quinta-feira, agosto 30, 2007

Blog do Josias de Souza

29/08/2007

Lula e Dulci confundem votação com água sanitária

Ricardo Stucjert/PR


Ao final de uma solenidade realizada no Planalto, os repórteres puderam se achegar a Lula. Questionaram-no sobre a abertura da ação penal do mensalão e a relação do episódio com o governo dele. "Até agora ninguém foi inocentado e ninguém foi culpado. Agora começa o processo de cada advogado fazer a defesa de seu paciente [cliente]. E o processo vai entrar na rotina normal", disse o presidente sobre o processo.

Quanto aos respingos em seu governo, recuou até 2006. Lembrou que a oposição já tentara arrastá-lo para o centro da crise. Acha que o eleitor já deu a resposta: "Eles tentaram me atingir, e 61% do povo deu a resposta na eleição do ano passado. Eles sabem perfeitamente bem o que é o processo [de julgamento das denúncias do mensalão]."

Ouviu-se também o ministro petista Luiz Dulci (secretário-geral da Presidência). "Isso não tem nada a ver com o governo”, afirmou. “A decisão do Supremo é de abrir processo contra pessoas individuais. Não tem nada a ver com o governo”. também Dulci escorou-se nas urnas: "O governo já foi julgado nas urnas, democraticamente. E recebeu uma aprovação consagradora do povo brasileiro. Esse é o julgamento."

O presidente e seu ministro cometem um equívoco primário: confundem votação com água sanitária, urna com sabão. Foram ao banco dos réus: 1) três ex-ministros de Lula. Entre eles José ‘Técnico do Time’ Dirceu; 2) um ex-presidente da Câmara eleito com o apoio de Lula; 3) toda a ex-cúpula do partido de Lula; 4) boa parte da corriola que dava suporte congressual a Lula I –Jeffersons, Janenes, Valdemares e outros azares.

O Ministério Público esmiuçou em sua denúncia um mega-esquema de compra de apoio parlamentar. O STF encampou a quase integralidade da peça do procurador-geral Antonio Fernando de Souza. Pode-se admitir que Lula, o governo e o PT não têm nada a ver com o peixe podre. Mas, neste caso, deve-se reconhecer que Brasília está inteiramente desobrigada de fazer sentido.

Em 2005, no calor da crise do mensalão, Lula dissera que é o homem mais "ético" que ele conhece. O único com "autoridade moral" para combater a corrupção. Os comentários, que já àquela época soaram estranhos, agora exigem a formulação de hipóteses.

Na melhor das hipóteses, Lula é mesmo o messias que imagina. Na pior das hipóteses, a honestidade, assim como Brasília, é um vocábulo que perdeu todo o sentido. Admita-se que Deus, por vezes, escreve certo por linhas tortas. Mas nenhum messias que se preza faria as alianças políticas que Lula se permitiu fazer. Assim, deve-se ficar descartar a melhor hipótese. Fique-se com a pior. Ou seja: a promiscuidade independe do caráter do presidente. A retidão de Lula não faz a menor diferença.

Quanto ao PT, só um modo de enxergar virtude nos pecados que a legenda cometeu. Deve-se considerar a hipótese de que ao partido de Lula chegou ao poder munido de um plano secreto. Sua missão oculta era a reiteração dos erros fisiológicos iniciados por Sarney, escancarados por Collor e mantidos por FHC. Desejava provar a inevitabilidade dos delitos políticos, cometendo-os. Conseguiu.

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