sexta-feira, fevereiro 08, 2008

No Blog Perolas de Alvaro Caputo...

Comentário: o dito mais genial do dia é o Vilas Boas :

"CPI do governo para investigar o governo é caso para psiquiatra"

Aplausos pela lucidez!

RR




ÉPOCA teve acesso com exclusividade a um relatório do Tribunal de Contas da União que aponta indícios de irregularidades nos gastos sigilosos da Presidência da República. Os auditores descobriram notas frias, empresas fictícias e irregularidades nos saques de dinheiro vivo. Eles investigam o uso irregular de cartão para alugar um carro para o ex-ministro José Dirceu em São Paulo. Em nota, Dirceu (foto) nega envolvimento no caso.

Epoca
 
Cartão corporativo foi usado até para compra em feira que vende produtos piratas
Os cartões corporativos do governo federal, que deverão virar tema de CPI no Congresso, vêm sendo usados para pagar de itens luxuosos a despesas inusitadas que ignoram as regras de limite e urgência. Um ministro e outras autoridades pagaram no cartão corporativo diárias no luxuoso Hotel Copacabana Palace, no Rio. Na outra ponta, servidores de segundo e terceiro escalões da Secretaria de Administração da Presidência pagaram, principalmente em Brasília, contas em floriculturas, cosméticos, drogarias, lojas de roupas, piscinas e cinefotos. Nessa lista há até uma compra numa barraca da Feira dos Importados, conhecida como Feira do Paraguai, local famoso por vender produtos piratas.
No dia 6 de dezembro passado, a servidora Ariene Meneses pagou com o cartão do governo uma compra de R$ 40. Pelo registro da Receita Federal, o estabelecimento Zheng Chunliang, que aparece no portal da Controladoria Geral da União, é descrito como uma loja de comércio de bijuterias e souvenires. Mas a pequena barraca do chinês Zheng é especializada na venda de óculos de sol. Modelos Dolce & Gabbana, Gucci e outras marcas famosas falsificadas são vendidos na barraquinha por cerca de R$ 40. Zheng vende também sutiãs Wondebra, igualmente piratas, ao preço de R$ 10.

O Globo

Os Pensamentos do Dia

A CPI masoquista

A tramóia com os cartões corporativos, ou plano de auxílio aos companheiros (PAC), reabre a temporada de escândalos envolvendo o governo, com a singularidade de uma vasta rede de suspeitos que cresce a cada momento com novas revelações. É cedo para as previsões apocalípticas do juízo final. Mas, com as novas denúncias que pipocam de todos os lados, invadem a privacidade do presidente Lula e de seus familiares e salpicam lama em ministros e assessores da sua absoluta confiança, o governo não pode cruzar os braços e insistir no despiste de que as providências estão sendo adotadas para a clássica rigorosa apuração que costuma dar em coisa nenhuma.

Não é necessário remexer no monturo para o levantamento das CPIs do mensalão, do caixa 2, das ambulâncias, das absolvições em cascata dos parlamentares enterrados até o pescoço nas investigações que concluíram por recomendar a cassação de mandatos. Nem atiçar a fogueira com a suspeita de operações de emergência - como a que dissipou milhões com remendos na buraqueira da rede rodoviária, que não resistiram à primeira chuvarada.

O caldo engrossou de vez com a denúncia de que o cartão corporativo foi largamente usado pelos seguranças para pagar despesas de Lurian Cordeiro da Silva, filha do presidente Lula, que mora em Florianópolis com a família e que atingem a soma considerável de R$ 55 mil em lojas de autopeças, material de construção e em livrarias.Não se trata de uma intriga maldosa. Mas, de fatos apurados pela reportagem da Folha de S.Paulo. Saques em dinheiro com o cartão corporativo de duvidosa legitimidade para a filha do presidente, que não exerce função pública e confiado a João Roberto Fernandes, ultrapassam o limite de R$ 800 mil.

É como se destampasse o esgoto, despejando a lameira fétida ladeira abaixo. Ora, nada pior poderia acontecer ao presidente, no início do segundo ano do mandato da reeleição - depois de tantos embaraços, crises políticas, derrota no Senado com a derrubada da CPMF, o imposto do cheque - do que um megaescândalo, que não poupa sequer a sua família.
Inútil inventar culpados para repassar o fardo sujo das responsabilidades. A cada vez fica mais evidente o deficiente modelo de administração forjado na aprendizagem do maior líder sindical do país. Mas governo não é sindicato. E a encrenca dos cartões corporativos enfileira erros em marcha batida. Técnicos e espertos defendem o seu uso para agilizar urgências e cutucar a lerdeza da burocracia.

Mas as severas medidas de controle são da mais translúcida obviedade: 1) restringir o uso do privilégio ao mínimo; 2) estabelecer o menor prazo para as prestações de conta, logo submetidas às investigações de praxe; 3) dar publicidade às prestações de conta para o conhecimento da opinião pública.Ora, o que se constata é que no governo imperou a bagunça e o deboche. A ex-ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, justificou o desperdício de R$ 2.600 pela locação de um carro Astra de luxo, com motorista para cinco dias de agenda vazia em São Paulo, com brilhante drible: "Eu encontrei com pessoas, escrevi, me locomovi".

Pois a ministra foi demitida com os mais calorosos elogios do presidente Lula, que reafirmou a confiança e o apreço à demissionária. Um lance de transparente malícia política para tentar abafar o caso e mudar de assunto.Não deu certo. E certamente Lula despertou para a gravidade da situação criada, com toda a probabilidade da instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, mista ou apenas de senadores, que ninguém sabe onde irá parar. CPI do governo para investigar o governo é caso para psiquiatra

VillasBoas no JB

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