terça-feira, fevereiro 05, 2008

E NO BLOG PÉROLAS, DE ALVARO CAPUTO, A PÉROLA DA EX-QUERDA QUE MERECE O PRÊMIO PRAVDA DO ANO. COMO NÃO GOSTO DE VERDADES OFICIAIS, SEGUE O GAROTINHO DE OURO PARA OS CAMARADAS, DISCIPLINADOS QUE ACEITAM CORRUPÇÕES (SUPOSTAMENTE) MICROLÓGICAS. NO FUTURO, OS SEUS DISCÍPULOS JUSTIFICARÃO, DO MESMO JEITO, AS MACROLÓGICAS AO MODO DE CEAUCESCU, OU SIMILARES.



O PcdoB saiu em defesa do governo Lula, acusando a "mídia golpista e a oposição de direita" de pautar o "suposto uso indevido dos cartões corporativos". Partido acha que R$ 176 milhões são "valores irrisórios".

Claudio Humberto

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No espaço eletrônico (visto que os líderes do PC do B odeiam palavras estrangeiras como "site" e quejandos), as matérias abaixo são exemplares do "realismo" que levou a URSS ao desaparecimento físico (apenas físico, porque o mental está vivo na mente dos que ainda hoje vivem como se estivessem na mesma URSS, Alemanha "Democrática", ou na "Heróica e pequenina Albânia".

Roberto Romano

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31 DE JANEIRO DE 2008 - 21h03
Imprensa e oposição conseguem, enfim, pautar os ''cartões''

A oposição de direita e a mídia golpista conseguiram aquilo que vinham tentando fazer há tempos: pautar a questão do suposto uso indevido dos cartões corporativos usados por autoridades e funcionários do governo. Os valores envolvidos são irrisórios e até agora não foi constatada nenhuma grave irregularidade, mas já é o suficiente para alimentar a nova onda denuncista que, se depender da mídia e da oposição, pode se transformar na mais nova crise do governo Lula.

Por Cláudio Gonzalez


Aquilo que era para servir de instrumento de controle público e transparência na gestão dos recursos governamentais, agora será usado como arma pela oposição e pela mídia anti-Lula para desgastar o governo.

O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), ainda ofuscado com os holofotes da ''CPI do Mensalão'', já comunicou à Mesa do Senado o início da coleta de assinaturas para a criação de uma CPI dos cartões corporativos. Muitos tucanos e “demos” não vêem a hora de ter novamente à sua disposição os microfones e câmeras que irão mostrá-los como os paladinos da ética que combatem os ''petistas corruptos''.

O próprio Carlos Sampaio sinalizou esta intenção. “A sociedade tem pressa e o Congresso também. A nossa pressa é de transformar a indignação da sociedade em investigação”, disse o deputado à imprensa.

Carlos Sampaio, que desde o início do governo Lula tenta emplacar uma CPI dos cartões corporativos, justificou a criação da Comissão de Investigação afirmando que o Tribunal de Contas de União (TCU) e a Controladoria Geral da União (CGU) não têm poderes para convocar ministros de Estado para explicar suas despesas. Segundo o deputado, só uma CPI poderia convocar as autoridades públicas e quebrar sigilos. Não poderia ter sido mais explícito no seu intuito de politizar o tema. Para disfarçar o objetivo eleitoral da iniciativa, disse que ''não é um movimento de oposição, mas de quem quer transparência'' .''Eu não quero saber como o presidente [Lula] gasta, mas saber como os 42 funcionários da Presidência usam os cartões'', argumentou o parlamentar.

Imprensa alvoroçada

Até as paredes das redações dos jornais sabem que os editores dos piores e maiores veículos de imprensa do país estão com a mão coçando para soltar uma bateria de artigos, matérias e editoriais denunciando o suposto uso indevido dos cartões.

A esta altura, um batalhão de “jornalistas investigativos” já devem ter sido convocados para passar o carnaval debruçados sobre os dados disponíveis na Internet com a missão de garimpar entre os gastos feitos com os cartões corporativos eventuais usos “indevidos” ou, ainda que regulares, potencialmente constrangedores.

O jornalista Josias de Souza, partidário do jornalismo esgoto praticado pela mídia grande, já deu o tom do que será a cobertura deste tema ao dizer em seu blog que ''Emparedado pelo noticiário, o governo decidiu fazer por pressão o que não fizera por obrigação. Montou-se em Brasília, a toque de caixa, uma operação para tentar arrancar a gestão Lula do córner em que se encontra desde que começaram a pipocar nas páginas dos jornais e revistas notícias sobre as malfeitorias escondidas nas dobras dos extratos dos cartões de crédito corporativos”.

Já o jornalista Paulo Henrique Amorim, do site Conversa Afiada, vai na contra-mão de seus colegas e denuncia a manipulação midiática em torno do assunto. Para ele, a imprensa golpista tenta usar as informações sobre o cartão corporativo para criar uma nova “crise” política. Seria, segundo seu levantamento (clique aqui para ler ), a 11ª “crise” que a imprensa tenta jogar no colo do governo somente neste primeiro mês de 2008.

Discurso da “gastança”

A ''crise'' que a imprensa tentará sustentar agora será baseada em picuinhas, como uma despesa de R$ 8,30 (isso mesmo, oito reais e trinta centavos) que um ministro fez usando o cartão corporativo e que foi devolvida aos cofres da União. Mas os valores, neste caso, não terão a menor importância. Tanto é assim que a imprensa praticamente ignorou os dados publicados pela CGU que mostram que em 2001 e 2002 –últimos anos do governo FHC-- os gastos do governo federal com “suprimento de fundos” –que são as despesas hoje pagas com os cartões-- foram de R$ 213,6 milhões e R$ 233,2 milhões respectivamente. A partir de 2003, quando Lula assume o governo, esse tipo de gasto foi significativamente reduzido, mantendo-se, nos últimos cinco anos, a média anual de R$ 143,5 milhões. A imprensa omite, também, a informaçõe de que que os gastos com cartões corporativos representam apenas 0,004% do total das despesas do governo.

Estes números não importam para quem quer construir crises políticas. Tanto a mídia como a oposição sabem que o desgaste virá por causa da mítica que se criará em torno das despesas feitas com o cartão: jantares em bons restaurantes, compras de produtos importados, saques em dinheiro, contratação de serviços especiais... tudo isso, por mais normal que seja para o desempenho das tarefas dos servidores federais, será mostrado para “opinião pública” como ''abusos com o nosso dinheiro”, como “gastança irresponsável”, coisa de ''marajá'', de ''deslumbrados com o poder''. É esta visão elitista e manipulada que alimentará a cobertura da mídia e o discurso da oposição.

Infelizmente, o governo, mais uma vez, caiu na armadilha como um pato. Colocou uma fila de ministros e autoridades para falar com a imprensa sobre o assunto, dando ainda mais munição para a pauta negativa que certamente irá crescer nas próximas semanas com o fim do recesso legislativo e a volta dos parlamentares ao Congresso.

A ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Dilma Rousseff, já solicitou uma investigação de supostos abusos no uso dos cartões corporativos pelos ministros da Secretaria Especial de Aquicultura e Pesca, Altemir Gregolin, e da Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro.

O ministro Paulo Bernardo, numa declaração no mínimo inábil, já sugeriu até nome para a CPI: “CPI da Tapioca”.

E o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, admitiu nesta quinta-feira que a permanência no governo da ministra Matilde Ribeiro causa desconforto enquanto seus gastos com cartão corporativo não são esclarecidos. José Múcio evitou criticar o comportamento da colega, mas pediu esclarecimentos sobre o possível mau uso do recurso.

Ao mesmo tempo, acusou o golpe que se avizinha ao reconhecer que se uma CPI for instalada poderá ser usada politicamente pela oposição. ''O problema da CPI é o entorno, o teatro'', reconheceu Monteiro.

Resta saber se este espetáculo denuncista que a oposição e a imprensa estão preparando será um drama ou uma comédia.


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2 DE FEVEREIRO DE 2008 - 22h51
Orlando Silva: CGU é quem deve definir uso de cartão

Em entrevista concedida ao Vermelho neste sábado, o ministro do Esporte Orlando Silva (PCdoB-SP) afirmou que "quem deve definir o uso do cartão corporativo do governo federal é a CGU", e não a mídia.
Por Humberto Alencar, com agências


Em entrevista coletiva cedida na manhã de sábado em São Paulo, o ministro também defendeu o uso do cartão por autoridades federais. Ele afirmou também que pretende receber de volta o dinheiro que recolheu ao Tesouro Nacional ontem como forma de devolução dos gastos com o seu cartão corporativo desde que assumiu o ministério.

"Tenho convicção da legalidade e moralidade dos gastos", afirmou o ministro do Esporte sobre o uso do cartão por parte de seu ministério. "Como se estabeleceu uma polêmica sobre o que pode e o que não pode ser pago com o cartão, eu vou aguardar a fixação das regras definitivas e, a partir daí, poderei requerer a devolução daquilo que eu utilizei, adequadamente".

Orlando Silva depositou R$ 30.870,38 nos cofres da União mediante duas guias: uma de R$ 26.594,21 e outra de R$ 4.276,94. Orlando silva também encaminhou à Controladoria-Geral da União (CGU) comprovantes das despesas.

O ministro declarou que continuará pagando com o cartão as despesas de compromissos oficiais, orientando-se pelo decreto publicado pela Presidência da República sobre o assunto. "Eu espero que cada vez mais autoridades utilizem o cartão corporativo, pois ele é uma de garantir a transparência do gasto", disse.

Segundo Orlando Silva, o que está ocorrendo na polêmica do uso dos cartões é mais uma tentativa da oposição em sustentar a luta política contra o Governo Lula. "Isso é pano de fundo da luta política, onde a oposição utiliza-se de questões menores" para atacar o governo.

Orlando Silva também avaliou o papel da mídia na questão, ressaltando que os cartões são criação do governo FHC e que os gastos do governo passado são muito maiores e "sequer são mencionados" quando discute-se o assunto.

A mídia praticamente ignorou os dados publicados pela CGU, que mostram que em 2001 e 2002 — últimos anos do governo FHC — os gastos do governo federal com “suprimento de fundos” — que são as despesas hoje pagas com os cartões — foram de R$ 213,6 milhões e R$ 233,2 milhões respectivamente.

A partir de 2003, quando Lula assume o governo, esse tipo de gasto foi significativamente reduzido, mantendo-se, nos últimos cinco anos, a média anual de R$ 143,5 milhões. A mídia omite, também, a informaçõe de que que os gastos com cartões corporativos representam apenas 0,004% do total das despesas do governo.

Sobre a ofensiva realizada pela oposição Orlando Silva afirmou que "o Governo não pode deixar de cumprir a sua agenda". O Ministério do Esporte tem papel importante na realização da Copa do Mundo de 2014 no país, e procura dar apoio à candidatura do Rio de Janeiro para sede das olimpíadas de 2016, além de desenvolver projetos sociais como o Segundo Tempo.

Orlando Silva também afirmou que a decisão de devolver os R$ 30.870,38 gastos com o cartão corporativo foi pessoal e tomada por indignação. O valor gasto por servidores e funcionários do ministério — antepenúltimo na lista das pastas que mais gastaram com o cartão, disse o ministro — não foi recolhido ao Tesouro Nacional.

"Minha decisão é pessoal. Eu fiquei indignado com certas insinuações que poderiam atingir a minha honra", contou. "Vou requerer aos órgãos de controle que façam todas as auditorias necessárias para que não paire dúvida quanto à correção do meu comportamento".

Para o ministro, a questão dos cartões corporativos extrapolou o âmbito da gestão pública e passou a ser debatida na agenda política nacional. Segundo ele, o tema foi usado como arma para ataques da oposição e nem sempre foi tratado racionalmente pela imprensa.

De acordo com o ministro, o pagamento de uma tapioca com o cartão corporativo foi um exemplo disso. Segundo ele, o cartão foi usado por engano, devido à similaridade com seu cartão de crédito pessoal. Silva disse que detectou o erro ainda no ano passado e que, em outubro, ressarciu a União. Mesmo assim, o "caso da tapioca" tomou grandes proporções, ressaltou.

O ministro observou que o estudo publicado no Portal da Transparência contém alguns erros de datas e afirmou que a publicação de seus dados sem checagem acabou causando confusões. "Há gastos feitos nos dias 19 e 20 de outubro que foram apontados no estudo como do dia 22. Isso é muito importante, mas essa informação não foi veiculada pela imprensa", afirmou.

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