quarta-feira, fevereiro 06, 2008

06/02/2008 - 17h14
Governo muda discurso e defende CPI no Senado para investigar uso de cartões

FOLHA ON LINE

RENATA GIRALDI/ Brasília

Em um esforço para esvaziar a CPI mista dos Cartões Corporativos no Congresso, o governo federal mudou seu discurso nesta quarta-feira e passou a defender a instauração de uma comissão exclusivamente no Senado para investigar a utilização dos cartões. Os governistas defendem que as apurações comecem em 1998, durante o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e estendam-se até 2008.

O Planalto defende a apuração dos fatos pelo Senado, porque na Câmara perderia o controle das investigações. A crise envolvendo os cartões corporativos do governo começou no dia 23 de janeiro, quando a Folha publicou uma reportagem informando que os cartões, indicados para gastos como a compra de material, prestação de serviços e diárias de servidores em viagens, foram usados em 2007 para pagar despesas em loja de instrumentos musicais, veterinária, óticas, choperias, joalherias e em free shop.


O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse ter conversado hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo ele, apoiou a iniciativa. Com o aval de Lula, Jucá passou a recolher as assinaturas dos senadores --principalmente dos governistas.

"O governo não tem medo de investigações. Não vamos fugir do embate, queremos investigar tudo sobre cartões corporativos e suprimentos a partir de 1998 até 2008", afirmou Jucá, que disse já ter obtido 25 assinaturas. São necessárias 27 para a instauração de uma CPI no Senado.

O líder afirmou que o esforço é para fazer uma CPI só no Senado porque ele "não pode interferir" na Câmara. "A CPI será para averiguar os pagamentos feitos com cartão e cheque, tudo mais", disse o senador.

Jucá negou que o governo tema que as investigações de uma comissão parlamentar de inquérito atinjam Lula. "Não há nenhum tipo de irregularidade envolvendo o presidente. O governo não tem o que esconder e nem está preocupado com investigações", afirmou.

Porém, em relação aos gastos com os seguranças da Presidência da República, que, segundo reportagem da Folha, foram exorbitantes, ele disse que devem ser apurados. "Os gastos com segurança, nós vamos avaliar."

Até o começo da tarde desta quarta-feira, os partidos de oposição DEM, PSDB e PPS defendiam a instauração de uma CPI mista, formada por deputados e senadores, em favor das investigações sobre os cartões de crédito corporativos.

Ministros

Na última semana, Matilde Ribeiro anunciou a saída da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial após ser acusada de usar irregularmente o cartão corporativo do governo.

Em 2007, as despesas de Matilde com o cartão corporativo somaram R$ 171 mil. Desse total, ela gastou R$ 110 mil com o aluguel de carros e mais de R$ 5.000 em restaurantes, além de ter feito compra em um free shop.

No sábado, outro ministro, Orlando Silva (Esportes), anunciou que devolverá cerca de R$ 30 mil por gastos em seu cartão. Esse seria o valor equivalente ao que foi gasto desde que ele assumiu o ministério, em março de 2006.

O ministro da Pesca, Altemir Gregolin, também está sob suspeita. A fatura do cartão dele registra o pagamento de uma conta de R$ 512,60 de um almoço com uma comitiva chinesa em uma churrascaria de Brasília.

Segurança

Reportagem da Folha desta segunda-feira informa que um segurança pessoal de Lurian Cordeiro Lula da Silva, filha do presidente Lula, gastou quase R$ 55 mil nos últimos nove meses usando um cartão de crédito corporativo do governo.

Segundo a reportagem, os gastos foram realizados em lojas de autopeças, materiais de construção e de ferragens, supermercados, livrarias, combustível e em uma casa de venda de munição. Os gastos foram feitos no cartão da Secretaria de Administração do Planalto cedido a "João Roberto F Jr" --identificado pelo CPF como João Roberto Fernandes Júnior.

Já as agências reguladoras, de acordo com outra reportagem da Folha, teriam gasto mais de R$ 1 milhão nos cartões de crédito corporativos do governo em 2007.

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