo democrático se faz, na maior parte do tempo, pelo exercício da razão instrumental, que inclui a negociação, a transigência, a conciliação, a acomodação de legítimos interesses eleitorais.

A retratação de Genro veicula uma reivindicação razoável. O PT quer ser avaliado à luz dos critérios comuns da política democrática - não pelos parâmetros inatingíveis da ética absoluta que cobrava dos outros, com fúria santa, nos tempos das célebres "bravatas de oposição". Mas, de qualquer modo, há um limite para o exercício da razão instrumental, que é o respeito à regra legal e à integridade das instituições democráticas. Esse limite foi, uma vez mais, ultrapassado.

Coerência é também o que busca, por um outro caminho, a filósofa Marilena Chaui. No auge da crise do "mensalão", quando os petistas procuravam reconhecer a sua própria imagem no espelho da história, Chaui teceu o discurso da negação, que lhes proporcionou um ponto de fuga teórico. Ela explicou que o balcão tentacular de negócios não existia, a não ser na forma de uma "construção fantasmagórica da mídia". O álibi tem dinâmica própria: na sessão clandestina do Senado, o senador Almeida Lima (PMDB-SE) conclamou seus colegas a rejeitarem a acusação e afirmarem a soberania da Casa diante da mídia "abjeta, desqualificada, torpe e impudica".

Chaui faz escola e inspira discípulos improváveis, mas está atenta para a fadiga inevitável do material discursivo. Depois que o STF aceitou a denúncia contra a quadrilha do "mensalão", a filósofa cortesã reformou seu diagnóstico, mas apenas para apertar até o fim o parafuso, fabricando uma peça acabada de delinqüência intelectual em dois atos.

O primeiro ato é uma filosofia da corrupção: "Nenhum governante governa sem fazer alianças e negociações com outros partidos. Essa negociação tende à corrupção. Essa compra e venda ocorreu sistematicamente nos governos José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso." O segundo é uma corrupção da filosofia: "Mas o PT e seu presidente operário, como ousam fazer o mesmo que os partidos da classe dominante? Que ousadia absurda! Os meios de comunicação transformaram a situação em um caso único, nunca visto antes, e construíram a imagem do governo mais corrupto da história do Brasil." Descontadas as inverdades óbvias, a filósofa está dizendo que corrupção é destino e que nos resta escolher entre a corrupção viciosa dos outros e a corrupção virtuosa dos seus.

O círculo se fecha e uma coerência se refaz. A virtude é uma imanência do PT e de Lula: reflete as essências do partido e de "seu presidente operário", que não podem ser contaminadas pelas ações de um ou de outro. Os virtuosos estavam certos quando, com ou sem evidências, denunciavam e condenavam o vício - pois isso abreviava a chegada da virtude ao poder. Os virtuosos estão certos quando, contra todas as evidências, protegem a corrupção no seu meio e no meio dos aliados - pois disso depende a continuidade da união entre a virtude e o poder.

Na operação de cabala de votos, Mercadante não disse aos colegas que o homem das vacas quentes e das notas geladas é inocente, mas que sua cassação correspondia a um interesse da oposição e a uma tentativa de desestabilizar o governo. A sua razão instrumental não tem limites. É que, na nova ordem da filosofia, poder é virtude.


COMENTÁRIO:

ESTIVE ONTEM À NOITE, NO OPINIÃO NACIONAL, COM O AUTOR DO ARTIGO ACIMA. FORA A PRESENÇA AGRADÁVEL DOS COLEGAS DE BANCADA, NO PROGRAMA (SOB A BATUTA SEMPRE GENTIL DE ALEXANDRE MACHADO), TIVE OCASIÃO DE EXPLODIR TODo O MEU CANSAÇO COM AS DEFESAS DO PT E DE LULA, SOB AS CORES DA CIÊNCIA E QUEJANDOS.
QUEM ACOMPANHA MINHAS PARTICIAÇÕES NA TV, RÁDIO, SEMINÁRIOS, ETC. SABE QUE DIFICILMENTE ESTOURO. NÃO RARO (O QUE OCORREU NO RODA VIVA) BUSCO SER O MAIS SUAVE POSSÍVEL, DADO O PESO INSUPORTÁVEL DOS ASSUNTOS DEBATIDOS, SOBRETUDO A SUA COMPLEXIDADE. OUÇO MUITO E FALO POUCO. MUITOS ME DIZEM QUE SOU DEMASIADAMENTE POLIDO.

MAS ONTEM EXPLODI. QUE SE FAÇA A DEFESA DO PT, DO GOVERNO LULA E DA BASE ALIADA NO CONGRESO. MAS QUE NÃO SE AVANCE O SINAL, TENTANDO DESQUALIFICAR O PENSAMENTO E A PESSOA DOS CRÍTICOS. DIZER QUE ARGUMENTOS SÓLIDOS CONSTITUEM APENAS "SUPERFICIALIDADES" E QUE TAIS, É RETÓRICA RUIM, INDIGNA DE ACADÊMICOS.
ENFIM, AOS QUE ME ENVIARAM MENSAGENS PEDINDO EXPLICAÇÕES SOBRE O MEU ESTOURO, SÓ POSSO DIZER ISTO: ESTOU CANSADO DE BRASIL, DE INTELECTUAIS EMPENHADOS EM TAREFAS APOLOGÉTICAS E QUE ABANDONAM MESMO AS BOAS MANEIRAS. COMO SE DIZ VULGARMENTE, CHUTEI O PAU DA BARRACA. E PRETENDO FAZER O MESMO SEMPRE QUE A OUSADIA E A FALTA DE MODOS DOS APOIADORES DO GOVERNO FOREM FACILITADAS PELA SUA ARROGÂNCIA E CERTEZA DE QUE "ESTÃO NO PODER".

NO FIM, PEDI DESCULPAS AO COORDENADOR ALEXANDRE MACHADO, MAS MANTENHO A ATITUDE E O PENSAMENTO. QUEM DESEJA CRITICAR MINHAS PROPOSIÇÕES, ESTEJA À VONTADE. MAS TENTATIVAS SINUOSAS DE DESQUALIFICAÇÃO SERÃO RESPONDIDAS, SEMPRE, À ALTURA.

ROBERTO ROMANO

No Blog de Juca Kfouri, AS ALVISSARAS! DEUS E CORINTHIANO E TARDOU MAS NAO FALTOU!

1/09/2007
Dualib renuncia à presidência do Corinthians

Alberto Dualib enviou na manhã desta sexta-feira ao Conselho Deliberativo do Corinthians carta de renúncia à presidência do clube. Às 15h, no Parque São Jorge, Carlos Senger, presidente do Conselho, irá formalizar a decisão de Dualib e convocar eleições. Com isso, a reunião que discutiria o impeachment do Dualib, que assumiu o Corinthians em 1993, está cancelada.
Alberto Dualib, que pediu afastamento da direção do Corinthians em agosto, é investigado pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A situação do dirigente deteriorou-se ainda mais quando foram divulgadas gravações legais feitas pela PF, onde ele dá detalhes sobre a parceria com a MSI.

quinta-feira, setembro 20, 2007


Filipe, o Belo, quando construia o Estado frances, anunciava que os impostos seriam "provisorios". E isto tem muitos seculos...


Mas o bom Filipe, o Belo, nunca mentiu feio, dizendo-se contra os impostos provisórios. Agora, no governo de Lulla o feio, quanta mentira foi dita por ele e por seus sectários! Eta Mercadante! Lembra ainda da caneta Bic do Malan? Que coisa, não?
E, claro, tudo é culpa da imprensa golpista...

Segue o Garotinho de Ouro para o governo da ex-querda no Planalto, e para seus pittbuls, os "militantes".





O veneno do teatro com Bartholomeu de Haro e Beto Matos




Dias 20, 21, 22 e 23 de setembro estaremos apresentando a peça

O Veneno do Teatro na Caixa Cultural/Sé - Grande Salão.

A entrada é franca.

O Veneno do Teatro é um texto contundente de Sirera, um dos autores de maior renome na Europa, que acaba de receber em Barcelona o Prêmio Max – Edição 2007 de melhor autor teatral em catalão – importante premiação européia equivalente ao Molière na França, ao Olivier na Inglaterra e ao Tony americano.

A ação se passa na Paris de 1784, pré-Revolução Francesa. Um marquês convida um grande ator da época, Gabriel de Beaumont, para representar um texto de sua autoria (A Morte de Sócrates), em um teatro especialmente preparado na antecâmara do seu castelo, e lhe propõe um jogo de vida ou morte: se ele conseguir uma representação única, verdadeira, visceral, rompendo os limites da ficção, lhe dará o antídoto para o veneno mortal do qual é vítima; caso contrário, seu fim será o mesmo de seu personagem (o filósofo Sócrates, que morreu envenenado).

A peça, que traz à tona questões como a artificialidade da estética, as máscaras e convenções sociais e o jogo do poder, compõe o repertório da Cia Veneno do Teatro, que desenvolve os projetos Hello, Édipo e WNS – World Nelson Shakespeare.
Antes da apresentação, o público é recepcionado com um coquetel antecipado que ocorre dentro de um sarau de música clássica ao vivo. No sábado, após o espetáculo, será realizado um encontro cultural com o filósofo e professor Roberto Romano.

Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3321-4400 ou no site http://www.caixacultural.com.br/.

Ficha Técnica
Elenco: Bartholomeu de Haro e Beto Matos
Texto: Rodolf Sirera
Músicos: Eduardo Klein e Roberto Anzai
Convidado Especial (Palestra): Roberto Romano
Cenografia e Figurinos: Elena Toscano
Desenho de Luz: Mirella Brandi
Caracterização: Westerley Dornellas
Design Gráfico: Rodrigo Londero
Assistente de Iluminação: Ari Nagô
Técnico de Som: André Omote
Cenotécnico: Douglas Dalla Costa
Administração: Cenne Gots
Assessoria Jurídica: Garcia Filho Advogados Associados
Direção de Produção: Elen Londero
Direção de Atores: Marcos Azevedo
Direção Geral: Bartholomeu de Haro
Realização: CAIXA Cultural e Cia Veneno do Teatro da Cooperativa Paulista de Teatro

Serviço

O quê: espetáculo teatral “O Veneno do Teatro”, de Rodolf Sirera, com a Cia. Veneno do Teatro.
Quando: de 20 a 23 de setembro:
20 e 21 (quinta e sexta), às 19h30
22 e 23 (sábado e domingo), às 19h

No sábado, após a sessão, haverá Encontro Cultural. A partir das 19h, o sarau musical “Saga Barroca” e o coquetel compõem o prólogo do espetáculo.

Onde: CAIXA Cultural - Edifício Sé (Praça da sé, 111), no Grande Salão (térreo)
Quanto: grátis

Recomendação: 14 anos
Duração do espetáculo: 60 minutos
Lugares: 100 (não é necessário retirar ingresso com antecedência)
Informações: (11) 3321-4400 ou http://www.caixacultural.com.br/

Realização: CAIXA Cultural
Patrocínio: CAIXA Econômica Federal

Apoio Cultural e Parceiros: Vinícola Miolo, SESI, By Kamy, Casa de Velas Santa Rita, Gag - Grupo de Arte Global, Garcia Filho Advogados Associados, Grupo VOZ, New Look Eventos, dos Santos Iluminação, Pizzeria 1900 e Folha de SP.

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