sexta-feira, outubro 31, 2008




























Carta ao querido Sponholz:

Caro amigo Roque: se um candidato ao cargo de presimente [nos EUA eles também contam muita peta, não? Lembra do terrível arsenal de armas estocadas por Sadam?, pois é....)] de qualquer país, sobretudo de um que vende muito para os seus aliados como o Brasil, ignora o nome do parceiro, ele tb é risível, creio. É sempre muito estranho ver que "eles"podem ser analfabetos em geografia, economia ("é a economia, estúpido...") e nós precisamos falar, com o sotaque deles, "colgeite", "uóchinton", etc. A quantidade hilária de lojas paulistas, incluindo salões "de beleza"com nome inglês (não raro, errado...) mostra um mimetismo tolo. No caso, colonialismo por colonialismo, prefiro o da França, que fala todos os nomes estrangeiros com sotaque próprio. Foi difícil para mim entender que o violonista elogiado por um amigo parisiense era Baden Powel. Ele dizia "Badan Povell". Duplo sentimento colonial em mim : pronunciar o nome de um músico nosso (dos bons!) como norte-americano, e não o entender numa outra lingua. Vivendo e aprendendo. Aliás, recordo bem que Reagan dizia que o Brazil se chamava Bolívia, e preciosidades do naipe. Mas Reagan é o canastrão mor de Hollywood, boneco manipulado por eficazes conservadores, de mão dadas com o pontífice católico mais canastrão do século, um dono do Vaticano que se juntou à CIA, fez estropolias no caso Irã contras, etc. Dante colocou dois papas no Inferno. Mas deixou algumas vagas, certamente uma deles é ocupada pelo polonês teatral.

Não é assim, querido Roque? Maccain sabe perfeitamente que o Brasil é Brasil. Aqui esteve (incluindo visitas eróticas a uma brasileirinha da época) no Rio (filme vagabundo de Hollywood sempre coloca os bandidos norte-americanos com o desejo de fugir com a grana roubada e a bela moça para o Rio... mas eles sempre têm bandidos...norte-americanos no imenso estoque) e tem mais neurônios do que Reagan ou Bush.

Se os nossos candidatos à presidência da república tivessem o preparo de Obama e de Maccain (Obama é formado por uma das mais prestigiosas universidades do mundo, onde se distinguiu e não pela política de cotas, mas por sua inteligência, também Maccain se preparou, desde a sua família, integrada por pessoas cultas) estaríamos bem melhor. Não teríamos os três patetas, o paulista, o mineiro, a gaúcha...ou a "opção "analfabeta, a do presimente...

É certo que nosso presimente atinge graus delirantes de tolice. É certo que, à semelhança de toda corte, ele é bajulado por pessoas que têm bom cérebro, mas cuja espinha está acostumada à posição de quatro, é certo que somos uma república com defeitos tremendos. Para começar, não somos uma república...

Mas o ridículo é universal. Ele se espalha pelas terras dos ricos e dos pobres, está na Casa Branca ou no Planalto (e porque não? ele se apresenta, forte, no Palácio dos Bandeirantes, no Palácio de Belo Horizonte, no Palácio de Curitiba onde reina um perigoso déspota hilário). Enfim, ainda bem que existem artistas como você, para mostrar o sublime e o caricato, com beleza. Mesmo que, de vez em quando, eu discorde da semântica de sua crítica...
um forte abraço, do amigo e admirador,
Roberto


























www.sponholz.arq.br
Barack: "Caso eu seja vitorioso, você será o novo símbolo dos democratas !"
Lula: "Como nunca antes na história desse país, Barrakobrama???"
Barack: "Vou substituir o burro por um jegue."
Na eleição norte-americana, estou em posição equidistante. Não poderia ser diferente, porque seria ridículo tomar partido numa escolha que não cabe a nós. Fizemos a nossa, com atos corretos e incorretos. Seria perfeitamente tolo que norte-americanos optassem por um ou outro de nossos candidatos. E não se diga que somos desimportantes. Este papo é conversa idiota de quem nasceu para cuspir na terra que lhe dá de comer. Quem não está satisfeito com o Brasil, recorde que por enquanto os aeroportos, portos, estradas, estão abertos. Uma coisa bocó é a mania de sempre, sem exceção, depreciar o povo daqui, síntese aliás de quase todas as nacionalidades do mundo. Cautela nos juízos seria recomendável para quem pretende escrever, ou seja, pensar em público. Sou, pois, equidistante, avalio e peso, mas guardo minha posição na consciência.

Agora, textos com o abaixo, de uma estirpe pouco nobre e cheia de preconceito racista, são mais do que ridículos. Então Sua Alteza agora é juiz internacional, analista, economista, psicólogo de massas, diplomata, etc? Por favor, Príncipe, vista o arminho e rápido, corra para a festa das bruxas. Com os seus súditos.

É bom lembrar que o Império brasileiro foi uma ditadura perene, com o Poder Moderador (elogiado por gentalha como Carl Schmitt) . O ancestral de Sua Alteza, Pedro 2, embora letrado e curioso no mundo das ciências, exerceu a ditadura com punho de ferro e lápis vermelho. O avô daquele Senhor, João 6, para evitar a democracia e o liberalismo, trouxe para cá, ao fugir de Napoleão, o projeto de instalar nos trópicos um Estado contra-revolucionário (Atenção! Não me refiro ao bolchevismo, ao socialismo e quejandos, João 6 era contra o liberalismo, a democracia). Conseguiu. E logo para manter o dito Estado, fundou o Banco do Brasil para imprimir dinheiro sem lastro. O Banco quebrou. E hoje segue a mesma linha impressa pelo seu fundador: dinheiro sem lastro na produção, apenas servindo para a especulação financeira e para dar recursos...para empreiteiras desprovidas de responsabilidade.

Enfim: retorne sua Alteza para os casarões da TFP. E se dedique à benemérita obra de espanar as teias de aranha ideológicas que cobrem os cérebros dos seus integrantes.

Roberto Romano




São Paulo, sexta-feira, 31 de outubro de 2008





TENDÊNCIAS/DEBATES


Dilemas do antiamericanismo

BERTRAND DE ORLEANS E BRAGANÇA


Esses focos de militância antiamericana são agitados por um oba-oba pró-Obama: sua eventual vitória será fruto da propaganda

DE PARTIDA para os Estados Unidos, onde proferirei palestra no encontro nacional de "supporters" da TFP norte-americana, decidi debruçar-me sobre o fenômeno do antiamericanismo.

Na minha juventude, os Estados Unidos espargiam pelo mundo um intenso fascínio. A americanização estampava-se nos modos de ser, vestir e se comportar de muitos de meus contemporâneos. A nação norte-americana era portadora de uma modernidade que arredava a tradição considerada "démodé".

Uma atmosfera de otimismo e despreocupação inconseqüentes, de progresso risonho, envolvia seu povo e conquistava o mundo. Hollywood tornara-se foco desse modo de ser felizardo, auto-suficiente, um tanto vulgar e igualitário e moralmente tolerante.

Vieram as batalhas culturais dos anos 60 e 70, que culminaram simbolicamente com a derrota no Vietnã.

Tal derrota, sofrida mais no campo interno do que na frente de batalha, fruto da propaganda e da mentalidade libertária e pacifista, causou um abalo na estrutura psicológica do norte-americano e assinalou uma inflexão decisiva na sua história. Tais inflexões não se dão de chofre nem têm como determinante um único fato. Elas germinam, estendem suas raízes, desabrocham e se consolidam ao longo de anos, às vezes, décadas. Mas determinados acontecimentos têm o condão de cristalizá-las.

Derrotado, o americano médio se encontrou diante do infortúnio, o qual traz muitas vezes consigo a reflexão saneadora e salvífica. Enquanto nas profundidades da mentalidade americana se operava uma rotação fundamental, permanecia, em larga escala, a propensão ao gozo da vida, à displicência, ao comodismo, que se traduzia, ante a ameaça da hecatombe nuclear que assombrava o clima propagandístico da Guerra Fria, no slogan capitulacionista: "Melhor vermelho do que morto".

O espírito derrotista levou norte-americanos a queimar sua própria bandeira, num sinal público de menosprezo e hostilidade em relação aos valores que constituem o fundamento da nação. Mas a metamorfose que se gestava nas profundidades foi emergindo com força incoercível, consolidando, segundo me parece, uma das transformações psicopolítico-sociais de maior vulto na história contemporânea. Em amplos e importantes setores da nação norte-americana brotou um conservantismo político, um senso de coerência, honra e pugnacidade, a par de tendências profundas, saudosas da tradição, tonificantes dos valores familiares e ávidas dos princípios perenes da civilização cristã.

Tal transformação incidiu igualmente nas escolhas da linguagem, dos trajes, das maneiras, das residências, dos objetos de utilidade ou de decoração etc. Curioso é notar que, paralelamente a tal mudança, o antigo fascínio pelos Estados Unidos foi sendo substituído por um sentimento de acrimônia e até mesmo de hostilidade. O antiamericanismo passou a ser militante em vastos círculos dirigentes e difuso em certas camadas do público.
Os Estados Unidos, considerados outrora fonte da modernidade, passaram a ser apontados como retrógrados e obliterados, e contra eles se alimentaram parcialidades, má-vontades e intransigências.
No presente momento, um fato desconcertante irrompe em cena. Esses focos de propaganda e militância antiamericana são agitados por um verdadeiro oba-oba pró-Barack Obama: o homem da "mudança", de uma "mudança" que ninguém se abalança a definir, nem ele próprio, mas que esses círculos parecem almejar para os Estados Unidos e o mundo.

Como esse antiamericanismo rançoso se transmuta e se torna pró-americano? Dou-me conta de que ele não constitui uma manifestação simplista de nacionalismo ou de antiimperialismo, mas traz involucrada profunda animadversão ideológica. Volta-se contra um certo tipo de EUA.

Revela um mal-estar ante o fato de parte muito considerável e dinâmica da sociedade americana (com forte pujança entre os jovens) ter aderido a tendências, ideais e princípios conservadores, no sentido mais amplo do termo.

A torcida pelo candidato democrata é, para mim, sintoma do desejo desenfreado de certas máquinas político-propagandísticas de inverter essa conjuntura.

A eventual vitória de Obama será o fruto de uma gigantesca operação de propaganda, à qual não faltaram ingredientes variados, até turbulência financeira. Mas terá ela a capacidade de alterar a realidade profunda da opinião pública norte-americana?


DOM BERTRAND DE ORLEANS E BRAGANÇA é trineto de dom Pedro 2º.

UMA BOA ESTOCADA NA EX-QUERDA.

ESQUERDISMO: A DOENÇA ESTRAGÉTICA E ESCAPISTA DO PETISMO


http://www.interney.net/blogs/imprensamarrom/
SÓ PODERIA MESMO SER DE FONTE TUCANA, MESQUINHA E TOLA, COMO SEMPRE, COM DOGMATISMO BOÇAL. VEJAM AS FONTES. UMA, AINDA ESTÁ ENROSCADA NO MENSALÃO "NOBRE", O PRIMEIRO MENSALÃO QUE DEU O KNOW HOW PARA O SEGUINTE. É TUCANA. NÃO HAVERÁ SURPRESA ALGUMA SE, DENTRE EM BREVE, SURGIR NO SENADO E NA CÂMARA, PROJETO TUCANO DIZENDO O SEGUINTE: "PARA SALVAR A ECONOMIA, E COM BASE NA SABEDORIA DO CEBRAP, FICA DECRETADO: APÓS O LIMITE DE 60 ANOS, AS PESSOAS SERÃO ENVIADAS AO DESERTO (A AMAZONIA SERÁ DESÉRTICA), SEM AGUA OU ALIMENTO. ELAS NÃO SERVEM MAIS PARA OS BANCOS, OS MANTENEDORES DO SAGRADO MENSALÃO. FICAM REVOGADAS AS DISPOSIÇÕES DIVINAS OU HUMANAS. O PRESIDENTE, NESTA ALTURA TUCANO-PETISTA, ASSINARÁ A LEI. E PRESTEM ATENÇÃO À JUSTIFICATIVA DOS COLEGAS DE PAULO BETTI: ELES EXIGEM A LEI, PORQUE ATUALMENTE MANIPULAM OS PREÇOS, AUMENTAM PARA GARANTIR A MARGEM DE LUCRO. EM TEMPOS OUTROS, COM GENTE OUTRA, SERIA MOTIVO DE CADEIA. E O "MERCADO"SACROSSANTO A TUDO ASSISTE.

CARO ORLANDO TAMBOSI: É COISA ASSIM QUE MERECE O SAQUINHO DE VÔMITOS!

CONFESSO QUE JÁ VI MUITA MESQUINHARIA NO MUNDO. OS TUCANOS SEMPRE ME SURPREENDEM. ELES SÃO MICROLÓGICOS, MICROCÉFALOS, MICRO....

ROBERTO ROMANO

PS: E OLHA A ESPERTEZA DA FIRMA CHAMADA UNE, QUE NO PASSADO FOI UMA REPRESENTANTE DO MOVIMENTO ESTUDANTIL. ELA QUER A NORMA, MAS É "CONTRA"OS DEMAIS ITENS DO PROJETO. HIJOS DE...É POUCO.


31/10/2008 - 08h00

Projeto do Senado proíbe meia-entrada nos finais de semana e feriados

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília
Um projeto em discussão no Senado Federal pode alterar a forma como a carteirinha de estudante é utilizada atualmente para a compra de ingressos pela metade do preço. A proposta também vale para o benefício concedido às pessoas com mais de 60 anos de idade.

Entre outras coisas, o texto estabelece que a meia-entrada não valerá nos cinemas em finais de semana e feriados locais ou nacionais. Para todos os outros eventos, como peças teatrais e shows, a meia-entrada não valerá de quinta-feira a sábado, se o projeto for aprovado.

Grupo de discussão

Meia-entrada pode não valer nos cinemas em finais de semana; o que você acha?

O projeto também tenta coibir a emissão de carteiras de estudante falsificadas, criando um documento único, padronizado, de validade nacional: a Carteira de Identificação Estudantil. Cria ainda um Conselho Nacional de Fiscalização, Controle e Regulamentação da meia-entrada e da identidade estudantil.

A proposta está pronta para ser votada pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE), mas a data da votação ainda não foi definida. Se passar pelo Senado, ainda será analisada pela Câmara dos Deputados.

No Senado, antes de chegar à Comissão de Educação, a matéria foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), com alterações ao texto original. Na Comissão de Educação sofreu mais mudanças, após a realização de várias audiências públicas com representantes dos estudantes e dos produtores culturais.

A relatora do projeto na Comissão de Educação é a senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), que apresentou um substitutivo à matéria original, do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG). "Chegou-se a um acordo com a UNE, Ubes, representantes da área de cinema, teatro, e eu acatei esse acordo", justifica a senadora Marisa, que incluiu a limitação dos dias em que a meia-entrada estará em vigor.

A UNE (União Nacional dos Estudantes) é favorável ao documento único de identificação, mas é contra as restrições ao uso da carteirinha, como explica Lúcia Stumpf, presidente da entidade. "Esses pontos vão enfrentar a resistência da UNE, que é a favor do direito amplo e irrestrito conquistado pelos estudantes. Os senadores resolveram encaminhar dessa forma, mas vamos lutar para mudar isso."

  • Folha Imagem

    "O que se espera é que haja uma redução do preço dos ingressos", diz o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), autor do projeto

O representante dos produtores de eventos defende a medida. Para Ricardo Chantilly, diretor da Abeart (Associação Brasileira de Empresários Artísticos), se aprovado, o projeto terá como resultado uma queda nos preços dos ingressos. "No dia de maior fluxo de pessoas e que o faturamento é maior, deixa o produtor cobrar o preço normal. Aí, não tem meia nem inteira", diz. "O que vai acontecer é que, no sábado, o preço de um show pode ser R$ 45, e no domingo, o estudante paga R$ 22,50. É melhor do que o que acontece hoje, quando a gente tem que colocar o ingresso a R$ 80 com meia a R$ 40", exemplifica.

Para ele, com a disseminação das carteirinhas falsificadas, os produtores foram levados a cobrar um preço maior, para evitar prejuízos. Assim, o diretor da Abeart também defende um limite na quantidade de ingressos destinados aos estudantes e idosos, como já ocorre em alguns lugares, como São Paulo - a meia-entrada é regulamentada por leis estaduais e municipais.

"A média hoje é de 70%, 80%, até 90% de meia-entrada nos eventos. Eu defendo uma limitação da venda de meia-entrada a 30% do total. Assim, a gente saberia que, em um evento para mil pessoas, teria 700 pagando inteira e 300 pagando meia. Seria possível uma redução de, no mínimo, 30% nos preços, porque conseguiríamos o mesmo faturamento de agora, com um ingresso mais barato", argumenta.

O que garantiria a queda nos preços? Segundo Chantilly, o mercado. "Se eu fizer um show do Nelson Ned e colocar a R$ 80, não vai ninguém. Se eu colocar um show da Ivete Sangalo a R$ 300, também não vai ninguém. Uma vez por ano tem uma Madonna, que pode cobrar R$ 500, R$ 800, que lota um Maracanã. Mas quem regula os preços é o bom e velho mercado", afirma.

Autor do projeto original, o senador Azeredo também diz que a expectativa é que os preços caiam. "O que se espera é que haja uma redução do preço dos ingressos; essa é informação dos produtores", afirma. Sobre a limitação dos dias de validade da meia-entrada, ele tem posição contrária. "O ideal era que pudesse valer para todos os dias, mas esse foi o acordo. O mais importante, sem dúvida, vai ser a padronização da carteira em todo o Brasil", destaca.

Emissão das carteirinhas de estudante
O projeto em análise no Senado também revoga a Medida Provisória 2.208, editada em 2001, que acabou com a exclusividade das entidades estudantis na emissão da identidade estudantil. O relatório da senadora Marisa Serrano afirma que a medida "provocou descontrole na concessão desses documentos" e levou "na prática, à perda do benefício do pagamento de meia-entrada por parte dos estudantes e idosos."

  • Folha Imagem

    A presidente da UNE, Lúcia Stumpf, diz que a entidade é favorável ao documento único, mas é contra as restrições ao seu uso

A presidente da UNE diz que a padronização do documento não resultará em aumento do preço de emissão. "Não deve aumentar exatamente porque não vai mais ser regido pela disputa de mercado", diz Lúcia Stumpf. "Hoje, existem até cursinhos de línguas e pré-vestibulares fantasmas, criados só para emitir a carteira", critica.

A UNE cobra preços diferenciados para emissão da identidade estudantil nas diferentes regiões do país. Em São Paulo, o preço é R$ 25, no Centro-Oeste, R$ 15, e nas regiões Norte e Nordeste, a taxa varia de R$ 8 a R$ 10, segundo a presidente da entidade.

Lúcia Stumpf é contrária ao sistema de cotas para a venda de meia-entrada por achar impossível a fiscalização. "Nem mesmo os produtores apresentaram uma alternativa eficiente para controlar a venda dos ingressos para estudantes. Sem isso, podem vender apenas os cinco primeiros e dizer que já venderam toda a cota", afirma.

Além de defender a limitação à meia-entrada, os produtores também cobram uma compensação do governo pelo benefício concedido. "Os taxistas compram carro 30% mais barato, mas não são as empresas que arcam com isso, o desconto vem dos impostos. Nos ônibus, os idosos têm passe livre, mas as empresas recebem por isso. A gente não é o 'lobo mau' da história, o governo é que não deu a contrapartida necessária", ressalta.

O ressarcimento está previsto na análise da relatora, e seria feito com recursos do Pronac (Programa Nacional de Apoio à Cultura), da Lei Rouanet.

Pelo projeto do Senado, o direito à meia-entrada fica assegurado aos estudantes e às pessoas com idade igual ou superior a sessenta anos, em cinemas, cineclubes, teatros, espetáculos musicais, circenses, eventos educativos, esportivos, de lazer e entretenimento, em todo o território nacional, promovidos por quaisquer entidades e realizados em estabelecimentos públicos ou particulares.

O benefício não é cumulativo com quaisquer outras promoções e convênios e também não se aplica ao valor dos serviços adicionais eventualmente oferecidos em camarotes, áreas e cadeiras especiais.

quinta-feira, outubro 30, 2008

quarta-feira, outubro 29, 2008

De Alvaro Caputo, a piada sobre os hermanos argentinos, sem remissão a nada que se passe em São Paulo, claro.

Piada do dia

George W. Bush e Gordon Brown jantavam na Casa Branca. Um dos convidados aproxima-se deles e pergunta:

- Do que é que estão conversando de forma tão animada?

- Estamos fazendo planos para a 3ª Guerra Mundial, diz Brown.

- Uau! exclama o convidado, e quais são esses planos ?

- Vamos matar 14 milhões de argentinos e 1 dentista, responde Bush.

O convidado parece confuso e pergunta:

- Um...dentista? Porque é que vão matar um dentista?

Bush dá uma palmada nas costas de Brown e exclama:

- Não te disse? Ninguém vai perguntar pelos argentinos!

No Blog Imprensa Marrom, uma coincidência de visões entre este que lhes escreve e o redator daquele Blog. Em destaque, a tola arrogância petista.
RR

O QUE SERÁ DA RELIGIÃO PETISTA COM O FIM DO MANDATO DO MESSIAS?

O petismo é uma religião e já escrevi a esse respeito neste blog (aliás, isso foi bem antes de quando alguns críticos diziam que eu "comecei a falar mal do PT, basta conferir a data do texto...). Os petistas usam o dogmatismo, ou seja, aplicam premissas sagradas, verdades sacrossantas, como se fossem axiomas existenciais. E, junto a isso, há um Messias, o Salvador, encarnado na figura do líder máximo, que é Lula.

Mas Lula só vai até 2010. Dali em diante, o Presidente se retira para sua merecida aposentadoria em São Bernardo do Campo, e o partido simplesmente não tem qualquer outro nome para concorrer à Presidência da República.

Vamos por partes.

O Equívoco do Messianismo
Nos EUA, tanto Republicanos quanto Democratas não são idiotas a ponto de construir sua história baseados em UMA ÚNICA FIGURA. Pessoas vêm e vão, partidos ficam. O PT, não. O PT criou-se e se manteve em cima de uma única figura.

Toda a vida do Partido dos Trabalhadores consiste na sustentação do mito de Lula. Seus admiradores narram tal trajetória política como uma saga de perseverança, mas por outra ótica isso pode ser visto como o maior caso de egoísmo político de todo o Ocidente.

O PT, portanto, não apenas "depositou suas fichas" em Lula, mas FIRMOU SUA HISTÓRIA na figura do Presidente da República. Não foi gratuita, portanto, a blindagem que se armou ao seu redor quando houve os sucessivos escândalos, mesmo quando envolviam Ministros próximos, Presidente de seu partido, seu filho e quem mais fosse.

Um petista - e daí vem o pensamento dogmático - é capaz de pôr a culpa no Governador de São Paulo por uma cagada da PM num caso de cárcere privado em Sto. André. Mas eles se recusam a imputar qualquer culpa a Lula quando se trata do Mensalão, ou da quebra do sigilo do Caseiro, ou do caso da ANAC, ou da fusão com o patrocínio do Lulinha, ou o escândalo do Waldomiro, ou os casos do 1º Compadre etc.

Isso é dogmatismo puro e simples. É como pensam os religiosos, que não aceitam determinadas rupturas, pois elas acabariam com as premissas maiores sustentadoras de sua fé. Não entra em questão a idoneidade de Lula. Ele é infalível e fim de papo. Isso não se discute. É um dogma.

Essa estultice filosófica, sustentada por uns na base da inocência, por outros com certa alegoria acadêmica, e por alguns outros por puro oba-oba de torcida, fez com que o partido se transformasse numa coisa extremamente messiânica.

O Salvador, como sabemos, é Lula.

Os Quadros Podres
Toda religião que se preza deixa tudo mais ou menos organizado para a ora do retiro do seu Messias. Ou então, como é mais comum, inventam um Messias com proezas impressionantes. O PT não pode recorrer a nenhum dos dois expedientes. Isso porque nada está organizado e o tal Ungido ainda exerce o mandato.

O favorito seria Dirceu, mas de Waldomiro a Mensalão, convenhamos, o melhor que ele pode fazer na vida pública é manter um blog. Na privada, é consultor de Carlos Slim, um dos homens mais ricos do mundo que, sabe-se lá por que cargas d'água achou por bem pedir conselhos a Zé Dirceu.

Eu, que sou pobre, não pediria. Vai ver, é por isso que sou pobre...

Genoíno assinou os contratos de Marcos Valério e, a exemplo de Lula, tentou mandar um "eu não sabia". Mas, bom, ele não tem a "infalibilidade". Messias é só o Messias, Genoca! Você não, violão! Saiu mudo, mas não voltou calado. Preparou alguns textos sobre "direita" e "esquerda", nos quais diz que "direita" é "direita" e "esquerda" é "esquerda".

Outro petista abatido pelo Mensalão que, pelo andar da carruagem dos atuais artigos políticos, não parece propenso a concorrer a nenhum cargo público de grande relevância.

Mercadante, cuja última eleição de grande relevância vencida foi a prévia interna do PT, acabou afundado no escândalo dos aloprados e levou pito público - embora indireto - do próprio Lula. Não era, até então, quadro ruim, mas esse caso o transformou num quadro péssimo.

E, depois do calor que Suplicy tomou de Afif na última eleição para o Senado, e com esse desempenho de Marta na capital, convenhamos, Mercadante deve estar com as manguinhas de fora.

Jaques Wagner, depois do resultado em Salvador, talvez não queira falar na palavra "urna" nos próximos meses e só aceite falar em "eleição" daqui a um ano e meio. Tempos atrás, petistas vinham dizer que ele seria um dos sucessores naturais de Lula. Hoje tento achar essas pessoas, mas não as encontro em lugar algum. De todo modo, não é um "quadro podre", que eu saiba.

Temos Dilma Roussef, que fez campanha no Rio Grande do Sul, em São Paulo e - não sei se é verdade - em Curitiba. Por onde passou, ao contrário de Átila, o capim não foi afetado, mas o PT não se elegeu e levou sarrafo. Sua presença na câmera me deixou tão entusiasmado que pensei em abrir um debate sobre a eutanásia - no caso, em mim mesmo.

Além dessa poderosa oratória, que só deveria ser ouvida sob prescrição médica e com guia especial, ela está envolvida no caso do Dossiê (o último presente recebido em vida por Ruth Cardoso), na interferência na ANAC no leilão da Varig e no caso BrTOi (antes do governo liberar a fusão, ela se reuniu com Greenhalgh, aquele a quem Daniel Dantas chama de "Deus").

Dilma está pra lá de ruim na foto.

Quem mais o PT tem? Tarso Genro? Ele largou o Ministério da Educação para fazer campanha política para o Lula, quando estourou o Escândalo do Dossiê dos Aloprados. Convenhamos: um MINISTRO QUE LARGA O GOVERNO PARA FAZER CAMPANHA POLÍTICA, ou seja, que privilegia o partido em detrimento do País é, para dizer o mínimo, uma pessoa inepta para a Presidência da República.

Enfim, qual o outro "quadro" do PT? Nenhum. Simplesmente NENHUM. Não há qualquer outro. Ah, já sei... A Marta? Ok, estou falando sério. Quem o PT poderia lançar para a Presidência? Pois é...

O Messianismo consiste na proteção do Salvador. E, para protegê-lo, foi preciso FRITAR bons quadros. Com essa fritura, não sobrou ninguém para suceder o Ungido. E agora o partido vai ter que cortar um dobrado, tirar leite de pedra, caminhar sobra as águas e assim por diante.

A Arrogância Infinita
Há pessoas arrogantes. Eu, por exemplo, sou assim. Falo besteira até dizer "chega", mas, mesmo assim, sou arrogante pra caramba. E me divirto com isso, porque os interlocutores ficam putos da vida e querem me bater. E eu fico ainda mais arrogantes. E querem mais e mais me bater. Até que, enfim, vêm para as vias de fato. E eu saio correndo.

O PT consegue ser uma INSTITUIÇÃO ARROGANTE. Não aceita dividir nada. Esqueçam essa história de lançar fulano e sair com a vice. É papo-furado e qualquer macaco velho da política sabe de cor e salteado que, mesmo acontecendo isso, no dia da posse já estoura um escândalo e tem Impeachment, o partido rompe e fim de papo.

Quem quer que se alie ao PT, vai pegar a vice. É isso e fim de papo. O PMDB é a menina dos olhos, todos sabem disso. Há muita água para passar debaixo da ponte e não convém fazer cálculos, mas é bom que o partido tenha alguém com mais de 20% de intenções de voto até novembro de 2009.

De todo modo, ainda assim, aposto minhas fichas que o PMDB não fecha com o PT. Ele fecha com o PSDB ou, no máximo, declara sua (temível para o Governo) "neutralidade". E aí, todos sabemos, nas maiores e mais importantes regiões vai fechar com o candidato tucano. Dessa vez, porém, sem Lula concorrendo.

O Messias Intransferível
Ao contrário do que se suporia, o Messias não transfere seus poderes milagrosos. Houve dois grandes testes nessas eleições: Natal e São Bernardo. Duas derrotas. Epa! Mas em SBC o PT ganhou! Calma, vou explicar.

Em Natal a derrota foi LOGO NO PRIMEIRO TURNO o Ungido foi conferir a quantas anda seu poder de transferir votos onde há transferência de renda. O resultado não poderia ser pior, com direito ao vexame de perder justamente para um inimigo, José Agripino.

Em São Bernardo, sua Nazaré, nosso Messias empenhou tudo que pôde para eleger o Ministro Marinho, ex-presidente da CUT. A campanha de Marinho, aliás, teve previsão de singelos R$ 15 milhões - provavelmente, o valor mais alto de "voto per capita" do país.

(um aparte: digo sua "Nazaré" porque, assim como o Ungido original, o Ungido não nasceu lá, mas sim em Garanhuns, que vem a ser sua Belém)

O resultado, porém, não foi a vitória esperada. Em princípio (assim como em São Paulo, aliás), falava-se numa goleada no primeiro turno. Nada disso. Foram para o segundo e, mesmo nessa etapa, as coisas terminaram sem uma grande lavada. O tucano Morando teve 41% dos votos. Para se ter uma idéia do que isso significa, basta lembrar que, em São Paulo, marta não chegou a ter nem 40%.

Em suma, embora seja bobagem dizer que a eleição municipal sirva de prévia para a sucessão presidencial, para uma coisa ela serviu: comprovou que o Messias não transfere seus poderes de caminhar sobre as águas, transformar água em vinho e outras milongas.

Pode ser que até 2010 ele treine melhor esse milagrinho, vamos ver. Por enquanto, está mal das pernas. Vem uma crise por aí e, com ela, recessão. As bolsas subiram, e essa subida veio acompanhada de notícias bem pouco interessantes: demissões, cortes etc. etc. etc.

Empresas anunciam arrocho, governos anunciam pacotes, investidores entendem que o mercado volta mais ou menos aos eixos, a bolsa sobe. Mas, no cômputo do mundo real, estamos sim em crise.

E o Messias deve se preocupar com esse mundo, o real, o que nos leva ao próximo tópico.

Falta de Bons Quadros Técnicos
Marta disse que pegou São Paulo após uma nuvem de gafanhotos (ela nunca usou o coletivo adequadamente, mas aqui eu quebro um galho porque não é hora para mágoas). Diante da praga desses gafanhotos, recorreu a um quadro tucano: João Sayad, hoje Secretário de Serra.

Lula, ao assumir a Presidência, foi atrás de outro tucano: Henrique Meirelles - afinal, precisava manter o Plano Real, desenvolvido pelos técnicos ligados ao PSDB durante o Governo Itamar.

Se por um lado o PT sacrifica quadros políticos para salvar a pele do Messias, por outro parece que nunca se preocupou em formar bons quadros técnicos, pois, quando se elege, trata de "pegá-los de favor". Nessa hora, o partido ao "pior inimigo", sempre em nome do espírito republicano.

A verdade é que o PT tem, sim, quadros técnicos, só que não confia neles. Carlos Lessa, antigo Presidente do BNDES, foi praticamente escorraçado do banco, por divergir da política do Governo Federal. Mercadante sempre foi apontado como um "cargo do setor econômico", mas nunca assumiu cargo algum, restando a Fazenda ao médico Palocci, pois Lula nunca lhe deu bola.

Dirceu é formado em Direito, mas parece que tirou diploma em "errado". Ok, essa foi piada.

Mas, persisto: quais são os grandes quadros técnicos do PT? Estão nas faculdades de ciências humanas fazendo críticas filosóficas e metafísicas à existência humana? Estão nos palcos dos teatros amadores? Estão compondo versos lindíssimos contra os malévolos neoliberais?

Pois é, ninguém sabe.

Aí aparece um, com tal titulação acadêmica e diz que é o "fulano de tal da inclusão digital", e eu sei o que ele fez no verão passado, e sei que ele não sabe fazer um "O" dando a volta com a caneta num copo (como diria Motumbo). Então, melhor deixar assim.

Enfim...
O PT, lá no começo, não foi criado para ser um partido messiânico. Mas, ao longo dos anos, tornou-se uma religião, com direito à figura do Salvador. Os quadros políticos de maior destaque foram, um a um, alvejados para preservar o Altíssimo, a ponto de literalmente não sobrar ninguém.

Além disso, quando aperta o sapato, o partido corre atrás de bons quadros técnicos do PSDB ou partidos que são apontados como "inimigos" (como faz hoje Lula e já fez Marta e fizeram, fazem e farão tantos outros, porque é necessário, ué).

Por fim, Lula é dotado de infinitos poderes, mas não transfere votos. Talvez consiga aprender esse truque até 2010. Se não conseguir até lá, o Messias se recolhe à aposentadoria, e os devotos professarão sua fé nas missões espalhadas nos grotões ainda dominados pelas igrejinhas do partido.

Amém.

Publicada em 29/10/2008



Gabeira, vencedor político

Roberto Romano




Apurações encerradas, análises econômicas e sociais oferecidas à ordem pública, alguns pontos merecem atenção. Se existe setor no qual atitudes arrogantes geram fracassos, a política é um deles. Os gregos costumavam chamar o arrogante como pessoa ao mesmo tempo cômica e trágica. O lado ridículo mostra algo que o indivíduo orgulhoso compartilha com todos os humanos, a fraqueza para tudo manter sob controle, em especial a própria língua. O trágico surge como fruto da comédia desempenhada pelo ator que se julga admirado, quando na verdade é alvo de caçoadas. E quando rimos do arrogante pretensioso, sentimos no fundo da alma uma dor fina, que pouco a pouco transforma nossas risadas em esgar melancólico. Afinal, ele é a nossa figura, apenas invertida. Platão recusa a comédia justamente por tal motivo: nela sentimos um prazer, que se manifesta no riso, misturado com uma dor insuportável.


Não é saudável rir dos tolos que se julgam deuses poderosos e onipotentes, pois neles se reflete a nossa tolice, visto que todos nós deixamos o Paraíso porque ousamos nos erguer à condição divina. Deixemos a Grécia, pois, entremos na cultura judaica e cristã. O filósofo Pascal, em suas Cartas contra os jesuítas, diz que o Senhor inventou o riso para pôr Adão em seu devido lugar. “Nas primeiras palavras ditas por Deus ao homem após a Queda, temos uma caçoada, uma ironia picante (...) pois devido à desobediência de Adão (...) parece pelas Escrituras que Deus, em castigo, o fez sujeito à morte, a após tê-lo reduzido à miserável condição, devida ao pecado, riu-se dele : ‘Eis que o homem tornou-se um de nós’. Ironia cruel e sensível, pela qual Deus o espetou vivamente...” (11a Carta a um Provincial).

A palavra grega (alazoneia) utilizada para expressar a soberba, usada nos Evangelhos (sobretudo na Primeira Epístola de João), carrega uma síntese de significados trágicos e ridículos. Na lingua política grega e helenística, o termo implica em impostura perigosa, sobretudo nos discursos demagógicos que mais imitam o verdadeiro. Os gloriosos são personagens tragicômicos que usam palavras e signos para enganar os incautos. A sátira, sobretudo a de Luciano de Samosata, estratégica na cultura cristã primitiva, nutre-se quase que totalmente da crítica à alazoneia.

Nas eleições brasileiras de agora, muita soberba foi péssima para os partidos políticos. A começar com a tese, tola como poucas, da onipotência presidencial, capaz de eleger postes. O fanático político, como todo fanático, acredita piamente em milagres. Como o líder Moisés transformou um cajado em serpente, também o dono do País, segundo o fanático, pode tudo, quando e como desejar. O deus do Planalto, no entanto, mostrou o calcanhar de barro. E o barro está fraturado para 2010. Naquele ano, era a crendice, a Chefe da Casa Civil seria eleita apenas com a benção do suposto nume. Se o PT deseja continuar nos palácios federais, precisará fazer muito mais do que aplaudir os trocadilhos insípidos do seu presidente de honra.

No Rio, ocorreu a tragicomédia mais notória de todo o processo eleitoral. O vencedor perdeu em estatura política para Fernando Gabeira. O sr. Paes senta no trono, mas abandona aquela aparência austera que ostentou no Congresso, em práticas supostamente oposicionistas. Nada mais constrangedor do que assistir um político que ontem atacava de modo arrogante o Chefe de Estado (não raro com nítida injustiça), e hoje dobra a língua e a espinha diante de Lula. Nada mais próprio para suscitar vômitos do que os truques de sua campanha contra Fernando Gabeira. Este último não é vencedor moral, como dizem os aduladores de plantão, agora presos às botas de Paes. Ele é vencedor político ao provar que é possível fazer campanha sem pôr a mão em excrementos. A diferença pequena de votos, a enorme abstenção (927.250 eleitores não votaram, a diferença foi de 55.225 votos.) mostra que milhares de cariocas preferem programas, não lama. A tendência pode ser ampliada, jogando na laxa do lixo os conteúdos pertinentes. Valeu, Gabeira, parabéns!

terça-feira, outubro 28, 2008

Do Blog de Marta Bellini...

No Rio

Cap-tirado do Blog do Vidal
A derrota de Paes *


Abrindo mão das próprias convicções (se é que um dia as teve), aliando-se ao que há de mais podre no estado, gastando rios de dinheiro, jogando sujo, usando descaradamente a máquina estadual, federal e universal, beneficiando-se até de um feriado mal intencionado, enfim, com tudo isso, Eduardo Paes só conseguiu ganhar de Gabeira por 50 mil míseros votos.Como vitória política, já é um resultado extremamente questionável; mas do ponto de vista pessoal, é uma derrota acachapante.

Eduardo Paes levou a prefeitura, sim, mas de contrapeso ficou com uma quadrilha de aliados que não deixa nada a dever àquela que ele acusava o presidente Lula de comandar. Vai ser prefeito, sim, mas vai ter de arranjar boquinhas para o Crivella, para o Lupi, para o Piciani, para a Clarissa Garotinho, para o Roberto Jefferson, para a Carminha Jerominho, para o Babu, para o Dornelles, para a Jandira... estou esquecendo alguém? Conquistou um cargo, é verdade, mas conquistou também o desprezo mais profundo de metade do eleitorado.

Em compensação, como carioca, perdeu a chance de viver um momento histórico, em que a prefeitura seria, afinal, ocupada por um homem de bem, com idéias novas e um novo jeito de fazer política; perdeu a chance de ver o Rio de Janeiro sair do limbo a que foi condenado nas últimas décadas, e ganhar projeção pela singularidade da sua administração. Se Gabeira tivesse sido eleito prefeito, o Rio, que hoje não significa nada em termos políticos, voltaria a ter relevância, até pelo inusitado da coisa. Um prefeito eleito na base do voluntariado, do entusiasmo dos eleitores e da vontade coletiva de virar a mesa seria alguém em quem o país seria obrigado a prestar atenção. Agora, lá vamos nós para quatro anos de subserviente nulidade, quatro anos em que o recado das urnas será interpretado, pela corja que domina esta infeliz cidade, como um retumbante "Liberou geral!" Nojo, nojo, nojo.

The New York Times

Political Memo

After I Win ... Er, Make That, if I Am Elected

Stephen Crowley/The New York Times

Senator John McCain, with his wife, Cindy, told supporters Monday at a rally in Pottsville, Pa., “The pundits have written us off, just like they’ve done before.”

Published: October 27, 2008

MESILLA, N.M. — Senators Barack Obama and John McCain have been ever vigilant in recent days for signs of January Fever.

The candidates have slipped a few times into the “when I’m president” construction in campaign speeches, but usually are careful to use the cautionary “if I’m president” refrain.

“If I am elected president,” Mr. McCain said Saturday at a rally here, drawing out his “if” like an invitation to interrupt. Flurries of “When you’re president!” arose from the crowd, segueing into applause and, eventually, a chant of “John McCain, John McCain.”

“If I am president,” Mr. Obama said at a rally last week in Leesburg, Va., which also prompted near-instantaneous cries of “When!” from the crowd. But Mr. Obama was having none of it, or at least pretending not to have any of it (or, O.K., maybe a little of it).

“No, no, no,” Mr. Obama said, half-heartedly motioning for silence with his hands. “I’m superstitious. I don’t like counting those chickens before they’re hatched.”

The whole “chickens-hatched” thing has become a theme on the trail. For Mr. Obama’s campaign, the concern is that an expectation of victory — buttressed by his solid lead in the polls — could make his supporters complacent on Election Day. There is also the danger that his campaign’s confidence could spill into the danger-zone of cockiness.

The United States does love a winner, but it most certainly does not love an early-celebrating one. A sports analogy: Few spectacles are more satisfying than seeing a football player strutting toward the end zone, only to be tackled out of nowhere at the 1-yard line, causing a humiliating fumble.

Mr. McCain has spent significant stump time recently trying to portray Mr. Obama as the political equivalent of that strutting football player. (Or, in the case of Mr. McCain’s running mate, Gov. Sarah Palin, who prefers basketball metaphors, Mr. Obama is guilty of “cutting down the nets before he won the game.”)

Mr. McCain regularly mentions the “planning already under way” among Mr. Obama; the Senate majority leader, Harry Reid; and Speaker Nancy Pelosi to assume their hammerlock on the government come January. In Cedar Falls, Iowa, on Sunday, Mr. McCain accused Mr. Obama of already “measuring the drapes” for the White House, something he has said repeatedly.

As far back as July, Mr. McCain’s campaign has tried to pin the premature-inauguration tag on Mr. Obama. They dismissed his summer tour of Europe and the Middle East as a “premature victory lap,” and mocked him for fashioning his campaign logo into a faux-presidential seal (an experiment the Obama campaign quickly scuttled). For his part, Mr. McCain traveled abroad before Mr. Obama did, delivered a speech looking back on a hypothetical first term, and began giving a Saturday morning radio address, just as real, live presidents do.

On Saturday, Mr. McCain was given a gift — or at least an opening — when an article in The New York Times detailed plans by both campaigns for the transition between presidents and noted that Mr. Obama’s preparations appeared to be more advanced. The article fit neatly into Mr. McCain’s narrative of his rival’s presumptuousness. In Mr. McCain’s contemptuous retelling, one could practically imagine Mr. Obama, drunk with self-satisfaction, mouthing his Inaugural Address in front of a bedroom mirror to the strains of “Hail to the Chief.”

At an appearance Monday in Pottsville, Pa., Mr. McCain told supporters: “The pundits have written us off, just like they’ve done before. My opponent is working out the details with Speaker Pelosi and Senator Reid of their plans to raise your taxes, increase spending and concede defeat in Iraq.”

“I guess I’m old-fashioned about these things,” he added, “I prefer to let the voters weigh in before presuming the outcome.”

It is not surprising that Mr. Obama’s campaign would be especially touchy about suggestions of early chicken-counting. “We are under instructions to work as if we’re 10 points behind,” said J. Seymour Guenther, an Obama campaign volunteer from Austin, Tex., who has spent five weeks here in this neighboring swing state. Mr. Guenther, a personal trainer and yoga instructor, watched Mr. Obama at a rally Saturday night in Albuquerque.

In his remarks, Mr. Obama cautioned giddy fans against complacency, urging them to work, work, work. The crowd jeered Mr. McCain. “You don’t have to boo,” Mr. Obama said, “you just have to vote.”

In states like New Mexico that allow early voting, Mr. Obama likes to ask how many people in the crowd have already cast their ballots. When hands shoot up, he will look up and nod for a few seconds, as if he is counting hands, or chickens.


segunda-feira, outubro 27, 2008



Não perca durante a semana as entrevistas ao vivo às 13h e 19h30 e o Hora de Notícias às 12h e 18h.
Home >
27/10/2008 - 02h05

Professor Roberto Romano fala que Kassab conseguiu apoios importantes

Roberto Romano, professor de política e ética da Unicamp, diz que deu a lógica nas eleições de São Paulo, falando que ficou muito claro no final do primeiro turno que se o PT adotasse atitude agressiva, teria tudo a perder. O professor fala que Kassab conseguiu apoios importantes e colocou em prática uma campanha séria. Roberto Romano afirma que a performance boa de Kassab, somada com a rejeição à Marta Suplicy, levou o democrata à vitória. “A imagem ruim de Marta deveria ser exorcizada no primeiro turno. Como isso não foi feito, o segundo turno só poderia ter um fim desastroso, sobretudo depois da propaganda infeliz que a campanha de Marta colocou em curso. O professor se refere a episódios como o da taxa e da frase “relaxa e goza” proferida pela ex-ministra do turismo quando fala da impopularidade da candidata. “Você não consegue fazer excelente marketing de produto ruim”, finaliza.

Conteúdo relacionado

Áudios
Clique no Play para ouvir o áudio em MP3


Clique aqui para baixar o áudio em MP3




Outras notícias relacionadas
Gilberto Kassab tem 60% dos votos contra 40% de Marta Suplicy, diz Ibope
Pesquisa Datafolha mostra Kassab com 60% dos votos válidos contra 40% de Marta Suplicy

sexta-feira, outubro 24, 2008




Enviado por Alvaro Caputo


“TRIÂNGULO DAS BERMUDAS”

MARIA LUCIA VICTOR BARBOSA

22/10/2008

Nas lutas travadas pelo poder, sejam elas de natureza econômica, política ou individual, ressalta a capacidade de empregar a hipocrisia, a mentira, a traição, a deslealdade, a violência. Mas, é na arena dos embates políticos, que esse agir se torna público.

Nestas eleições municipais chama atenção a exacerbação da torpeza. Destila-se como nunca o veneno da perfídia. Tenta-se de maneira vil enganar os eleitores com intrigas e maledicências sobre adversários. Em manobras asquerosas os algozes se transformam em vítimas. A religião é usada como recurso para obter comiseração social e a santificação dos libertinos.

Sempre foi assim, dirão, aqui e alhures, em todos os tempos e em todas as sociedades. Entretanto, parece que no Brasil chegamos ao ápice da degradação moral, que na política se manifestou através de constantes escândalos e que agora ressurge nas campanhas.

No Executivo, o episódio protagonizado por Waldomiro Diniz foi o início do ininterrupto espetáculo da desfaçatez sempre impune que passou por caixas dois, dólares na cueca, falsos dossiês e tudo mais que num país com outra cultura cívica não seria tolerado.

De modo também indigno se viu, com honrosas exceções, um Congresso subalterno e aviltado por “mensalões” e “mensalinhos”, descaramentos e falcatruas de toda espécie. Entretanto, a sociedade que deveria se enojar reconduziu ao poder “mensaleiros”, “sanguessugas”, trambiqueiros da pior espécie, o que leva a perguntar se vivemos numa canalhocracia onde eleitos e eleitores se merecem na reciprocidade malandra do jogo politiqueiro.

Na esteira desse processo de degradação, onde qualquer resquício de ética desapareceu, as campanhas municipais vão se processando. Entre ataques e baixezas havidos nos quatro cantos do país destacam-se por sua importância, inclusive, como os maiores colégios eleitorais e palcos que prenunciam os embates eleitorais de 2010, o chamado “Triângulo das Bermudas”: São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

Em Belo Horizonte, o jovem Leonardo Lemos Barros Quintão (PMDB), “azarão” que passou para o primeiro turno e está à frente do candidato Márcio Lacerda (PSB) fabricado pelo governador Aécio Neves (PSDB) e o prefeito Fernando Pimentel (PT), troca farpas com o adversário. A provável vitória de Quintão enfraquecerá o governador mineiro, cujas pretensões de concorrer à presidência da República em 2010 são notórias. Enfraquecido sairá o PT depois de um domínio de anos em Belo Horizonte, “santuário” mais importante do partido. É ficará provado mais uma vez que o presidente Lula da Silva, que deu seu aval a união PSDB/PT, não elege postes, como se pensava que faria, nem se importa mais com a “herança maldita”.

No Rio, a inesperada ida para o segundo turno do candidato do PV, Fernando Gabeira, que concorre com o ex-tucano e agora peemedebista Eduardo Paes, aquele que chamou Lula da Silva de chefe da quadrilha e suspeitou do enriquecimento rápido do seu filho Lulinha, desencadeou uma guerra suja onde só falta dizer que Gabeira põe maconha na merenda das criancinhas. Detalhe, Paes é apoiado pelo PT.

Mas nada simboliza tão perfeitamente o modo PT de fazer politicagem do que a eleição em São Paulo, na verdade, um interessante estudo de caso que ilustra a transformação da política em politicagem muito suja.

Naquele cenário, a petista Marta Suplicy (ou Favre ou Wermus), que ganhou o apelido de Martaxa por ter se excedido em taxações quando era prefeita, e que foi autora do famoso conselho “relaxa e goza” aos atormentados passageiros que sofriam nos aeroportos com o apagão aéreo, agora bateu seu recorde quando indagou, numa insinuação malévola, se o adversário Gilberto Kassab (DEM) é casado e tem filhos. Imagine-se se este retrucasse perguntando se o exótico Supla continua solteiro e sem filhos. Seria processado e no mínimo taxado estridentemente de preconceituoso.

Naquela costumeira tática de inverter a situação, a petista se colocou como vítima de preconceito e disse que não sabia sobre a venenosa insinuação. Ela mostrou, assim, ser exemplar cópia do presidente da República, que nunca sabe ou vê nada e se coloca como eterna vítima, apesar de ter sido eleito na quarta tentativa de chegar lá e reeleito.

Mas além da sordidez habitual da politicagem, não podia deixar de aparecer outra, digamos, arma de campanha: a violência. Em 2006, quando concorria à presidência Geraldo Alckmin, um inusitado terrorismo do PCC deixou os paulistanos apavorados. Agora, uma estranha manifestação de policiais civis, armados, politizados, incitados pela CUT e pela Força Sindical, que invadiu a área de segurança em frente do Palácio dos Bandeirantes, culminou em embates com a Polícia Militar, que cumpriu com seu dever de proteger o Palácio e o governador. Em que pesem as razões dos policiais civis que reivindicam melhores salários, esse ato violento e insuflado pelos apoiadores de Marta Suplicy não deixa de prenunciar o que virá em 2010. Os futuros adversários do PT que se cuidem.

Maria Lucia Victor Barbosa é socióloga.

mlucia@sercomtel.com.br


quinta-feira, outubro 23, 2008

Para indicar o quanto a crença xiita no mercado pode ser tão desastrosa quanto a intervenção sem limites do Estado. Pensar binariamente é não pensar.

Greenspan Concedes Error in Regulatory View
Doug Mills/The New York Times

Alan Greenspan, former Federal Reserve chairman, with John Snow, former Secretary of the Treasury, at a hearing on Capitol Hill on Thursday.

Published: October 23, 2008

WASHINGTON (AP) — Alan Greenspan, the former Federal Reserve chairman, said Thursday that the current financial crisis had uncovered a flaw in how the free market system works that had shocked him.

Mr. Greenspan told the House Oversight Committee on Thursday that his belief that banks would be more prudent in their lending practices because of the need to protect their stockholders had proved to be wrong.

Mr. Greenspan said he had made a “mistake” in believing that banks operating in their self-interest would be enough to protect their shareholders and the equity in their institutions.

Mr. Greenspan said that he had found “a flaw in the model that I perceived is the critical functioning structure that defines how the world works.”

Mr. Greenspan, who headed the nation’s central bank for 18.5 years, said that he and others who believed lending institutions would do a good job of protecting their shareholders are in a “state of shocked disbelief.”

He said that the current crisis had “turned out to be much broader than anything that I could have imagined.”

The committee called Mr. Greenspan to testify along with former Treasury Secretary John W. Snow and the Securities and Exchange Commission chairman, Christopher Cox, as lawmakers sought to discover if regulatory failings had contributed to the crisis.

The committee chairman, Henry A. Waxman, said he believed that the Federal Reserve, which regulates banks, the S.E.C. and the Treasury had all played a role in contributing to the mistakes.

“The list of mistakes is long and the cost to taxpayers is staggering,” Mr. Waxman, a California Democrat, told the three men. “Our regulators became enablers rather than enforcers. Their trust in the wisdom of the markets was infinite. The mantra became that government regulation is wrong. The market is infallible.”

In his testimony, Mr. Greenspan blamed the problems on heavy demand for securities backed by subprime mortgages by investors who did not worry that the boom in home prices might come to a crashing halt.

“Given the financial damage to date, I cannot see how we can avoid a significant rise in layoffs and unemployment,” Mr. Greenspan said. “Fearful American households are attempting to adjust, as best they can, to a rapid contraction in credit availability, threats to retirement funds and increased job insecurity.”

Mr. Greenspan said that a necessary condition for the crisis to end would be a stabilization in home prices but he said that was not likely to occur for “many months in the future.”

When home prices finally stabilize, Mr. Greenspan said, then “the market freeze should begin to measurably thaw and frightened investors will take tentative steps towards re-engagement with risk.”

Mr. Greenspan said until that occurred, the government was correct to move forward aggressively with efforts to support the financial sector. He called the $700 billion rescue package passed by Congress on Oct. 10 “adequate to serve the need” and said that its impact was already being felt in markets.

Mr. Greenspan did not specifically address the criticism he is receiving now as being partly to blame for the current crisis.

Mr. Greenspan’s critics charge that he left interest rates too low in the early part of this decade, spurring an unsustainable housing boom, while also refusing to exercise the Fed’s powers to impose greater regulations on the issuance of new types of mortgages, including subprime loans. It was the collapse of these mortgages and rising defaults a year ago that led to the current crisis.

In his testimony, Mr. Greenspan put the blame for the subprime collapse on overeager investors who did not properly take into account the threats that would be posed once home prices stopped surging upward.

“It was the failure to properly price such risky assets that precipitated the crisis,” Mr. Greenspan said.

Arquivo do blog