quarta-feira, novembro 05, 2008

Enviado por Alvaro Caputo

Somos todos americanos

Nunca antes na história deste planeta um mestiço afrodescendente foi seu habitante mais poderoso. Não mais. Por mais que as pesquisas já indicassem a vitória de Barack Obama, ela é tão épica e multidimensional que nos enche de espanto e ânimo.

Obama é um fenômeno global, sua vitória reflete não só a escolha da maioria dos americanos, mas da grande maioria dos seres humanos. O que lhe dá ainda mais legitimidade como líder. E liderança será preciso para tirar o mundo dessa recessão que ainda não tem tamanho, mas parece feia.

Tanto melhor que sejam os Estados Unidos da América os provedores desse raio renovador na deprimida cena global. Entre as verdadeiras heranças malditas legadas por oito anos de bushismo, talvez a pior seja o agudo e estúpido antiamericanismo.

Tão irracional quanto disseminado, ele alimenta e para alguns até justifica forças obscurantistas e perigosas como o neoczarismo russo, o absolutismo chinês, o petropopulismo chavista, o messianismo nuclear iraniano, o terrorismo islamofascista.

Conceitos absurdos como o de que os EUA são um país de brutos, ignorantes e caipiras são cuspidos pela suposta intelligentsia mundial apesar de o país ter as melhores universidades do planeta, ser seu maior produtor e consumidor de cultura, ser a nação mais inovadora e criadora de tecnologias, ter o maior número de prêmios Nobel, ter inventado a internet e o YouTube, ser de longe ainda a maior economia do mundo.

E aquela conversa de que "Nova York é fantástica, mas não tem nada a ver com os Estados Unidos"? Seria como dizer que "São Paulo é fantástica, mas não tem nada a ver com o Brasil".

E aqueles que achavam impossível os EUA, tão "racistas e reacionários", elegerem um presidente negro e progressista de forma tão decidida? (Alguém arrisca dizer em que ano o Brasil, com muito mais afrodescendentes, terá um presidente negro?)

Os americanos não poderiam dar resposta melhor ao mundo(e ao bushismo) do que conduzir Michelle e Barack Obama à Casa Branca.

Não que sua fulminante vitória eleitoral, por mais impactante e transformadora, garanta um final feliz para a triste história de George W. Bush em Washington. Os desafios são tão grandes quanto seu triunfo, se não maiores.

Mas a satisfação global com a inspiradora conquista de Obama já dá algum alento a um mundo em desaceleração, quase parando.

Vamos torcer por Obama e pelo que sua impressionante vitória representa. Hoje, somos todos americanos.

Sérgio Malbergier é editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo

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