quarta-feira, março 19, 2008




19/03/2008 - 18h44
Lula dá bronca em assessores por informações desencontradas sobre o PAC

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu uma bronca hoje em seus assessores sobre a falta de precisão sobre o andamento das obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Na reunião --que foi fechada para a imprensa--, Lula pediu mais empenho dos ministros na execução do PAC.

Inconformado com as informações desencontradas passadas por seus assessores em relação ao PAC, Lula exigiu explicações e disse que o presidente da República não pode passar por mentiroso. "Eu agora decidi que só vou citar número [quando] vier por escrito pelo ministro e assinado. O que eu quero dizer é: 'segundo o ministro do Transporte, o ministro da Casa Civil e o ministro da Fazenda'. Porque qualquer um pode passar por mentiroso, menos o presidente da República", afirmou Lula, em reunião com os gestores do PAC, no Planalto.

A bronca do presidente da República ocorreu durante cerimônia fechada no Planalto com gestores do PAC. Lula ainda reclamou do atraso nas obras e dos dados desencontrados.

O presidente contou que freqüentemente recebe informações imprecisas sobre as obras do PAC, sem citar nomes de ministros nem de ministérios.

"Eu acabo de fazer um documento sobre uma coisa: vamos investir R$ 170 milhões em tal coisa. Meia hora depois tem um papel na minha mão: R$ 144 [milhões]", disse ele se referindo ao desencontro de informações.

Lula disse na reunião que pretende inaugurar várias obras do PAC. Mas que para isso é preciso que as informações estejam corretas. "Quem marca a minha agenda, está cansado. Eu faço uma reunião com os ministros e falo: 'companheiros, temos obras para visitar, porque eu quero visitar para ver como está'. Aí tem ministro que fala: 'está tudo pronto presidente, tudo pronto'. Eu falo: então vai falar com a agenda. Aí a agenda liga para o chefe de gabinete dele: 'não, essa não está pronta, essa não está pronta, essa não está pronta'.

O presidente deu como exemplo uma inauguração em Curitiba (PR). "Eu ia à Curitiba amanhã, tudo certo. Quando foi ontem, nós ficamos sabendo que não está pronto", disse Lula.

Segundo ele, essa situação é absurda. "Veja o absurdo companheiros: nós temos o dinheiro, coisa que nós não tínhamos no passado, temos a decisão política de fazer, coisa que não se tinha no passado porque era tudo para o superávit primário. Temos dinheiro, temos a decisão política, temos as obras definidas, temos a necessidade dos governos municipais e estaduais."

Lula reclamou até da Caixa Econômica Federal. "Aí, de vez em quando, se queixam da burocracia da Caixa. Eu já falei para a Maria Fernanda [presidente da instituição] que eu vou para a Caixa um dia e eu quero acompanhar por onde entra um processo, por quantas mesas ele passa, para saber quantos dias demora para dar uma decisão, porque eu acho que se colocasse todo mundo em torno de uma mesa só, na mesma hora, a decisão sairia mais rápido."

De acordo com o presidente, os prefeitos culpam os ministros pelo atraso na inauguração e os ministros culpam os prefeitos. "Às vezes o prefeito culpa a Casa Civil, às vezes culpa o Planejamento, às vezes culpa o ministro da área, e o erro às vezes está no prefeito ou está no secretário do prefeito. O caso de Curitiba ontem é um caso típico disso", disse. "Eu estou indo a Recife agora e certamente, as obras principais de Recife, não estão prontas ainda."

Elogios

Mas a reunião com os gestores não se resumiu a broncas e queixas. O presidente não economizou elogios à ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) --apontada como virtual candidata do PT à sucessão de Lula. Depois de ser chamada por Lula de "a mãe do PAC", Dilma ganhou mais louros nesta quarta-feira. Desta vez, o presidente apelidou a ministra de "capitão [capitã] do time".

"Companheira Dilma, eu disse em um ato bem pensado que [você] era a mãe do PAC, porque sei o esforço que você faz junto com sua equipe para coordenar isso", afirmou o presidente.

Em seguida, Lula disse que: "Sei quantas vezes você [Dilma Rousseff] tem brigado com seus companheiros ministros, sei quantas vezes é obrigada a dizer não dá para gastar tanto, só dá para gastar isso. E, os companheiros precisam compreender às vezes o capitão do time é obrigado a xingar o jogador do próprio time que não está suando a camisa direito".

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