segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Blog Perolas especial, reproduçao na integra.

Comentário: entre os inúmeros serviços que Alvaro Caputo presta à cidadania, o seu Blog se notabiliza pela apresentação das várias opiniões sobre os eventos. Ao contrário de muitos analistas, que apenas sabem cantar a salmodia de sua igreja, seita ou partido, Caputo apresenta, diariamente, os muitos lados de um problema. E, coisa rara também, apresenta sua posição, sem disfarces e lealmente. Hegel dizia que a leitura dos jornais era a sua prece cotidiana. No Blog Pérolas, o leitor atento pode encontrar um meio de, talvez não falar com Deus, mas dialogar com a própria consciência. De meu lado, desde que passei bom tempo na cadeia, por motivos políticos na era da ditadura, aprendi a jamais acreditar na divisão entre Lobo Mau e Chapeuzinho Vermelho. Por esse motivo, sempre critiquei o PMDB, quando aquela oligarquia partidária tinha todos os postos do Estado ( fui processado pelo Centrão ainda hoje vivíssimo, com o patrocínio de quem inventou a frase famosa, "é dando que se recebe"). E critiquei os tucanos, quando eles mandavam e desmandavam no país. E critico os petistas agora, quando eles se julgam donos absolutos da cocada.

Sigo o exemplo de Hegel (de quem não aprecio a lógica, a metafísica, a dialética e o fanatismo pelo Estado, mas que era um dos mais inteligentes filósofos do século 19) quando ele cobra objetividade no debate público. O que ele diz sobre a velhinha que vendia ovos podres na feira, e foi questionada por uma jovem bem vestida e, talvez, de costumes não ortodoxos, é mais do que correto, é preceito ético sem o qual só existe má fé. Os ovos estão podres, ou não? Se é petista, tucano, católico, protestante, ou seja lá o que for, importa levantar os fatos, todos os fatos, e compará-los ao direito e ao correto éticamente. Para tal operação, a imprensa (em todos os seus orgãos, de direita ou esquerda, liberais ou conservadores) é um quesito importante. Sem liberdade de imprensa, impera apenas a versão dos que mandam na máquina estatal (incluindo a censura, a polícia, a morte "não explicada" dos adversários, etc). A revista IMPRENSA deste mes traz uma reportagem triste sobre o assassinato de jornalistas no Brasil. A maior parte das mortes foi patrocinada pelos políticos descontentes com as notícias.

Voltemos ao caso: foi usado cartão (ou seja, dinheiro público) para fins não públicos? Se o uso foi de petistas, tucanos e quejandos, pouco importa. Os ovos devem estar sadios ou podres, não importa o nome de quem os vende.

Um caso é diferente de outro? Que tal enunciado receba prova empírica e lógica.

Dizer que subjetividades ou uniões de subjetividades fazem algo porque "são assim" é primário e nada acrescenta ao conhecimento do que se passa. Recordo sempre Imanuel Kant, o pensador que mais usou a metáfora jurídica para examinar a ciência. A preliminar de todo discurso objetivo é saber quais são os fatos (Quid facti) e depois, atingir o direito (Quid juris).

O resto é guerra de seitas. E delas, devemos nos precaver sempre.

Obrigado, Alvaro Caputo, pela sua objetividade, a qual, todos sabemos, custa muito caro em terra onde manda o subjetivismo, o culto aos líderes do "nosso lado" e o xingatório contra os líderes "do outro lado". Como se os comandados nada tivessem a relatar sobre suas ações. Líderes sem obediente séquito, nada representam.

É tempo de romper com a afirmação contida na divisa predileta do antigo e atual PMDB :"isto é bom para nós".

Prefiro perguntar: "isto é bom para o país?". Por tal motivo, publico a edição especial do Blog Pérolas, na íntegra. Ela faz pensar.

Roberto Romano
===================================================== 

Perolas – Edição Especial - São realmente iguais??????


===================================================== 

 
"Ideologia emburrece"

A filósofa diz que Lula age como um tirano, afirma que Alckmin foi escolhido para perder e denuncia o oportunismo de intelectuais de esquerda

Veja – Na sua opinião, quais as chances de o candidato tucano, Geraldo Alckmin, vencer a eleição?

Maria Sylvia – Eu sempre imaginei que havia algo por trás dessa escolha de Alckmin. Por que a opção por uma pessoa tão inexpressiva – sem carisma, sem ligações importantes em lugar nenhum – para enfrentar um homem como Lula? Hoje está na cara. Alckmin foi escolhido para perder.

Veja – Como assim?

Maria Sylvia – Aécio (Neves, governador de Minas Gerais) e Tasso (Jereissati, presidente do PSDB) escolheram alguém para ser queimado. O projeto do PSDB é para 2010. As chances de Alckmin são muito pequenas porque, inclusive, o tucanato não vai se empenhar. Diz-se que Lula não tem herdeiros, daí o "Lulécio", o Lula com Aécio. Meu marido (o filósofo Roberto Romano) tem uma expressão muito adequada. Afirma que os tucanos são primos do PT e que, no futuro, vão se reunir em família e dividir o bolo. Acho que haverá um ajuntamento entre Lula e esses dirigentes mais novos, como Aécio. O único problema é o PMDB, um partido muito forte e oligárquico. O Brasil é assim: de um lado, a força do governo federal; de outro, o poder das oligarquias regionais. E quem congrega essas oligarquias é o PMDB.
VEJA  -  5 de julho de 2006
 
Bem, você leu esta entrevista. Talvez tenha se esquecido do trecho acima. A posição que nela fica evidente, valeu ao casal muitas calúnias de ambos os lados, petistas e tucanos (sem falar nos auxiliares das referidas igrejas políticas), valeu muitos "desconvites" e afastamentos (a decretação silenciosa de persona non grata contra mim, na Folha, é apenas um episódio menor no processo), valeu cortes de bolsas de estudos para meus alunos e para mim, valeu o afastamento de "amigos" (alguns com mais de 40 anos de "amizade"), etc. E o que dissemos no período? Algo espantoso, terrível, criminoso? Não. Apenas indicamos aos incautos (os eleitores domados por Duda Mendonça e quejandos) que existe um vínculo familiar entre tucanos e petistas. E quando se fala de elos assim, é-se obrigado a ir aos "mores", à ética. E o costume familiar, além da arrogância e dezprezo por quem ousa discordar dos oráculos sagrados, é imaginar-se acima do bem e do mal, intangível, invisível. Tais hábitos, no entanto, cedo ou tarde causam estragos mais evidentes à vida pública. E nesta hora, as acusações mútuas servem apenas para camuflar a identidade fundamental, que deixa de ser estabelecida em termos doutrinários (muitos no PT e no PSDB partlham uma educação estalinista, católica conservadora, católica "progressista", etc) para se pautar pela identidade com as oligarquias partidárias nacionais. Entre elas, a que se acolhe sob o nome de PMDB.

Chega de falar do que passamos nas mãos dos primos e aliados. Vejam o que diz Eliane Cantanhede, em sua crônica [abaixo] . Analisem o que esta jornalista brilhante escreve, comparem com o que é dito na entrevista da Veja, em outra entrevista na Veja comigo, e avaliem se merecemos o silêncio, os cortes, a perseguição, as calúnias. Se julgarem que o rol de censuras é merecido, permitam-me a sincerida máxima e perdoem a justificada bitterness : vocês merecem os primos!

Prof. Roberto Romano em seu blog

Da tapioca à pizza

Os R$ 108 milhões dos cartões do governo Serra em 2007 são o Eduardo Azeredo da crise da tapioca. Quando os tucanos mais comemoravam o mensalão, Azeredo entrou na roda e estragou-lhes a festa. Quando começavam a brindar a tapiocaria, vem a água fria dos cartões de Serra. Quanto mais se acusam, mais tucanos e petistas se parecem. Os dois lados blefam ao alardear a criação de uma CPI em Brasília e outra em São Paulo para investigar uso do dinheiro público em restaurantes caros e baratos, lojas de doces e de jóias, hotéis e carros alugados em feriados. Uma orgia.

A CPI e a crise tendem a evoluir de tapioca para pizza e emperram três movimentos que tucanos e petistas vinham ensaiando antes e durante o Carnaval: Serra e os filhos de Lula aos sorrisos num camarote no Rio de Janeiro; conversas mais do que amigáveis entre Aécio Neves e Fernando Pimentel para uma candidatura única em Belo Horizonte; os acertos Lula-Serra-Aécio para acabar com a reeleição e rever o cronograma. Como pano de fundo, a entrevista de José Dirceu à revista "Piauí", em que ele releva antigas e sólidas divergências e elogia Serra como homem público e presidenciável. Neste momento, Dirceu deixou de lado o consultor e se reassumiu como um dos principais quadros políticos do país. Não foi descuido.

Os petistas e tucanos de internet, essas novas categorias do cenário político, irresponsáveis e agressivas, ficariam surpresíssimos se ouvissem a troca de elogios que Serra e ilustres lulistas trocam fora dos holofotes. Mas não seguiriam. Aliás, nem compreenderiam. Qualquer tentativa de pensar grande, seja de Lula, seja de Serra, seja de Aécio, acaba indo de roldão na avalanche de pequenos e grandes erros comuns aos dois lados. O dinheiro público vai para o ralo, e a política vai junto. Certamente porque o poder é deletério e talvez porque falte grandeza ao ser humano.

ELIANE CANTANHÊDE na Folha
 
Queiram desculpar a impaciência... Mas é muita falta de informação!

"Os petistas e tucanos de internet, essas novas categorias do cenário político, irresponsáveis e agressivas, ficariam surpresíssimos se ouvissem a troca de elogios que Serra e ilustres lulistas trocam fora dos holofotes".
(Eliane Cantanhêde, na Folha de S. Paulo de hoje)


Me parece que os tucanos e petistas de imprensa, estas velhas categorias do cenário político, tão dissimuladas e viciadas, conhecem nada de internet. Caso contrário, saberiam que a troca de elogios entre Serra e ilustres lulistas não surpreende a ninguém - e faz tempo.

Blog da Nariz Gelado http://narizgelado.apostos.com/
 
Uma fábula em Banânia

Tio Rei conta uma fábula pra vocês.

Era uma vez um país chamado Banânia. Um belo dia, estoura um escândalo milionário envolvendo cartões corporativos. Coisa muito feia mesmo. Os batedores de carteira que estão no poder buscam desesperadamente uma forma de culpar as oposições, como sempre.

Aí, um grupo do Partido dos Trapaceiros decide criar uma espécie de dossiê fajuto contra a principal figura do Partido Adversário, dizendo que ele gasta mais com cartões e é ainda menos transparente. E passa as informações, com exclusividade, para o Jornal Imparcial.

O Jornal Imparcial sente o cheiro da tramóia e decide amalocar o material. Foi, claro, um erro. Poderia ter feito com ele jornalismo de primeira — ou seja: demonstrar que se tratava de uma peça publicitária destinada a inverter o ônus moral da lambança dos cartões. Seja por simpatia àquele que era o alvo do falso dossiê, seja por falta de agilidade mental, seja por uma soma das duas coisas, não fez nada. E, como sempre nesses casos, acabou numa cilada. Banânia tem, como se sabe, alguns jornalistas banânios.

Ora, o autor do dossiê mixuruca, inconformado com o fato de que sua "denúncia" não prosperara, passa, então, aquelas mesmas informações para um anão banânio que presta serviços remunerados ao Partido dos Trapaceiros. E este, vejam só, começa a fazer uma espécie de chantagem com o Jornal Imparcial de Banânia.

Desafia: “E aí, Jornal Imparcial? Não vai publicar o que tem contra o Partido Adversário? Vai ou não vai? Vai continuar a esconder o material?”

Vejam só: o Jornal Imparcial poderia ter feito uma de duas coisas, ma fez uma terceira:

A – poderia ter comprado, de cara, a versão dos bandidos (como acabou fazendo depois);
B – poderia ter denunciado a versão dos bandidos — que era a coisa certa;

Mas preferiu uma terceira: transformou o dossiê do Partido dos Trapaceiros em almofada, sentando em cima. E, assim, expôs-se a uma forma de achaque moral.

Acuado por um erro de cálculo, patrulhado pelo bandido, o Jornal Imparcial, então, publica o dossiê fajuto que amalocara antes, optando por ser ainda mais duro do que o próprio batedor de carteira. Um Blogueiro Sem Nenhuma Importância diz, então, que o Jornal Imparcial se deixou pautar pelo anão banânio. Aí um representante do JI diz que o Blogueiro Sem Nenhuma Importância emite o som dos corvos, dos abutres. E ainda o acusa de servilismo àquele que era o alvo do Partido dos Trapaceiros.

Servilismo? Mas o Blogueiro Sem Nenhuma Importância não amalocou material nenhum. Nem contra nem a favor quem quer que seja. Se uma fábula fosse contada também a seu respeito, poder-se-ia dizer que compareceu ao debate para chamar os bandidos de bandidos; os inocentes, de inocentes; e os trapalhões, de trapalhões.

Reinaldo Azevedo
 
CPI de mentirinha

Lembra do Fiat Elba que o presidente Fernando Collor ganhou de presente do seu tesoureiro de campanha PC Farias? Foi a mancha de batom na cueca de Collor, responsável por sua queda. Somente um fato assim carregado de forte simbolismo poderá criar sérios embaraços para o governo Lula no caso do mau uso dos cartões de crédito corporativo.

Faz sentido dizer que se sabe como uma CPI começa, mas não como ela termina. A que provocou a queda de Collor, por exemplo, começou com uma entrevista de Pedro, irmão dele, denunciando sem provas corrupção no governo - e terminou no Fiat.

Mas também não faz sentido dizer que o desfecho de uma CPI é quase sempre imprevisível. Na maioria das vezes é previsível, sim. Os governos costumam safar-se delas apenas com escoriações. CPIs são instrumentos de luta política da oposição. Governos têm horror a elas.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso matou a pau todas as CPIs propostas pelo PT. Sem sucesso, Lula tentou fazer o mesmo com as CPIs que brotaram no rastro do escândalo do mensalão. Acabou obrigado a conviver com três delas de uma vez só. Uma, a do Correio, apontou 40 pessoas como membros de uma “sofisticada organização criminosa”. A seu modo, Lula parece ter aprendido a lição. Diante do risco de a oposição criar uma CPI no Senado para investigar a lambança dos cartões corporativos, ele mandou criar sua própria CPI. Incumbiu-se da tarefa Romero Jucá (PMDB), líder do governo no Senado.

Pelos próximos três meses assistiremos ao espetáculo de uma CPI controlada pelo governo ocupada em investigar irregularidades cometidas – por quem mesmo? Pelo governo. O ministro Tarso Genro, da Justiça, acha que o governo merece elogios por sua transparência – afinal, o caso dos cartões só se tornou público porque os gastos bancados com eles estão disponíveis na internet.

Balela! As despesas com cartões no ano passado somaram R$ 78 milhões. Do total, R$ 58 milhões foram sacados em dinheiro vivo. Cadê a prestação de contas de toda essa grana? Na internet não está. Só o governo sabe onde está. É possível que nem mesmo o governo saiba.

Na semana passada, os ministérios receberam um questionário com 13 perguntas formuladas pela Secretaria de Comunicação Social do Palácio do Planalto. Eis algumas: por que os cartões permitem saques em dinheiro? Como são feitas as prestações de conta? Como é possível garantir que a despesa realizada não foi de caráter pessoal? E por que certos gastos da presidência da República são sigilosos?

Espantoso que o governo não tenha respostas prontas para tais perguntas. Revela o absoluto descontrole com gastos que cresceram quase 900% nos últimos cinco anos.
Caberia a uma CPI responder a essas e a outras perguntas, mas isso não ocorrerá. Se depender da CPI encomendada por Lula, a fatura do escândalo do mau uso dos cartões será debitada unicamente na conta de assessores descuidados de ministros e boys de repartições públicas.

Resta saber como se comportará a oposição.

O DEM, ex-PFL, é impermeável à acusação de que abusou de cartões quando ajudou o PSDB a governar durante os oito anos de Fernando Henrique Cardoso. Sob Marco Maciel (DEM-PE), a vice-presidência da República dispôs de três cartões – e ele jamais usou um. O DEM, pois, quer ver jorrar sangue na CPI. O PSDB, não. Teme mais a CPI do que o próprio governo.
Primeiro porque uma CPI manietada pelo governo nada aprovará que possa lhe causar maiores aborrecimentos. Segundo porque é o governo que manda na máquina administrativa capaz de produzir informações. E a máquina foi acionada para levantar tudo que possa constranger Fernando Henrique e seus aliados – do estoque passado de vinhos finos e caros degustados no Palácio do Planalto a compras de artefatos eróticos. O jogo do poder é pesado, sujo e sem regras. Para vencê-lo, o governo Lula está disposto a se valer de todas as armas.

Noblat
 
Fuscas, bilhar e churrasco

O que há em comum entre os "fusquinhas" que o então prefeito de São Paulo, Paulo Salim Maluf, doou aos campeões mundiais de futebol de 1970 e a farra com cartões de crédito/débito nos governos federal e paulista? Há duas coisas: primeiro, você pagou por todas essas farras. Segundo, é formidável a facilidade com que funcionários graduados e não tão graduados confundem o bolso próprio com o erário. Entre os "fuscas" e os cartões, há não apenas o longo tempo decorrido (38 anos), mas uma mudança das regras do jogo, que passou da ditadura para a democracia, e uma aparente -e só aparente- guinada nos partidos/personalidades envolvidas, da direita para a esquerda, ainda que a esquerda tenha se tornado tão conservadora quanto a direita.

Tucanos e lulopetistas foram, durante um tempo, os mais duros críticos do malufismo, com o qual disputavam espaço em São Paulo. Ao chegarem ao poder, no entanto, ambos casaram-se com esse, digamos, modelo de usar dinheiro público para compras particulares, sejam "fuscas", seja tapioca, seja mesa de bilhar, seja uma montanha de carne em churrascaria.
Depois que o malufismo entrou em irremediável declínio, tucanos e lulopetistas fazem o mais indigente Fla-Flu da história política brasileira, um duelo que se vai repetir agora nas prometidas CPIs dos cartões de um e outro lado, como se se tratasse de apurar quem é mais corrupto. Sim, porque o abuso no uso dos cartões é corrupção e até o plástico de que eles são feitos sabe que o abuso é decorrência de uma cultura política profundamente apodrecida. Os 38 anos passados entre os "fuscas" de Maluf e os cartões tucanos e lulopetistas serviram apenas para comprovar que tudo mudou para que tudo ficasse exatamente igual: o seu, o meu, o nosso dinheirinho paga "fuscas", paga tapiocas, mesa de bilhar e muito churrasco.

Clovis Rossi na Folha

 
Ministros se encontram para repartir a ‘omelete’

A receita da omelete não é nova. Foi elaborada por Tancredo, levada à mesa por Sarney, aprofundada por Collor, mantida por Itamar e institucionalizada no cardápio por FHC. Sob Lula, a diferença é que a coisa foi banalizada. Antes, fechava-se a porta da cozinha. Fazia-se tudo às escondidas e empurrava-se a sujeira para baixo do tapete. Agora, todos vêem os ovos sendo quebrados. Ouve-se o crec-crec. As cascas são deixadas sobre a pia. Perdeu-se o recato, eis a grande diferença. Atingiu-se o vale-tudo sem culpa.

Vem daí que, neste sábado (9), os ministros Edison Lobão e José Múcio reuniram-se no Planalto. Foram cuidar do rateio das estatais que pendem do organograma da pasta das Minas e Energia. Tudo às claras. Sem desperdiçar a gema.
Conversaram por cerca de uma hora e meia. Na saída, Lobão desconversou: "Não posso adiantar os nomes porque ainda vamos levar ao presidente [Lula]. Mas as discussões de hoje levaram a algumas conclusões." Nem precisava. As conclusões são sabidas e consabidas.

Prevalecendo o acerto, a divisão deve ficar assim:

Presidência da Eletrobrás: José Antônio Muniz (José Sarney);
Diretoria Administrativa: Miguel Colassuono (Orestes Quércia);
Diretoria de Projetos Especiais: Benjamin Maranhão (José Maranhão, presidente da Comissão de Orçamento do Congresso;
Diretoria de Engenharia: Walter Cardeal (Dilma Rousseff);
Diretoria Financeira: Astrogildo Quental (Sarney, de novo);
Presidente da Eletronorte: Lívio de Assis (Jader Barbalho).

Diretoria Internacional da Petrobras: Jorge Zelada (bancada de deputados federais mineiros do PMDB).No Brasil, como se sabe, nunca houve políticos de direita. Sumiram também os últimos que se diziam de esquerda. Restou um enorme centrão. Amorfo, isotrópico, inefável. Vive-se a redenção da política à FHC. Em meio a um surto de amnésia coletiva, já ninguém se lembra do que escreveu, disse ou fez. O pragmatismo já não se dá ao luxo de moralismos ideológicos.

Blog do Josias

 As calúnias da matilha adestrada.

Petralhas são sujos e nojentos. A matilha adestrada, paga com dinheiro de ONGs e de empresas estatais, que formam a verdadeira Rede 13, tem espalhado a mentira de que o segurança de Fernando Henrique utiliza um dos cartões liberados e descontrolados do Lula para saques cash, como os mordomos da família pau-de-arara e metalúrgica, que agora dorme em lençois egípicios, embebedada pelos melhores vinhos e perfumes. O pobre diabo que dirige o carro para FHC sacou R$ 200 em três anos, o resto gastou em gasolina no mesmo posto da esquina.

A segunda mentira é sobre Roberta Sudbrack, a chefe de cozinha que trabalhou no Palácio do Planalto, durante os anos tucanos. Ligam seu nome a jantares luxuosos da Era FHC, no exato momento em que a mordomia comprovada é a do metalúrgico que gasta milhares de reais nas lojas mais finas de Brasília, para se empanturrar do bom e do melhor.
Roberta Sudbrack entrou no Planalto para trabalhar como auxiliar de cozinha e, graças ao seu talento, acabou assumindo o posto principal. Não era chef quando entrou no Planalto e só depois de 2003, quando saiu, é que abriu um buffet no Rio e passou a ter sucesso em vários empreendimentos. Lula, inclusive, fez de tudo para que ela continuasse, mas a decência e a independência falaram mais alto.

Este tipo de calúnia brota de blogs como aquele "Sou Sem-Mídia e Sem-Vergonha", que prega a invasão a jornais e TVs da P.I.G, porque estão divulgando a podridão da cozinha do Lula. Paulo Henrique Amorim faz escola na escória. Por dinheiro, eles fazem qualquer coisa. E se público, melhor ainda.

http://coturnonoturno.blogspot.com/

Arquivo do blog