segunda-feira, maio 21, 2007

UOL NEWS ROBERTO ROMANO ENTREVISTA A RODRIGO FLORES, SOBRE A OPERAÇAO NAVALHA



21/05/2007 - 18h36
"Vivemos numa democracia de faz-de-conta", diz Roberto Romano

Veja a entrevista em vídeo

da Redação

Denúncias de corrupção, mais uma vez. A Polícia Federal desbaratou, no último dia 17, um suposto esquema de corrupção envolvendo a empresa baiana Gautama e autoridades dos Estados de Alagoas, Bahia, Goiás, Mato Grosso, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão, São Paulo e do Distrito Federal. Entre os investigados estão governadores, ex-governadores, senadores, um ministro, além de outros políticos de primeiro escalão.

Tudo isso deixa no cidadão brasileiro a sensação de que corrupção no Brasil jamais terá fim. Mas há solução, sim, de acordo com o professor de Ética e Política da Unicamp Roberto Romano. Para isso, no entanto, é preciso haver uma mudança radical na estrutura do Estado brasileiro. E, na opinião dele, as modificações deveriam começar pelo "inadmissível" foro privilegiado para políticos, princípio que considera "anti-republicano" e que favorece a impunidade e o arbítrio das autoridades. "O princípio básico dos Estados republicanos é a igualdade de todos perante a lei. A partir do momento que há um julgamento diferenciado para os governantes, isso cria uma classe de especial de cidadãos, que acham que não têm os mesmos deveres e responsabilidades dos demais", diz.

Outro ponto que precisa de mudanças é a estrutura dos partidos políticos brasileiros, que são fracos e altamente oligarquizados. De acordo com ele, são apenas uma máquina para vencer eleições e não a expressão do desejo nacional. "Se formos observar o caso da Operação Navalha, todos os partidos estão envolvidos, não há um que se salve", pontua. Ele frisa que, ao contrário dos Estados Unidos, por exemplo, no Brasil o eleitor de um partido não é chamado para discutir uma indicação para o executivo ou legislativo. "E é essa oligarquia partidária que escolhe soberana, muitas vezes em restaurantes de luxo, um candidato que será sufragado por milhares de pessoas", afirma.

Romano chama isso que vivemos no Brasil de "democracia de faz-de-conta". Faz-de-conta que governa, faz-de-conta que presta contas à Justiça, faz-de-conta que legisla e a pior de todas: faz-de-conta que se faz oposição. "No Brasil, ninguém quer ser oposição. E evidentemente nenhum governo quer oposição. E se não há oposição de verdade o que se tem é uma cooptação perene dos legisladores e da oposição por parte do poder executivo, e uma chantagem perene do poder executivo em relação ao poder legislativo", acrescenta.

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